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Mudanças climáticas podem afetar calendário escolar no Brasil, aponta estudo

Mudanças climáticas podem afetar calendário escolar no Brasil, aponta estudo

Redação
Por: Redação
28/07/2025 às 23h00 Atualizada em 29/07/2025 às 02h00
Mudanças climáticas podem afetar calendário escolar no Brasil, aponta estudo
Foto: Reprodução

Mais de 15 milhões de estudantes do ensino médio estudam em escolas com baixa resiliência a enchentes; 8 milhões em instituições não adaptadas para secas

Um estudo realizado pelo Observatório Nacional de Segurança Hídrica e Gestão Adaptativa (ONSEADAdapta) aponta que as mudanças climáticas podem afetar o calendário escolar no Brasil. Dos mais de 26 milhões de estudantes brasileiros matriculados no ensino médio, 57,6% (15 milhões) estudam em escolas com baixa ou mínima resiliência a enchentes e 33,8% (8 milhões) em instituições não preparadas para seca.
Impactos de eventos extremos
Os resultados indicam que quase 5 milhões de estudantes estão estudando em áreas com resiliência mínima a inundações e 10 milhões em regiões com baixa adaptação. Em relação à seca, quase 1 milhão de estudantes estão em áreas com resiliência mínima, 4 milhões em áreas de baixa resiliência e 3 milhões nas de resiliência média.
"No ano passado, mais de 1 milhão de estudantes [do ensino médio] perderam aulas no Brasil por causa de eventos climáticos extremos de seca ou de enchentes", disse Eduardo Mario Mendiondo, professor da EESC-USP e um dos autores do estudo.
Exemplo da Amazônia
Em 2024, durante a seca severa que acometeu a região amazônica, onde estão situadas as bacias dos rios Trombetas e Madeira, muitos alunos não puderam frequentar a escola porque o nível da água ficou muito baixo para a navegação. Para lidar com esses extremos, têm sido adotadas medidas como arrecadar fundos para ajudar os alunos, obter suprimentos de alimentos, comprar materiais escolares e ajudar a pagar professores e funcionários. Entre os meses de julho e novembro, os mais secos na região, os professores precisam flexibilizar o currículo.
Resiliência pedagógica
Com base nessas experiências, tem sido utilizado o termo "resiliência pedagógica" para descrever as práticas educacionais adotadas pelos professores na Amazônia para lidar com as interrupções das aulas em razão da seca e das enchentes.
"Esse cenário pode causar sérios impactos na educação no Brasil. Por isso que na LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional] é premissa mandatória, agora, a gestão de risco de desastres", afirmou Mendiondo.
Eventos extremos e secas
Segundo José Marengo, pesquisador do Cemaden, as secas são os eventos extremos que causam maiores impactos no Brasil: "As secas não são somente eventos meteorológicos, mas também socioeconômicos, porque afetam a economia e a sociedade como um todo. E é preciso lembrar que o Brasil é muito vulnerável a secas". O pesquisador apontou que as áreas mais afetadas por secas no Brasil são a região Sul, parte da Amazônia e o sul do Nordeste. Uma das tendências verificadas é que têm ocorrido eventos extremos de chuvas concentradas em poucos dias, seguidos de períodos muito secos e longos.
Impactos na saúde indígena
Na Amazônia, as secas de 2023 e 2024 também têm contribuído para problemas de saúde mental nas populações indígenas, apontou Sandra Hacon, pesquisadora da ENSP-Fiocruz. A poluição dos rios pelas queimadas também tem afetado a saúde das populações indígenas, podendo levar a quadros graves de desidratação.
Com informações: ECO
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