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Pesquisa revela contradição no cuidado com crianças de 0 a 6 anos no Brasil

Pesquisa revela contradição no cuidado com crianças de 0 a 6 anos no Brasil

Redação
Por: Redação
06/08/2025 às 18h00 Atualizada em 06/08/2025 às 21h00
Pesquisa revela contradição no cuidado com crianças de 0 a 6 anos no Brasil
Foto: Reprodução

Levantamento da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal mostra que, apesar do amor ser valorizado, 29% dos cuidadores ainda usam palmadas. Estudo destaca necessidade de apoio a práticas educativas não violentas

Uma nova pesquisa nacional realizada pelo Datafolha, a pedido da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, expõe um paradoxo nas práticas de cuidado com crianças de 0 a 6 anos no Brasil: enquanto amor (43%) e carinho (33%) são os valores mais citados como essenciais na criação infantil, ainda são altos os índices de uso de punições físicas e psicológicas. O estudo, intitulado “Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida”, foi divulgado no dia 4 de agosto, no Agosto Verde, mês dedicado à primeira infância.

Apesar do afeto ser priorizado, 29% dos cuidadores admitem usar palmadas ou beliscões como forma de disciplina. O dado é mais preocupante entre os responsáveis por crianças de 4 a 6 anos, em que o índice sobe para 34% — contra 24% entre os cuidadores de crianças de 0 a 3 anos. Outras práticas comuns incluem:
  • Colocar a criança de castigo: 58%
  • Dizer frases ameaçadoras (ex: “espera para ver o que vai acontecer”): 44%
  • Gritar ou brigar para corrigir comportamentos: 43%
  • Não dar atenção como punição: 29%
Falta de apoio e cultura da punição Especialistas apontam que os dados revelam uma falta de apoio e informação sobre formas positivas de disciplina, além da persistência de padrões culturais que normalizam a violência como método educativo. “É urgente romper com a ideia de que carinho e punição podem andar juntos na criação de uma criança. O afeto é a cola para a aprendizagem e a base do desenvolvimento. A disciplina precisa ser construída com escuta, acolhimento e limites firmes — mas nunca violentos”, afirma Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. Práticas positivas são mais eficazes e mais usadas A pesquisa mostra que as abordagens não violentas são amplamente adotadas e mais bem avaliadas pelos cuidadores:
  • Conversar e explicar o erro: 96% usam / 86% consideram eficaz
  • Acalmar e retirar a criança da situação: 93% usam / 67% consideram eficaz
  • Retirar brinquedos ou telas: 75% usam / 47% consideram eficaz
Apesar disso, apenas 17% dos que aplicam palmadas e 10% dos que gritam acreditam que essas práticas são eficazes. Impactos da violência no desenvolvimento infantil O estudo também investigou a percepção sobre os efeitos das punições físicas e psicológicas:
  • 24% acreditam que bater ensina obediência e respeito
  • 12% acham que não há impacto no desenvolvimento
No entanto, décadas de pesquisas em neurociência e psicologia do desenvolvimento comprovam que a violência física compromete o desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança, além de normalizar a resolução de conflitos por meio da força. Entre os que reconhecem os danos, os principais impactos apontados são:
  • Comportamentos agressivos: 43%
  • Baixa autoestima e falta de confiança: 32%
  • Dificuldades nos relacionamentos: 28%
Metodologia A pesquisa foi realizada entre 8 e 10 de abril de 2025, com 2.206 entrevistas presenciais em pontos de fluxo populacional. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para a amostra geral e 3 pontos para os responsáveis por crianças. Desse total, 31% cuidam de bebês e crianças de até 6 anos.

Com informações: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal
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