
A minissérie brasileira "Pssica", lançada pela Netflix em 20 de agosto de 2025, chega em um momento simbólico: às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro. Enquanto líderes mundiais se reúnem para discutir o futuro climático do planeta, a série desvia o olhar dos holofotes ambientais para uma realidade pouco visível: a violência urbana, o tráfico de pessoas e o abandono social que marcam a vida nas margens dos rios da Amazônia.
Dirigida por Quico Meirelles e produzida por Fernando Meirelles (indicado ao Oscar por Cidade de Deus), a série de quatro episódios já se tornou um dos títulos mais comentados da plataforma, por seu realismo brutal e pela coragem ao abordar temas tabus. Entre ficção e realidade: a Amazônia esquecida Baseada no livro homônimo de Edyr Augusto, jornalista e dramaturgo paraense, lançado em 2015, "Pssica" é uma obra de ficção, mas profundamente enraizada na realidade. Augusto coletou relatos em cidades ribeirinhas como Breves, Afuá, Faro e Belém — esta última frequentemente citada entre as cidades mais violentas do mundo. A trama é inspirada em casos reais de tráfico de mulheres, exploração sexual infantil e a atuação dos “ratos d’água”, criminosos que dominam rotas fluviais e usam barcos para cometer crimes. Em entrevista, o autor revelou ter conhecido práticas como leilões de meninas de 11 e 12 anos na Ilha de Marajó:“Meninas com cara de criança. É ininteligível a estupidez do homem em fazer isso.”A maldição da “pssica” O título da série vem do termo “pssica”, do idioma indígena nheengatu, usado no Pará como sinônimo de azar, desgraça ou maldição inevitável. Essa ideia perpassa toda a narrativa, onde os personagens parecem condenados a um destino de dor e violência. Personagens marcados pela dor A trama acompanha:
“Mais do que uma obra de entretenimento, ‘Pssica’ é um grito de alerta. A Amazônia não é só floresta: é gente, é história, é dor”, afirma um crítico cultural.Ficha Técnica
Com informações: Vice Brasil / Revista Fórum