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"Pssica": a minissérie da Netflix que expõe a face brutal da Amazônia urbana

"Pssica": a minissérie da Netflix que expõe a face brutal da Amazônia urbana

Redação
Por: Redação
28/08/2025 às 12h00 Atualizada em 28/08/2025 às 15h00
Foto: Reprodução

Baseada no livro de Edyr Augusto, minissérie da Netflix retrata violência, tráfico e abandono social no Pará. Produção estreia às vésperas da COP30, contrastando a imagem internacional da Amazônia com a realidade de suas periferias

A minissérie brasileira "Pssica", lançada pela Netflix em 20 de agosto de 2025, chega em um momento simbólico: às vésperas da COP30, que será realizada em Belém (PA) em novembro. Enquanto líderes mundiais se reúnem para discutir o futuro climático do planeta, a série desvia o olhar dos holofotes ambientais para uma realidade pouco visível: a violência urbana, o tráfico de pessoas e o abandono social que marcam a vida nas margens dos rios da Amazônia.

Dirigida por Quico Meirelles e produzida por Fernando Meirelles (indicado ao Oscar por Cidade de Deus), a série de quatro episódios já se tornou um dos títulos mais comentados da plataforma, por seu realismo brutal e pela coragem ao abordar temas tabus. Entre ficção e realidade: a Amazônia esquecida Baseada no livro homônimo de Edyr Augusto, jornalista e dramaturgo paraense, lançado em 2015, "Pssica" é uma obra de ficção, mas profundamente enraizada na realidade. Augusto coletou relatos em cidades ribeirinhas como Breves, Afuá, Faro e Belém — esta última frequentemente citada entre as cidades mais violentas do mundo. A trama é inspirada em casos reais de tráfico de mulheres, exploração sexual infantil e a atuação dos “ratos d’água”, criminosos que dominam rotas fluviais e usam barcos para cometer crimes. Em entrevista, o autor revelou ter conhecido práticas como leilões de meninas de 11 e 12 anos na Ilha de Marajó:
“Meninas com cara de criança. É ininteligível a estupidez do homem em fazer isso.”
A maldição da “pssica” O título da série vem do termo “pssica”, do idioma indígena nheengatu, usado no Pará como sinônimo de azar, desgraça ou maldição inevitável. Essa ideia perpassa toda a narrativa, onde os personagens parecem condenados a um destino de dor e violência. Personagens marcados pela dor A trama acompanha:
  • Janalice (Domithila Cattete), jovem sequestrada e vítima de abusos, entregue a uma quadrilha que controla os rios;
  • Preá (Lucas Galvino), criminoso tentando fugir do próprio passado;
  • Mariangel (Marleyda Soto), mulher em busca de vingança pela morte da família.
A atuação de Marleyda Soto, conhecida por interpretar Úrsula Iguarán em Cem Anos de Solidão (também da Netflix), ganha destaque pela intensidade e dramaticidade. Adaptação ousada para as telas Escrita por Bráulio Mantovani (Cidade de Deus), Fernando Garrido e Stephanie Degreas, a adaptação mantém o tom cru e poético do livro. A direção de Quico Meirelles, com a consultoria de Fernando Meirelles, traz uma estética sombria e imersiva, com imagens que alternam entre a beleza da paisagem amazônica e a brutalidade do cotidiano. Um chamado para além da COP30 "Pssica" surge como um contraponto necessário ao discurso internacional sobre a Amazônia. Enquanto o mundo debate desmatamento e mudanças climáticas, a série lembra que a região também é palco de tragédias humanas, onde o Estado está ausente e a vida vale pouco.
“Mais do que uma obra de entretenimento, ‘Pssica’ é um grito de alerta. A Amazônia não é só floresta: é gente, é história, é dor”, afirma um crítico cultural.
Ficha Técnica
  • Título: Pssica
  • Formato: Minissérie – 4 episódios
  • Direção: Quico Meirelles (com participação de Fernando Meirelles)
  • Roteiro: Bráulio Mantovani, Fernando Garrido, Stephanie Degreas
  • Produção: O2 Filmes (Andrea Barata Ribeiro e Fernando Meirelles), coprodução de Cristina Abi
  • Elenco: Domithila Cattete, Lucas Galvino, Marleyda Soto
  • Lançamento: 20 de agosto de 2025, Netflix

Com informações: Vice Brasil / Revista Fórum

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