Em um julgamento decisivo para o futuro político do ex-presidente
Jair Bolsonaro e de outros sete réus acusados de conspiração golpista, o ministro do Supremo Tribunal Federal (
STF)
Flávio Dino usou seu voto para ironizar o deputado federal Eduardo Bolsonaro. O ministro comparou o parlamentar ao personagem Pateta, arrancando risos do plenário, incluindo do relator
Alexandre de Moraes. Dino iniciou seu voto destacando que o tribunal não se intimida com ameaças, fazendo referência a tentativas de sanções dos Estados Unidos contra Moraes. "Eu me espanto de alguém imaginar que quem chega ao Supremo vá se intimidar com tuite", disse ele, em alusão à nova ameaça da embaixada dos EUA. A ironia ganhou força quando Dino questionou se "um cartão de crédito ou o Mickey" poderiam influenciar o julgamento. Foi então que Moraes, em tom de descontração, sugeriu: "O Pateta". Dino complementou, associando o personagem a Eduardo Bolsonaro, afirmando que "o Pateta aparece com mais frequência nesses eventos todos".
Dino aponta liderança de Bolsonaro no plano golpista
Em seu voto, Dino seguiu a linha de raciocínio de Alexandre de Moraes e atribuiu a liderança da articulação golpista a Bolsonaro e seu candidato a vice em 2022,
Braga Netto. Ele destacou que os réus tinham "o domínio de todos os eventos que estão nos autos" e eram responsáveis pelas ameaças a ministros do STF. Com o voto de Dino, o placar do julgamento ficou em 2 a 0 pela condenação. O ministro também usou seu discurso para rebater críticas e sepultar a possibilidade de anistia. Ele citou a Constituição, que define como inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados contra a ordem constitucional. Para reforçar, citou um voto anterior do ministro
Luiz Fux, que definiu que "crime contra o Estado Democrático de Direito é crime político e impassível de anistia". Dino ainda rebateu as críticas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que havia chamado a atuação de Moraes de "tirania". A fala do ministro Dino reforça a tese de que os crimes em julgamento são crimes políticos contra a democracia, e que a Constituição não permite que sejam perdoados por meio de anistia ou indulto. A decisão é um sinal do rigor do STF para cometer crimes que ameacem o regime democrático no país.
Com informações: DCM