
O Distrito Federal perdeu uma de suas figuras mais longevas e dedicadas ao serviço humanitário. Faleceu nesta terça-feira, dia 30 de junho de 2026, aos 104 anos, Antonio Villela, cofundador do Centro Espírita André Luiz (Ceal) e considerado um dos grandes ícones da história e do desenvolvimento social da região administrativa do Guará. A confirmação do falecimento foi emitida oficialmente por seus familiares nas redes sociais.
Nascido no início do século XX, a trajetória de "Seu Villela" confunde-se com a própria epopeia da construção da nova capital federal. Servidor de carreira do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) — órgão do Judiciário que antecedeu o Superior Tribunal de Justiça (STJ) —, ele integrou, ainda em 1959, a comissão pioneira designada para implantar a base dos serviços de justiça no Planalto Central, transferindo-se em definitivo para Brasília em 1960.
Movido pelo ideal de amparo aos necessitados, Villela participou da fundação do Centro Espírita André Luiz no ano de 1960. A semente inicial da instituição foi plantada em um lote improvisado nas imediações do Jardim Zoológico, na Candangolândia. Contudo, em 1972, com o processo de ordenamento territorial promovido pela Novacap, a instituição enfrentou uma ordem de despejo de suas instalações originais.
Para assegurar a continuidade dos tratamentos espirituais e dos sopões fraternos direcionados a famílias em situação de vulnerabilidade, Antonio Villela coordenou a transferência logística da entidade para a QI 16 do Guará I. Na nova localidade, o Ceal consolidou-se como um dos mais respeitados polos de assistência filantrópica do quadradinho, expandindo creches comunitárias, oficinas profissionalizantes e distribuição de donativos.
A preservação da memória de pioneiros e de instituições confessionais de caridade compõe o patrimônio imaterial das cidades satélites. Historiadores e memorialistas resgatam essas biografias por meio de pesquisas contidas em arquivos que documentam a [história do Guará e pioneirismo em Brasília], mapeando os desafios de infraestrutura e a auto-organização dos moradores nas primeiras décadas de ocupação urbana do DF.
A longevidade extraordinária e o desprendimento pessoal de Villela transformaram-no em uma referência moral no Guará. Moradores, voluntários da Seara Espírita e assistidos pela instituição manifestaram pesar pela perda do idoso, destacando que sua liderança silenciosa pavimentou o caminho para a estruturação de uma rede de voluntariado que hoje atende centenas de famílias de forma ininterrupta.
O falecimento de líderes comunitários mobiliza homenagens formais em plenários do Legislativo distrital. O acompanhamento dessas condecorações póstumas e das trajetórias de benfeitores locais é registrado em portais voltados à [memória histórica e pioneiros do DF], que servem como acervo público para as futuras gerações compreenderem o papel da sociedade civil e das entidades beneficentes na consolidação das redes de proteção e acolhimento do Distrito Federal.
O cronograma com os horários de visitação, o velório e o sepultamento do pioneiro serão confirmados pela diretoria do centro espírita nas próximas horas, prevendo-se uma ampla mobilização de fiéis, amigos e autoridades políticas locais para o último adeus.
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