Em comissão geral na CLDF, entidades e produtores de diversas regiões do Distrito Federal criticaram o Projeto de Lei nº 1.787/2025 por retirar a venda direta de terras e transformar áreas rurais em "estoque imobiliário" da Terracap
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Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, nesta quinta-feira (18), uma comissão geral para debater o
Projeto de Lei nº 1.787/2025, do Poder Executivo, que propõe alterações na Política de Regularização de Terras Públicas Rurais do DF (Lei nº 5.803/2017). Produtores rurais e entidades de diversas regiões do DF criticaram veementemente o texto e pediram sua
retirada de tramitação. O pleito contou com o apoio dos deputados presentes,
Pepa (PP) e
Roosevelt (PL). O deputado Pepa, presidente da Comissão de Produção Rural e Abastecimento, que propôs o debate, destacou a relevância do tema: "Esta pauta é de suma importância para o DF, e quem é mais atingido é aquele que está na ponta, quem produz, quem coloca o alimento em nossa mesa."
Críticas: Fim da Venda Direta e Poder da Terracap
A principal queixa dos produtores está nas mudanças propostas para o processo de regularização. Lúcia Mendes, representante da Associação Preserva Serrinha, leu um manifesto assinado por mais de 80 entidades que solicita a retirada do projeto por contrariar os interesses da sociedade e não ter sido objeto de debate transparente. Segundo Mendes, o PL representa um "retrocesso injustificável e inaceitável" porque:
- Retira a Venda Direta: O novo texto remove a possibilidade de regularização com a venda direta das terras, exigindo agora a anuência da Terracap.
- Muda Áreas Rurais: Áreas urbanas com características rurais perdem a opção de venda direta e ficam restritas a CDU (Concessão de Direito de Uso) ou CDRU (Concessão de Direito Real de Uso).
- Estoques da Terracap: Na prática, a proposta "transforma todas as áreas rurais do DF... em estoque de terra da Terracap, que vai vender a seu bel-prazer, quando quiser.”
O deputado Roosevelt (PL) concordou com as críticas, afirmando que o projeto é um "retrocesso" que derruba garantias importantes, como a paridade de valores de regularização entre terras rurais e urbanas com características rurais.
Elogios e Ausências Notáveis
Apesar da forte crítica, o secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF,
Rafael Borges Bueno, elogiou o texto, citando inovações como a
autodeclaração do produtor e a possibilidade de contratar engenheiros agrônomos para laudos. A ausência mais criticada foi a da
Terracap, que não enviou representante para a comissão, apesar de ter integrado o grupo de trabalho que redigiu o PL. Produtores e militantes criticaram a "lógica imobiliária" do órgão, que, segundo eles, impede o avanço da regularização.
Encaminhamento
Ao final do debate, o deputado Roosevelt anunciou que irá buscar o apoio de outros parlamentares para a retirada do texto. O deputado Pepa ratificou o posicionamento: "O recado foi dado, o PL não é bom, não pode avançar e precisa ser ajustado, pois só prejudica.”
Fonte: Denise Caputo - Agência CLDF