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O esgotamento como regra: Byung-Chul Han e a violência da sociedade do desempenho burnout

O esgotamento como regra: Byung-Chul Han e a violência da sociedade do desempenho burnout

Redação
Por: Redação
18/11/2025 às 23h00 Atualizada em 19/11/2025 às 02h00
O esgotamento como regra: Byung-Chul Han e a violência da sociedade do desempenho burnout
Foto: Reprodução
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, autor de "A Sociedade do Cansaço", argumenta que a exaustão, a depressão e a ansiedade são patologias centrais do século XXI, resultantes de uma cultura neoliberal que trocou a obediência externa pela autoexploração em nome da produtividade

O diagnóstico de esgotamento, burnout e ansiedade, que afeta desde executivos a trabalhadores de aplicativos, está sendo explicado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han. Sua obra, “A Sociedade do Cansaço” (2010), tornou-se referência global para entender o mal-estar contemporâneo, no qual a exaustão parece ter se tornado a regra.

Han, professor da Universidade de Berlim, afirma que as patologias do século XXI não nascem mais da repressão (sociedade do "não"), mas da cobrança interna de que o indivíduo "pode sempre mais" (sociedade do "sim").

Da sociedade da obediência à autoexploração

O pensador argumenta que a pressão deixou de ser primordialmente externa e institucional, e passou a ser interna. O comando “tu deves” (típico da sociedade disciplinar) foi substituído pelo “tu podes” (típico da sociedade do desempenho).

Neste novo regime, o neoliberalismo transformou o trabalhador em um "empreendedor de si mesmo".

  • Lógica da Autoexploração: O indivíduo se explora voluntariamente, sob a crença de estar exercendo sua autonomia e liberdade.

  • Falha Individual: Fracasso, depressão e sofrimento deixam de ser vistos como problemas estruturais e são interpretados como falhas da incapacidade pessoal de se adaptar ao ritmo exigido.

Para Han, essa estrutura de autoexploração é mais eficiente do que as formas clássicas de exploração.

Hiperatividade e colapso neuronal

Os quadros psíquicos globais (burnout, ansiedade, depressão) são vistos por Han como sinais de um mundo saturado de estímulos que opera em regime “24/7”, sem desligamento. A figura central dessa dinâmica é o sujeito multitarefa, sempre conectado e disponível.

Han classifica esse excesso de positividade — de estímulos, possibilidades e exigências — como uma forma de violência neuronal. A hiperatividade, celebrada no mercado, é, na verdade, a incapacidade de recusar estímulos e estabelecer limites.

A consequência lógica desse modelo, que exige produtividade total e ignora os limites da mente e do corpo, é o colapso.

Como resistir ao imperativo da performance

Diante do diagnóstico, Han propõe caminhos de resistência que contrariam a lógica da aceleração: a reivindicação do tédio, do silêncio, do descanso e da recusa. Ele chama isso de “potência negativa”, ou seja, a capacidade de dizer “não” e de sustentar a pausa.

Para o filósofo, os grandes feitos culturais da humanidade nasceram da atenção profunda e da contemplação, e não da hiperatividade. Ele sugere:

  • Menos cálculo e mais contemplação;

  • Menos otimização e mais lazer;

  • Cultivo lento em vez do acúmulo infinito de tarefas.


Com informações: Revista Fórum, Editora Vozes

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