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A crise do afeto e o ressentimento masculino: Como o conservadorismo e o neoliberalismo alimentam a violência contra mulheres

A crise do afeto e o ressentimento masculino: Como o conservadorismo e o neoliberalismo alimentam a violência contra mulheres

Redação
Por: Redação
20/12/2025 às 09h00 Atualizada em 20/12/2025 às 12h00
A crise do afeto e o ressentimento masculino: Como o conservadorismo e o neoliberalismo alimentam a violência contra mulheres
Foto: Reprodução
A escalada da violência e dos feminicídios exige a compreensão do papel do ressentimento masculino nas relações afetivas e sexuais, em um cenário de instabilidade dos vínculos e crescente politização da feminilidade. O artigo aponta que subculturas violentas de masculinidade, reforçadas por discursos de extrema direita e pelo hiperindividualismo neoliberal, convertem gênero, desejo e status de poder em terrenos de conflito permanentes, sabotando a capacidade de se relacionar e impondo um custo psíquico às mulheres

A Dicotomia de Gênero e o Avanço Conservador ??

O texto destaca uma dicotomia de valores entre a geração Z: enquanto mulheres nessa faixa etária (18-30 anos) são mais conscientes das pautas feministas, os homens se mostram expressivamente mais conservadores. Essa assimetria alimenta tendências como as tradwives ("esposas-troféu"), que buscam docilizar a autenticidade feminina para um modelo patriarcal "palatável".

  • A Fraude do "Homem Provedor": A fantasia do "homem provedor" mascara uma frustração de gênero, pois esse modelo é financeiramente insuficiente na realidade neoliberal e cobra das mulheres "dívidas simbólicas" em troca de sustentação.

  • Corrosão dos Vínculos: A precariedade e a terceirização do trabalho comprometem a formação de vínculos saudáveis. A indisponibilidade afetiva masculina é vista como um "investimento psíquico enorme" que aprofunda polarizações tóxicas, levando a uma regressividade relacional (formas infantis de demanda).

A Violência como "Criptomoeda Sexual" e Propaganda Política ?

O esvaziamento do campo afetivo enfraquece a resistência afetiva (a força interna para sustentar vínculos e acolher a vulnerabilidade). Nesse ambiente, expectativas femininas legítimas são confundidas com o ideal masculinista do "provedor-reformado" – exemplificado na figura do "calvo do Campari".

  • Naturalização da Violência: Sujeitos nesse contexto naturalizam e exploram a violência como uma espécie de "criptomoeda sexual", seja em microviolências cotidianas ou em atos sexuais violentos, como tentativa de restaurar uma ordem imaginária de dominância.

  • Monetização do Ódio: Inúmeros conteúdos online sobre "conquista" são monetizados, ensinando abordagens de humilhação e rebaixamento da mulher. A rejeição feminina é tratada como "incompetência" delas, e não do homem, convertendo o consentimento negado em ressentimento masculino destrutivo.

  • Propaganda Extremista: A extrema direita articula essa dinâmica como propaganda política, tentando recuperar valores patriarcais rejeitados por novas gerações (liderança autoritária, tutela moral e controle da subjetividade feminina). A violência simbólica e relacional deixa de ser apenas sintoma para se tornar uma ferramenta política autodirigida.

A Violência é Estrutural e Econômica ?

O texto conclui que a violência contra a mulher não é apenas cultural ou simbólica, mas econômica e estrutural.

"Produzir desigualdade de gênero é assegurar o próprio funcionamento interno do capitalismo."

A sustentação das crises e a imposição de modelos contraditórios de representatividade feminina (como a candidatura de Michelle Bolsonaro) servem ao domínio conservador. O desafio é reconhecer que a disputa pelo desejo, corpo e afetividade está interligada à disputa pelo poder, e resistir exige a reconstituição coletiva de um horizonte de dignidade e liberdade.


Com informações: Diplomatique

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