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Estudo coloca humanos entre as espécies de mamíferos mais monogâmicas socialmente

Estudo coloca humanos entre as espécies de mamíferos mais monogâmicas socialmente

Redação
Por: Redação
15/12/2025 às 08h00 Atualizada em 15/12/2025 às 11h00
Estudo coloca humanos entre as espécies de mamíferos mais monogâmicas socialmente
Foto: Reprodução
Pesquisa comparou dados genéticos humanos com 34 outras espécies, revelando que a nossa espécie ocupa a sétima posição no ranking de monogamia reprodutiva

Um novo levantamento conduzido pelo antropólogo evolucionista Mark Dyble, da universidade de Cambridge, reacendeu o debate sobre o grau de monogamia na espécie humana. O pesquisador comparou dados genéticos e etnográficos de sociedades atuais e antigas com informações de 34 espécies de mamíferos. O resultado surpreendeu: os seres humanos figuram entre os grupos mais monogâmicos socialmente já estudados, alcançando a sétima posição entre as espécies classificadas nesta categoria.

A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the Royal Society B, utilizou um indicador simples e direto para medir a monogamia reprodutiva: a proporção entre irmãos completos (que compartilham pai e mãe) e meio-irmãos. Quanto maior essa proporção, maior a probabilidade de o sistema social favorecer relacionamentos estáveis. Por esse critério, os humanos apresentaram cerca de 66% de irmãos completos, um índice considerado elevado em comparação com outros mamíferos.

Para chegar a essa conclusão, Dyble desenvolveu um modelo computacional que integrou dados genéticos recentes com informações arqueológicas e relatos etnográficos de 103 populações humanas abrangendo 7 mil anos de história. Os números obtidos colocam os humanos ao lado de animais como gibões e castores — conhecidos por relações duradouras — e bem acima de primatas famosos pelo comportamento competitivo e promíscuo:

  • Gorilas: 6% de irmãos completos.

  • Chimpanzés: 4%.

  • Macacos-japoneses: 2,3%.

Uma exceção notável é o sagui-de-bigode, que, devido às gestações frequentes de gêmeos, apresenta cerca de 78% de irmãos completos, sendo um dos mais monogâmicos entre os mamíferos avaliados.

O estudo sublinha que a monogamia humana não se limita ao vínculo isolado entre casais. Diferentemente da maioria das espécies socialmente monogâmicas, que formam núcleos familiares pequenos e rígidos, os humanos vivem em comunidades amplas nas quais várias mulheres podem ter filhos dentro de grupos estáveis e cooperativos. A única espécie com estrutura social comparável é a mara-da-patagônia.

Dyble argumenta que a monogamia humana provavelmente surgiu dentro de grupos sociais maiores, e não a partir de pares isolados, o que contraria o padrão evolutivo mais comum entre mamíferos. A pesquisa reforça que o levantamento considera apenas a monogamia reprodutiva, e não a sexual, já que práticas culturais, controle de natalidade e normas sociais tornaram a reprodução humana independente da vida sexual.


Com informações: Revista Fórum

 
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