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Desperdício Invisível: Apenas Goiânia e Teresina atingem metas de eficiência em perdas de água

Desperdício Invisível: Apenas Goiânia e Teresina atingem metas de eficiência em perdas de água

Redação
Por: Redação
31/01/2026 às 14h00 Atualizada em 31/01/2026 às 17h00
Desperdício Invisível: Apenas Goiânia e Teresina atingem metas de eficiência em perdas de água
Foto: Reprodução

Estudo do Instituto Trata Brasil revela que a média de perdas nas capitais é de quase 40%, o dobro do aceitável; redução do desperdício poderia abastecer 8 milhões de pessoas sem novas captações.


O Brasil enfrenta um desafio crítico de infraestrutura que impacta diretamente o bolso do consumidor e a preservação do meio ambiente: o desperdício de água potável antes mesmo de ela chegar às torneiras. Segundo o mais recente relatório do Instituto Trata Brasil, baseado nos dados do SINISA 2023, apenas duas das 27 capitais brasileiras — Goiânia (GO) e Teresina (PI) — cumprem o padrão de excelência em perdas na distribuição.

A meta, estabelecida pela Portaria nº 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional, define que as cidades devem perder, no máximo, 25% da água produzida até 2034. Atualmente, a média das capitais é de 39,52%.

Onde a água se perde?

As perdas de água não são apenas vazamentos visíveis em ruas. Elas são divididas em duas categorias principais que compõem o prejuízo das companhias de saneamento:

  • Perdas Reais (Físicas): Vazamentos em adutoras, redes de distribuição e reservatórios deteriorados.

  • Perdas Aparentes (Não Físicas): Erros de medição nos hidrômetros, fraudes (gatos), consumos não autorizados e falhas no cadastro comercial.

O Ranking da Eficiência

Apenas três capitais conseguiram se destacar positivamente no indicador de litros perdidos por ligação ao dia (cuja meta é de 216 litros):

Capital Perda na Distribuição (%) Perda por Ligação (L/dia)
Goiânia (GO) 12,68% 114,12
Teresina (PI) 24,20% 208,30
Palmas (TO) 33,20% 195,40
Média das Capitais 39,52% 595,83

O Potencial da Redução: Mais Água, Menos Custo

Reduzir as perdas não é apenas uma questão de engenharia, mas de segurança hídrica. Se todas as capitais reduzissem suas perdas físicas para o patamar de 25%, haveria água disponível para abastecer 8 milhões de habitantes extras, sem a necessidade de retirar um único litro a mais dos rios ou mananciais.

Isso permitiria que 21 das 27 capitais alcançassem quase 100% de cobertura de abastecimento de água potável apenas otimizando o que já é produzido hoje. Para o consumidor, isso significa um sistema mais sustentável e com menores custos operacionais para as empresas, o que alivia a pressão sobre os reajustes tarifários.

Próximos Passos

A universalização do saneamento depende de investimentos pesados em troca de redes antigas, digitalização da medição e combate rigoroso às fraudes. A eficiência hídrica é o caminho mais curto e barato para garantir que ninguém fique sem água nas próximas décadas.


Com informações: Instituto Trata Brasil, SINISA.

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