
Viver em condomínio tornou-se o padrão nos grandes centros urbanos, mas o funcionamento financeiro dessa estrutura ainda gera muitas dúvidas e polêmicas em assembleias. Para esclarecer esses pontos, a AABIC (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios) detalhou como o custo condominial é formado e por que ele deve ser visto como um investimento na preservação do patrimônio, e não apenas como uma despesa.
Muitos moradores utilizam o termo "taxa de condomínio", mas, segundo Omar Anauate, presidente da AABIC, essa é uma impropriedade técnica.
Taxa: É um tributo imposto pelo Poder Público (como taxa de lixo ou licenciamento).
Cota Condominial: É o rateio das despesas comuns (segurança, limpeza, manutenção e consumo). É o resultado da divisão dos custos operacionais pelas unidades, conforme previsto na Convenção do Condomínio.
A composição do custo fixo de um condomínio segue uma média de mercado que ajuda o morador a entender para onde vai o seu dinheiro:
Pessoal (Portaria, Zeladoria, Limpeza): Representa entre 55% e 65% do custo total.
Consumo (Água, Energia, Gás): Variável que depende do uso coletivo e individual.
Manutenção e Contratos: Elevadores, bombas, jardins e sistemas de segurança.
A inadimplência é um dos maiores desafios dos síndicos. Quando um morador deixa de pagar, o condomínio tem duas saídas: usar o fundo de reserva ou aumentar o rateio para as unidades adimplentes.
Por outro lado, Anauate ressalta que um condomínio com cota elevada e sem benefícios claros perde liquidez e valor de mercado. "Um imóvel com alto valor de cota, sem contrapartida evidente, vai se converter em um ativo com menos liquidez, podendo observar perda de valor patrimonial", alerta.
Fração Ideal: A regra geral do Código Civil prevê que quem tem o imóvel maior (como coberturas) paga proporcionalmente mais, pois detém uma parte maior da copropriedade do terreno e das áreas comuns.
Economia de Escala: Condomínios-clube com muitas torres e unidades costumam ter cotas mais baratas do que prédios pequenos com estrutura mínima, pois os custos fixos são diluídos entre mais pagantes.
Tecnologia: Portarias remotas e sistemas de automação de energia são investimentos que, no médio prazo, reduzem drasticamente o custo fixo de pessoal.
Com informações: AABIC / Predicado Comunicação.