
É preciso admitir: o teatro político do Gama está mudando de gênero. Saímos daquele episódio mal-acabado de "House of Cards" da periferia e entramos em um drama realista de alta performance. A nova Administradora, que assumiu o papel principal, veio mostrar que para dirigir uma cidade não é preciso figurino de gala ou vidros fumês, mas sim pé no chão e ouvido atento. O roteiro das críticas construtivas foi lido, ensaiado e agora é executado com maestria por toda a sua equipe.
O enredo mais fascinante, porém, é a evolução de alguns assessores coadjuvantes. Antigamente, essa trupe parecia sofrer de uma amnésia seletiva sobre quem paga o ingresso do show. Era um festival de deboche, descaso e ironia: bastava um morador apontar um buraco para que o "coro" se reunisse para trocar risadinhas e desdém, tratando o cidadão como um figurante chato que só atrapalhava o ensaio.
Hoje, a metamorfose é digna de Oscar — pelo menos para a maioria. Sob a batuta da nova gestão, os mesmos que antes faziam "carão" agora destilam educação. No entanto, é aqui que o drama ganha tons preocupantes: nem todo o elenco está em sintonia com a batuta da maestrina. Enquanto a Administradora corre atrás de melhorias reais, existe uma ala da assessoria que parece viver na "dimensão paralela" do Instagram.
É patético (e de uma ironia cortante) notar que alguns estão mais ocupados em auditar curtidas e fazer "perícia" em perfis para identificar quem é "fake" ou oposição, do que em realizar o que seria o básico: o mapeamento dos problemas apontados nas redes sociais para repassar à Administradora. Estão tão ocupados com o algoritmo que esquecem do asfalto. Priorizam a caça ao "like" em vez da busca pela solução, o que, convenhamos, soa como um boicote interno disfarçado de zelo.
O detalhe que faz qualquer morador atento franzir a testa? Essa turma faz questão de bater no peito para dizer que "não trabalha na Administração". E é aqui que mora o perigo. Se eles não trabalham ali, estariam eles realmente jogando no time da Administradora ou apenas assistindo à distância, prontos para lavar as mãos caso o asfalto rache? É preocupante ver quem deveria ser o "braço direito" preferir a distância conveniente do "eu não sou de lá". Fica a pergunta: afinal, todos não deveriam jogar no mesmo time que o Deputado e sua Administradora? Quem se nega a vestir a camisa da gestão enquanto o barco navega, trabalha contra o morador e, por tabela, contra o parlamentar. Ponto final.
Nota aos navegantes: Tem assessor achando que estamos relatando apenas os que trabalham na RA do Gama. Entendam que a citação é de um modo geral; afinal, para quem está encastelado em gabinetes e prefere a "perícia digital" ao trabalho real, a diferença no final do mês muitas vezes reside apenas no valor do holerite.
E o que dizer do nosso personagem mais folclórico? A Advogada - Não Requisitada, aquela que se autodenomina a guardiã sagrada do Deputado. Antigamente, ela brilhava nos grupos de WhatsApp, sempre amparada pelas risadas dos assessores que adoravam ver o "circo pegar fogo" contra os moradores que ousavam pedir melhorias.
O detalhe sarcástico? Ela continua sem crachá, sem papel assinado e, agora, sem plateia. Enquanto tenta encenar seu monólogo de ataques — agindo como uma promotora de justiça sem diploma —, o elenco oficial já mudou o disco (pelo menos boa parte). Alguém precisa avisar a essa "protetora de causas inexistentes" que defender o parlamentar atacando o eleitor é a forma mais rápida de queimar a imagem de quem ela diz proteger. Com uma defensora dessas, que se intromete onde não é chamada, o Deputado nem precisa de oposição.
"O palco agora é do morador. As 'risadinhas' saíram de cena e deram lugar ao trabalho. Quem ainda insiste em gritar no deserto para aparecer, esqueceu que o espetáculo da arrogância já saiu de cartaz."
Após o burburinho sobre as "Conversões Relâmpago", o recado é claro: não importa se o amor pela gestão nasceu do coração ou do bolso, desde que o trabalho apareça na mesma velocidade do asfalto.
Mudar de opinião é um direito constitucional. Se a estrutura da nova Administradora convenceu o antigo crítico através da eficiência, parabéns! Se o novo colaborador está nas ruas, batendo ponto e ajudando a transformar o Gama, a "conversão" é necessária. O que importa para o morador não é o passado do assessor, mas o presente do serviço entregue.
O que a cidade não tolera é a ausência de serviço. O cidadão não pode financiar salários de quem só aparece na folha, mas some na hora do batente. Receber o dinheiro do povo e não aparecer para trabalhar é o único pecado capital sem perdão. O Gama não precisa de figurantes de luxo que só batem palma virtual enquanto o "job" principal é o ócio. Precisamos de braços, não de nomes decorativos em portarias.
"Se o novo apaixonado por gestão está com a bota na lama e o suor na testa, a nomeação é um investimento. Mas, se o amor só existe no dia 30 e no brilho do aplicativo do banco, aí o 'mistério' vira indignação popular."
Menos performance de quem quer aparecer, mais serviço de quem quer construir. O público (e o Gama) agradecem.