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Pressão regulatória internacional e desastres ambientais no Brasil expõem falhas estruturais: especialista analisa riscos globais e soluções jurídicas

Especialista Bell Ivanesciuc analisa como falhas em Mariana e Brumadinho impulsionam novas regras de ESG e responsabilidade jurídica transnacional

Por: Gutemberg Silva Fonte: Bell Ivanesciuc
21/07/2021 às 23h30
Pressão regulatória internacional e desastres ambientais no Brasil expõem falhas estruturais: especialista analisa riscos globais e soluções jurídicas

O aumento da pressão regulatória internacional, aliado à recorrência de grandes desastres socioambientais no Brasil, como os casos de Mariana e Brumadinho, vem redefinindo o papel do Direito Internacional na gestão de riscos corporativos e na resolução de conflitos complexos.

Esses eventos não apenas geram impactos locais devastadores, mas também provocam repercussões globais, afetando cadeias de suprimentos, fluxos de investimento e a reputação de empresas multinacionais.

Para analisar esse cenário, a Fato Novo entrevistou a advogada Bell Ivanesciuc, especialista em Direito Internacional e tributário, Governança Sustentável e Conflito Sócio Ambiental.

UM NOVO EQUILÍBRIO REGULATÓRIO GLOBAL

Segundo Ivanesciuc:

“Estamos vivendo uma mudança estrutural. O risco socioambiental deixou de ser local e passou a ser um fator global que influencia decisões de Estados, mercados e instituições financeiras.”

Ela explica que esse movimento vem sendo impulsionado por:

1)  aumento da exigência de transparência corporativa

2) pressão de investidores institucionais

3) consolidação de padrões ESG

4) maior rigor regulatório em mercados internacionais

DO DESASTRE LOCAL AO IMPACTO GLOBAL

Casos brasileiros como Mariana e Brumadinho ilustram essa transformação.

De acordo com a especialista:

“Desastres socioambientais não são apenas tragédias locais  eles se tornam eventos globais, com impacto direto em mercados internacionais, governança corporativa e responsabilidade jurídica transnacional.”

Ela destaca que esses eventos expuseram falhas estruturais como:

1) ausência de governança preventiva

2) fragmentação institucional

3) incapacidade de resposta coordenada

4) judicialização excessiva sem solução sistêmica

O LIMITE DO MODELO TRADICIONAL

Ivanesciuc afirma que o modelo jurídico clássico não é mais suficiente:

“O Judiciário resolve disputas individuais, mas não resolve crises sistêmicas. Em conflitos dessa magnitude, é necessário estruturar soluções institucionais que integrem aspectos jurídicos, sociais e econômicos.”

SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

A especialista ressalta que há uma evolução importante na forma como sustentabilidade vem sendo tratada no cenário internacional:

“Sustentabilidade e ESG não podem ser tratados como barreiras ao desenvolvimento econômico. O desafio contemporâneo é estruturar modelos que conciliem preservação ambiental com geração de riqueza, produção e crescimento.”

Ela complementa:

“As principais economias globais vêm reforçando a necessidade de alinhar proteção ambiental com desenvolvimento econômico, demonstrando que crescimento e sustentabilidade são compatíveis quando baseados em governança estruturada e previsibilidade regulatória.”

PRESSÃO INTERNACIONAL E RESPONSABILIDADE CORPORATIVA

Com o aumento da integração global, empresas passam a ser avaliadas não apenas por sua performance econômica, mas por sua capacidade de gestão de risco.

Segundo Ivanesciuc:

“Investidores internacionais já tratam falhas socioambientais como risco financeiro. Isso muda completamente a lógica de responsabilidade corporativa.”

Ela ressalta que:

1) fundos globais exigem padrões ESG rigorosos

2) mercados penalizam empresas envolvidas em crises

3) regulações internacionais vêm se tornando mais exigentes

O PAPEL ESTRATÉGICO DO BRASIL

Para o Brasil, o cenário representa tanto risco quanto oportunidade:

“O Brasil está no centro desse debate. É um país com enorme potencial ambiental e econômico, mas também com alta complexidade socioambiental. Isso exige soluções jurídicas inovadoras e estruturadas.”

Ela aponta que o país pode:

1) liderar modelos de governança socioambiental

2) desenvolver sistemas compensatórios estruturados

3) fortalecer sua posição no cenário internacional

OS PRINCIPAIS DESAFIOS GLOBAIS

Ivanesciuc destaca três desafios centrais:

1) Transformar regulação em implementação efetiva

2) Alinhar interesses econômicos com sustentabilidade

3) Criar mecanismos de governança capazes de evitar a escalada de conflitos

A Ivanesciuc finaliza declarando que:

“O futuro não será definido por quem reage melhor a crises, mas por quem consegue estruturar governança antes que o conflito se torne inevitável.”

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Advogada Bell Ivanesciuc, especialista em Direito Internacional e tributário, Governança Sustentável e Conflito Sócio Ambiental

 

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