
Um novo estudo publicado na revista Communications Earth & Environment em novembro de 2025 revela um potencial inexplorado nas regiões geladas do norte. De acordo com o autor principal, Kevin Dsouza, da Universidade de Waterloo, o Canadá possui cerca de 6,4 milhões de hectares de terras — uma área equivalente a duas vezes o tamanho da Ilha de Vancouver — que são ideais para o reflorestamento na transição entre a floresta boreal e a tundra ártica.
A simulação conduzida pela equipe de Dsouza sugere que o plantio estratégico nessas áreas poderia remover quase 4 gigatoneladas de carbono da atmosfera nos próximos 75 anos. Se o projeto for ampliado para 32 milhões de hectares, esse número poderia saltar para 20 gigatoneladas. Além do sequestro de carbono, a presença de novas florestas ajudaria a estabilizar o permafrost (solo permanentemente congelado), evitando a liberação de metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO2.
O estudo surge em um momento de autocrítica para o governo canadense. Um plano anterior de plantar 2 bilhões de árvores até 2031 foi cancelado no ano passado após dificuldades logísticas e falta de verba. Dsouza argumenta que o erro não estava na ciência, mas na execução. "Tentar apenas atingir um número não é a estratégia correta", afirmou o pesquisador. Segundo ele, o reflorestamento precisa ser estratégico, focando nos locais certos e gerando benefícios econômicos para as comunidades locais.
Nem todos os cientistas concordam que apenas plantar árvores seja a solução definitiva. O professor Ulf Büntgen, da Universidade de Cambridge, alerta que árvores eventualmente morrem e liberam o carbono de volta à atmosfera. Em uma proposta publicada em janeiro de 2026, a equipe de Büntgen sugeriu um método radical: colher árvores maduras e afundá-las no fundo do Oceano Ártico.
A ideia baseia-se nas águas frias e pobres em oxigênio das profundezas árticas, que poderiam preservar a madeira por milhares de anos, mantendo o carbono aprisionado. Segundo essa corrente:
Eficiência: Árvores jovens capturam carbono mais rápido que as antigas.
Redução de Incêndios: Remover árvores maduras de áreas suscetíveis reduziria o combustível para grandes queimadas.
Aceleração Natural: O processo apenas aceleraria o que já ocorre naturalmente com a madeira que chega aos oceanos via rios.
Para o Brasil, que abriga a maior floresta tropical do mundo, esse debate é essencial. Enquanto no Canadá a discussão gira em torno da expansão da floresta para o norte devido ao aquecimento global, na Amazônia o desafio é conter o desmatamento e promover a regeneração em solos tropicais. A tecnologia de monitoramento por satélite e os modelos de simulação usados no estudo canadense são ferramentas que podem ser adaptadas para o planejamento ambiental em solo brasileiro.
Palavras-Chave: reflorestamento floresta boreal, sequestro de carbono Canadá, crise climática 2026.