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Congresso Nacional

Projeto de lei prevê criminalização da misoginia

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De autoria da deputada federal Dandara (PT-MG), PL sugere prisão para práticas misóginas na internet com pena de até cinco anos; texto aguarda votação no Plenário da Câmara

O Brasil tem vivido uma série de ataques misóginos cometidos contra mulheres em diversos segmentos da sociedade. Seja no ambiente virtual, seja na vida real, os casos de violências não param de aumentar no país.

O que parece é que nos últimos anos, não importa o espaço, ofender, desrespeitar, violar a honra das mulheres tornou-se comum e até aceitável. Basta lembrar o episódio da participação da ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, durante uma audiência no Senado, onde ela foi duramente ofendida por senadores enquanto exercia o seu trabalho. Se até à luz das câmeras a misoginia corre solta, em um ambiente institucional como a Casa Alta, imagine o que ocorre nos ambientes domésticos e virtuais?

Pensando em oferecer um mínimo de proteção para as brasileiras, em 2023, a deputada federal Dandara (PT-MG) apresentou o projeto de lei 872/23, que busca criminalizar a misoginia, que é “definida como a manifestação que inferiorize, degrade ou desumanize a mulher, baseada em preconceito contra pessoas do sexo feminino ou argumentos de supremacia masculina.”

A proposta sugere que quem praticar, induzir ou incitar a misoginia terá como pena a reclusão de um a três anos e multa.  Atenta ao avanço do discurso misógino na internet, a deputada mineira propôs ainda que, se qualquer dos crimes previstos no PL for cometido por intermédio dos meios de comunicação social, de publicação em redes sociais, na internet ou de publicação de qualquer natureza, ou praticado com intuito de lucro ou de proveito econômico, a pena será de dois a cinco anos mais multa.

O PL pretende alterar a Lei 7716/1989, que “define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.” para incluir e tipificar a misoginia. O texto está parado na Câmara, e apresenta status de “Apensado ao PL 8992/2017 – Pronto para Pauta no Plenário (PLEN).”

Na justificativa do texto, a autora explica que a ideia surgiu a partir da Ideia Legislativa, de autoria da pesquisadora Valeska Maria Zanello de Loyola, apresentada junto ao Senado Federal, que sugeriu: “Criminalização da misoginia – Seguindo a tipificação do racismo, da homofobia e da transfobia como crime, proponho que a MISOGINIA seja incluída neste grupo”.

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Em entrevista à Agência Câmaraa parlamentar  explicou um pouco mais sobre o projeto. Segundo ela, atualmente a misoginia ganha nova roupagem na internet. “Conhecidos como Red Pill, uma vertente dos ‘masculinistas’, que se opõem às feministas, incentivam a misoginia por meio de um discurso que inverte a realidade e os coloca como vítimas de um sistema que estaria privilegiando as mulheres”, aponta a autora.

“Mesmo sendo notório que o machismo estrutural é histórico e global e que impõe desigualdade às mulheres há séculos, o movimento alega ser prejudicado pelo ‘tratamento privilegiado para a população feminina’ no mundo atual e, não raro, invocam desprezo, uma postura adversarial ou distanciamento de mulheres”, afirma.

Machosfera virtual é campo vasto para disseminação da misoginia

As arenas virtuais são tidas como ‘terra de ninguém’, pois não há uma regulação contra ofensas e crimes praticados contra as mulheres, de modo que elas seguem desamparadas no ambiente virtual, onde, comprovadamente, há um ecossistema muito bem estruturado para promover ofensas e violências misóginas. É o que ficou comprovado, no ano passado, com o relatório “Aprenda a evitar ‘este tipo’ de mulher: estratégias discursivas e monetização da misoginia no YouTube”.

Realizado pelo Observatório da Indústria da Desinformação e Violência de Gênero nas Plataformas Digitais, uma parceria do Ministério das Mulheres com o NetLab UFRJ, o levantamento analisou computacionalmente 76,3 mil vídeos para traçar um panorama da chamada “machosfera”, rede de influenciadores e comunidades digitais masculinistas. Os vídeos analisados somam mais de 4 bilhões de visualizações e 23 milhões de comentários. A análise dos vídeos considerados misóginos lança luz a discursos nocivos que contribuem para naturalizar comportamentos como o ódio, o desprezo, a aversão e o controle das mulheres.

O estudo ainda observou de maneira qualitativa os vídeos de 137 canais com conteúdos explicitamente misóginos. Juntos, eles publicaram, nos últimos seis anos, mais de 105 mil vídeos. Em média, têm 152 mil inscritos e somam 3,9 bilhões de visualizações em seus conteúdos, evidenciando a relevância desse ecossistema tóxico no ambiente digital.

A busca por expressões e canais problemáticos no YouTube levou a 76,3 mil vídeos, que compuseram o corpus de análise geral da pesquisa. Nos últimos anos, houve um crescimento expressivo da “machosfera” e do volume de conteúdos potencialmente misóginos no YouTube.

Entre 2021 e 2024, o volume de vídeos mapeados pelo estudo aumentou drasticamente. Neste mesmo período, o número de feminicídios no Brasil também cresceu: em 2021, foram registrados 1.347 mortes de mulheres em função do seu gênero. Em 2023, o número de vítimas foi de 1.463. O número de casos de violência doméstica e familiar também aumentou quase 10% entre 2022 e 2023.

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Vale relembrar que, em janeiro deste ano, a Meta – que controla o Facebook, a Instagram e o Threads – anunciou mudanças na política de moderação que retiraram o sistema de checagem de fatos e também proteções contra diversos tipos de discriminação que podem aparecer no conteúdo de posts. Sob a pretensa justificativa de defesa da liberdade de expressão, a Meta passou a permitir uma série de termos misóginos e ofensivos, como termos que se referem a mulheres de maneira objetificada como ‘isso’ ou ‘aquilo’.


Fonte: PT

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1 comentário

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  1. axppt

    07/07/2025 em 02:50

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Congresso Nacional

Emendas parlamentares consomem quase 80% da verba livre de ministérios em 2025

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Fatia do Orçamento controlada por deputados e senadores atingiu nível recorde, drenando recursos que seriam destinados a investimentos diretos do Governo Federal

Em 2025, o avanço do Congresso Nacional sobre o Orçamento da União atingiu um patamar histórico, comprometendo a capacidade de planejamento do Poder Executivo. Dados oficiais revelam que as emendas parlamentares chegaram a consumir até 78,9% da verba discricionária (recursos destinados a investimentos e custeio, que não incluem salários e gastos obrigatórios) de pastas estratégicas. O Ministério do Turismo e o Ministério do Esporte lideram o ranking de dependência, com a maior parte de seus orçamentos livres sendo direcionada por indicações de deputados e senadores.

O fenômeno reflete uma mudança estrutural na política brasileira, onde o Legislativo passou a deter o controle de fatias cada vez maiores do tesouro nacional. Se em 2015 as emendas representavam apenas 2,5% do orçamento discricionário total do Executivo, em 2025 esse percentual saltou para 21,9%. Esse cenário gera um debate intenso sobre a separação de Poderes e a transparência no uso desses recursos, especialmente após operações da Polícia Federal investigarem desvios em projetos financiados por essas verbas.

Ministérios sob maior domínio do Congresso

A tabela abaixo detalha as pastas onde os parlamentares detêm o maior controle sobre os recursos de investimento:

Ministério % da Verba Discricionária por Emendas Principais Destinos
Turismo 78,9% Apoio a eventos (como o Carnaval), obras e pontos turísticos.
Esporte 65,2% Projetos sociais de futebol, construção de ginásios e e-sports.
Saúde ~40% Custeio de hospitais, ambulatórios e secretarias locais.

Impacto na Saúde e no Planejamento Federal

Embora Turismo e Esporte tenham os maiores percentuais relativos, o Ministério da Saúde é o que executa o maior volume financeiro absoluto. Em 2025, dos R$ 47,3 bilhões empenhados pela pasta, mais de R$ 25,7 bilhões foram definidos pelo Congresso. Especialistas alertam que essa descentralização excessiva dificulta a criação de políticas nacionais unificadas, uma vez que o recurso acaba fragmentado em milhares de pequenas obras e convênios locais que nem sempre priorizam as necessidades técnicas mais urgentes do SUS.

O debate no STF e o Orçamento 2026

O futuro dessa dinâmica está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino é o relator de uma ação que questiona a impositividade das emendas e exige regras mais rígidas de transparência. Enquanto isso, para o ano de 2026, o Congresso já aprovou um montante superior a R$ 61 bilhões em emendas parlamentares. O governo Lula enfrenta o dilema de manter o apoio da base aliada do “Centrão”, que comanda essas pastas, ou tentar recuperar o controle do Orçamento para viabilizar as promessas de campanha e grandes obras de infraestrutura federal.


Com informações: Folhapress e ICL Notícias

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Brasil

Lula sanciona Orçamento de 2026 com 26 vetos e fixa salário mínimo em R$ 1.621

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Texto aprovado pelo Congresso prevê gastos de R$ 6,5 trilhões e destina R$ 61 bilhões para emendas parlamentares

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Orçamentária para o ano de 2026 com 26 vetos em trechos considerados inviáveis pelo Executivo. O documento, publicado no Diário Oficial da União, estabelece um orçamento total de R$ 6,5 trilhões, sendo que uma parcela significativa de 28% será direcionada ao pagamento de juros da dívida pública. Entre as definições mais aguardadas, o novo valor do salário mínimo foi fixado em R$ 1.621, seguindo as regras de valorização e correção pela inflação.

No campo das metas fiscais, o governo trabalha com uma previsão de superávit primário de R$ 34,26 bilhões, embora o arcabouço fiscal permita um déficit de até R$ 6,75 bilhões sem que a meta seja considerada descumprida. Para garantir a execução de obras estruturantes, o governo poderá investir até R$ 5 bilhões no Novo PAC sem que esses valores sejam contabilizados no cálculo do déficit primário.

Distribuição de Recursos e Emendas

O orçamento de 2026 mantém um volume expressivo de recursos para o Legislativo, distribuídos da seguinte forma:

  • Emendas Parlamentares: O total chega a R$ 61 bilhões.

  • Emendas Impositivas: R$ 37,8 bilhões têm pagamento obrigatório.

  • Individuais e Bancada: R$ 26,6 bilhões para indicações de deputados e senadores, e R$ 11,2 bilhões para bancadas estaduais.

Principais Vetos Presidenciais

Lula barrou pontos que aumentariam a rigidez orçamentária ou facilitariam gastos sem planejamento técnico. Os destaques dos vetos incluem:

  1. Fundo Partidário: Foi vetado o aumento do valor destinado ao financiamento das legendas, sob a justificativa de preservação do orçamento da Justiça Eleitoral.

  2. Licenciamento Ambiental: O presidente vetou o pagamento de emendas para obras que não possuam licença ambiental prévia ou projetos de engenharia aprovados.

  3. Restos a Pagar: Foi barrada a tentativa de liberar verbas de emendas não pagas entre os anos de 2019 e 2023.

  4. Contingenciamento: Lula rejeitou a proibição de bloqueio de verbas para áreas como agências reguladoras e defesa agropecuária, visando manter a flexibilidade na gestão das contas públicas.

Resumo das Metas e Valores (2026)

Indicador Valor / Meta
Orçamento Total R$ 6,5 trilhões
Salário Mínimo R$ 1.621
Juros da Dívida R$ 1,82 trilhão
Meta de Superávit R$ 34,26 bilhões
Déficit Máximo Permitido R$ 6,75 bilhões

Com informações: Agência Brasil e ICL Notícias

 

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Congresso Nacional

Ministro Flávio Dino suspende tentativa do Congresso de ressuscitar orçamento secreto

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Decisão liminar barra trecho de projeto de lei que liberava R$ 1,9 bilhão em emendas antigas, alegando inconstitucionalidade e falta de transparência

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu neste domingo (21) um dispositivo aprovado pelo Congresso Nacional que permitia o pagamento de emendas parlamentares de anos anteriores, incluindo o extinto “orçamento secreto”. A decisão atende a um pedido da Rede Sustentabilidade e de deputados do PSOL, que argumentaram que a medida tentava validar gastos julgados inconstitucionais pela Corte em 2022.

O trecho suspenso havia sido inserido “de carona” em um projeto de lei voltado ao aumento da arrecadação, que trata da tributação de casas de apostas (bets) e benefícios fiscais. Segundo Dino, a proposta buscava ressuscitar uma modalidade de emenda que fere o princípio da transparência e da responsabilidade fiscal, ao tentar reativar recursos que já haviam sido cancelados e estavam fora do ciclo orçamentário regular.

Impacto financeiro e político

A estimativa é que o dispositivo liberaria cerca de R$ 1,9 bilhão, sendo R$ 1 bilhão oriundo especificamente do antigo orçamento secreto (RP9). O ministro destacou que a revalidação desses valores equivale à criação de novos gastos sem o devido lastro na lei orçamentária vigente, o que comprometeria o equilíbrio das contas públicas previsto para 2026.

Próximos passos judiciais

Apesar da suspensão desse artigo específico, o restante do projeto de lei que aumenta impostos para equilibrar o orçamento continua válido e segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o dia 12 de janeiro.

  • Efeito Suspensivo: A decisão de Dino permanece em vigor mesmo se o presidente sancionar o texto.

  • Julgamento no Plenário: A liminar precisará ser referendada pelos demais ministros do STF após o fim do recesso judiciário, em fevereiro de 2026.

  • Plantão do STF: Durante o mês de janeiro, o controle das decisões urgentes ficará sob a responsabilidade dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes.


Com informações: Brasil de Fato e ICL Notícias.

 

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