Pesquisa genética analisou a espanhola Maria Branyas Morera, a pessoa mais velha do mundo até agosto de 2024, identificando variantes que a protegiam de doenças crônicas, aliadas a hábitos como a dieta mediterrânea e caminhadas diárias
Uma pesquisa científica internacional lançou dados sobre os fatores genéticos e de estilo de vida que permitiram a Maria Branyas Morera, uma mulher espanhola que viveu até os 117 anos, atingir a longevidade extrema. O estudo detalhado do genoma da supercentenária apontou que a saúde na velhice resulta de uma combinação favorável de predisposição genética com a manutenção de hábitos simples e saudáveis.
A investigação, publicada na revista científica Cell Reports Medicine, comparou amostras biológicas de Maria Branyas (sangue, saliva, urina e fezes) com o DNA de 75 outras mulheres na Península Ibérica. Os achados reforçam a ideia de que a longevidade recorde é multifatorial.
Genética Protetora e Hábitos Simples
Os pesquisadores, liderados por Manel Esteller do Instituto Josep Carreras, em Barcelona, concluíram que a longevidade da espanhola se deve a dois componentes principais:
- Predisposição Genética Rara: A análise identificou variantes genéticas que parecem ter fornecido proteção significativa contra doenças comuns do envelhecimento, como enfermidades cardíacas, disfunções cognitivas e distúrbios metabólicos. As variações estão ligadas a uma melhor função imunológica e a uma maior eficiência no metabolismo de gorduras.
- Estilo de Vida Equilibrado: Além da sorte genética, Branyas manteve um estilo de vida que minimizou riscos de saúde. A rotina era marcada pela dieta mediterrânea e pela ausência de hábitos nocivos como consumo de álcool e tabaco.
Um dos hábitos que chamou a atenção foi o consumo de três porções diárias de iogurte. Os cientistas notaram que essa prática pode ter contribuído para a preservação de um microbioma intestinal com características semelhantes às de pessoas significativamente mais jovens.
A rotina de exercícios também foi um ponto relevante. Branyas manteve-se ativa, caminhando cerca de uma hora por dia até uma idade avançada, um fator que é constantemente associado à manutenção da saúde física e cerebral na terceira idade.
Implicações para o Envelhecimento Saudável
Os especialistas afirmam que o estudo de indivíduos como Maria Branyas Morera é fundamental para a ciência da longevidade. Os achados sugerem que uma saúde debilitada na velhice não é um destino inevitável, mas o resultado de mecanismos biológicos que podem ser modificados.
Claire Steves, professora de envelhecimento do King’s College London, comentou que, embora estudos de caso único exijam cautela na interpretação dos dados, a pesquisa é valiosa. A meta científica, segundo Steves, não é necessariamente levar a população a viver até os 117 anos, mas sim “reduzir o tempo em que estamos doentes e sofrendo ao máximo possível”. A supercentenária, nesse sentido, é um exemplo de envelhecimento saudável, vivendo por muito tempo com qualidade de vida preservada.
A expectativa dos cientistas é que a identificação detalhada dos genes e proteínas que favoreceram a longevidade de Branyas possa, futuramente, auxiliar no desenvolvimento de medicamentos e intervenções que promovam um envelhecimento com menos doenças para a população geral.
Com informações: Cell Reports Medicine / ICL Notícias