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Sociedade

Tecnofeudalismo e a precarização do trabalho na nova economia digital

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Artigo analisa como a algoritmização e a financeirização reconstruíram o capitalismo pós-moderno, transformando trabalhadores em ciberproletários sem direitos

O capitalismo contemporâneo passa por uma reestruturação profunda impulsionada pelo uso massivo de algoritmos e pela inteligência artificial. Segundo o economista Herbert Salles, essa “Economia Digital” não apenas altera os modos de produção, mas ressignifica a própria classe trabalhadora, agora vista como um ciberproletariado dependente de plataformas globais. Este novo cenário é marcado pelo conceito de tecnofeudalismo, onde as grandes empresas de tecnologia (Big Techs) ocupam o papel de “senhores de neofeudos” virtuais, extraindo valor não apenas do trabalho, mas dos dados e dos bens pessoais dos indivíduos.

A análise destaca que a financeirização e a algoritmização caminham juntas para concentrar renda em oligopólios sistêmicos. No topo de uma hierarquia improdutiva, donos de grandes capitais utilizam influência política para impedir regulações e garantir o acesso a recursos públicos. Na base dessa cadeia, o trabalhador algoritmizado divide seus custos de produção com as plataformas e aceita uma renda variável que substitui o salário tradicional, esvaziando direitos fundamentais como férias, previdência e segurança laboral.

Estruturas e impactos do capitalismo algoritmizado

O rearranjo social promovido pelas tecnologias digitais redefine as relações de poder e exploração:

  • Capital-Nuvem: Espaços virtuais administrados por algoritmos que funcionam como os antigos feudos, onde o comércio e a interação humana são mediadas e taxadas pelos donos das plataformas.

  • Ciberproletariado: Trabalhadores que utilizam seus próprios bens (carros, imóveis, equipamentos) para prestar serviços, enquanto o lucro real é drenado pelo sistema algoritmizado.

  • Poder de Extravio: Uso de coação (ameaça de desligamento), influência política e soft power (persuasão e gamificação) para manter o controle sobre a força de trabalho.

  • Capitalismo de Vigilância: A coleta e catalogação de dados pessoais para moldar o consumo e eliminar a privacidade em favor da maximização do lucro empresarial.

O papel da economia política na atualidade

Compreender o cenário atual sob a ótica da Economia Política é essencial para resgatar as pautas da classe trabalhadora. O capitalismo na era digital amplifica sua estrutura de exploração ao usufruir de meios de produção terceirizados sem a necessidade de adquiri-los. Enquanto grupos de influência política barram legislações protetivas, os lucros das Big Techs exacerbam-se à custa da precarização laboral. A luta por garantias de direitos e por um trabalho digno torna-se, portanto, um desafio central para enfrentar as novas engrenagens do mercado financeirizado.


Com informações: Diplomatique

 

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Distrito Federal

Mulheres da Colmeia lançam livro autobiográfico com apoio do MPDFT

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“Além das Grades, Dentro de Mim” reúne relatos de 19 internas da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, em um esforço de ressocialização pela escrita.

O sistema prisional do Distrito Federal acaba de ganhar uma obra que rompe o silêncio das celas para humanizar os processos judiciais. O livro “Além das Grades, Dentro de Mim: Relatos Autobiográficos de Mulheres na Prisão” foi lançado oficialmente como resultado do projeto “(Re)escrevendo Vidas: Vozes Femininas no Cárcere”. A iniciativa, promovida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em parceria com a Penitenciária Feminina (PFDF) e o Centro Educacional 01 (CED 01), propõe que a literatura seja uma ferramenta de reinvenção pessoal.

Para as 19 internas selecionadas, o projeto não foi apenas um exercício de redação, mas um processo terapêutico e reflexivo. Orientadas por professoras e inspiradas por obras de mulheres resilientes, como Viola Davis, elas mergulharam em suas próprias memórias para construir os quatro capítulos da obra: o mundo que as formou, o que as fragilizou, o que as aprisionou e o mundo que hoje as refaz. Como escreveu a interna Mayara B.: “Nunca é tarde para recomeçar”.

Segundo a promotora de justiça Raquel Tiveron, coordenadora do Nupri, a obra é fundamental para que os operadores do Direito e a sociedade enxerguem além dos autos. “A leitura nos tira da frieza do processo e nos apresenta o lado humano”, destacou. O projeto, que foca na justiça ambiental e social dentro do sistema carcerário, foi premiado em 2025 por sua proposta inovadora de inclusão e fortalecimento da autoestima.

A Estrutura da Obra e o Processo Criativo

O livro foi cuidadosamente editado para refletir a complexidade das trajetórias dessas mulheres, sem romantizar o crime, mas reconhecendo a humanidade ferida.

  • Temas Centrais: Infâncias marcadas pela pobreza, violência doméstica, abandono e o impacto devastador da dependência química.

  • Oficinas Pedagógicas: Encontros conduzidos pelas professoras Valdiceli Rocha e Márcia Daniela Fernandes, focados em escuta ativa e respeito.

  • Objetivo Social: Ressignificar o passado para projetar um futuro de liberdade com vínculos familiares e sociais restabelecidos.

  • Inovação: O projeto foi selecionado pelo Edital de Inovação Institucional do MPDFT (2025).

A educação e a cultura dentro das unidades prisionais, como a “Colmeia” (PFDF), são pilares essenciais para reduzir a reincidência e promover a verdadeira ressocialização no DF.


Com informações: MPDFT

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Meio Ambiente

Como os veículos elétricos podem salvar a rede elétrica e reduzir sua conta de luz

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Algoritmos de carregamento inteligente e tecnologia V2G transformam carros parados em “baterias gigantes” para evitar colapsos no sistema de energia

A transição global para a eletrificação — com a substituição de fogões a gás por indução e carros a combustão por elétricos — impõe um desafio sem precedentes às concessionárias de energia. O aumento do consumo residencial, especialmente no início da noite, ameaça sobrecarregar redes elétricas já deficientes. No entanto, um novo relatório do Brattle Group revela que os veículos elétricos (VEs), antes vistos como um fardo para o sistema, podem ser a solução para estabilizar a rede e economizar bilhões de dólares em infraestrutura.

A estratégia central é o carregamento gerenciado ativo. Em vez de todos os proprietários carregarem seus carros assim que chegam em casa, algoritmos distribuem a demanda ao longo da madrugada. No estado de Washington, esse modelo economizou até US$ 400 por veículo anualmente para os motoristas, garantindo que a bateria estivesse cheia pela manhã. Além disso, a tecnologia V2G (veículo-para-rede) permite que os carros enviem energia de volta para a rede durante picos de demanda, funcionando como uma reserva estratégica que pode adiar atualizações caras no sistema por até uma década.

Inovações no gerenciamento de energia

O setor de utilidade pública está adotando duas abordagens principais para equilibrar a carga:

  • Tarifas por Tempo de Uso: Concessionárias cobram mais caro entre 16h e 21h e reduzem os preços após as 21h para incentivar o consumo noturno.

  • Carregamento Ativo: Aplicativos aprendem a rotina do motorista e iniciam a recarga apenas nos horários de menor estresse da rede, evitando picos súbitos.

  • Tecnologia V2G: Transforma frotas de veículos (como ônibus escolares) em fontes de energia de reserva, reduzindo a necessidade de construir usinas caras.

  • Economia Escalonada: O gerenciamento permite que a rede acomode o dobro de VEs antes de precisar de reformas estruturais, poupando o bolso do contribuinte.

O “balé” das baterias e o futuro da rede

O grande avanço esperado para 2026 é a integração total entre o carregamento inteligente e o fornecimento de energia para as casas. O sistema decide, de forma autônoma, descarregar uma pequena parte da bateria do carro às 18h para alimentar a residência e recarregá-la às 3h da manhã, quando a energia é abundante e barata. Esse ciclo não apenas reduz a conta de luz individual, mas retira a pressão sobre os transformadores de bairro, garantindo a estabilidade do fornecimento para toda a comunidade.


Com informações: Grist e Brattle Group

 

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Brasil

Receita Federal desmente boatos sobre taxação e monitoramento de transações via Pix

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Órgão reitera que não existe tributação sobre o meio de pagamento e alerta que desinformação nas redes sociais favorece a prática de golpes financeiros

A Receita Federal emitiu uma nota oficial nesta quarta-feira (14) para negar, mais uma vez, informações falsas que circulam nas redes sociais sobre um suposto monitoramento do Pix para cobrança de impostos. Segundo o órgão, o Pix é apenas um meio de pagamento e não gera, por si só, qualquer tributo. As mensagens alarmistas que mencionam uma “taxa do Pix” ou fiscalização de transferências individuais foram classificadas como completamente falsas e inconstitucionais. O Fisco destacou que esses boatos têm ganhado força após publicações de figuras políticas, visando gerar pânico financeiro e enfraquecer a confiança no sistema bancário nacional.

O esclarecimento técnico foca na Instrução Normativa nº 2.278, frequentemente distorcida em vídeos e posts. De acordo com a Receita, a norma não autoriza o rastreamento de gastos individuais, mas apenas estende às fintechs as mesmas obrigações de transparência já aplicadas aos bancos tradicionais desde 2015. O objetivo é fortalecer o combate à lavagem de dinheiro e à ocultação de patrimônio por organizações criminosas, sem acesso a valores, origem ou natureza dos gastos dos cidadãos. O órgão reforçou que a disseminação dessas notícias atende a interesses criminosos e de quem lucra com o engajamento gerado por desinformação.

Entenda o que é verdade e o que é falso

O Fisco detalhou os principais pontos de confusão gerados pelas redes sociais:

  • Taxação do Pix: Falso. Não existe imposto sobre transferências via Pix nem previsão legal para sua criação.

  • Monitoramento Individual: Falso. A Receita não tem acesso aos detalhes de quem você paga ou onde gasta seu dinheiro via Pix.

  • Instrução Normativa nº 2.278: Verdadeiro. Ela apenas iguala fintechs aos bancos tradicionais em regras de transparência contra o crime organizado.

  • Isenção do Imposto de Renda: Verdadeiro. Desde janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5 mil mensais está isento do IR, sem qualquer relação com o Pix.

Como evitar cair em golpes e notícias falsas

A Receita Federal alerta que o clima de incerteza criado por esses boatos facilita a ação de estelionatários:

  1. Desconfie de Alertas: Mensagens de “regularização de Pix” ou cobrança de taxas enviadas por WhatsApp ou e-mail são tentativas de golpe.

  2. Cheque a Fonte: Procure informações apenas nos canais oficiais do governo (.gov.br) ou em veículos de imprensa profissional.

  3. Não Compartilhe: Evite repassar conteúdos alarmistas que não possuam base técnica ou confirmação oficial.

  4. Proteja seus Dados: A Receita nunca solicita dados pessoais ou pagamentos imediatos através de links em redes sociais.


Com informações: Agência Brasil

 

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