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Saúde

Risco Cardiovascular em mulheres é 7 vezes maior do que por câncer de mama

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Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte feminina no Brasil, matando 1 em cada 3 mulheres. O risco é 7 vezes maior que o do câncer de mama devido a fatores específicos, desigualdade no diagnóstico e menos acesso à reabilitação cardíaca

Embora as doenças do coração sejam frequentemente associadas a homens, elas representam a principal causa de óbito feminino no Brasil. A cardiologista Dra. Ieda Jatene, do Hcor, alerta que, enquanto o câncer de mama causa uma vítima fatal a cada 30 diagnósticos, os problemas cardiovasculares e o AVC matam uma em cada três mulheres anualmente, tornando o risco sete vezes maior.

No Brasil, duas mulheres morrem a cada 12 minutos por alguma condição cardíaca, um índice que a especialista classifica como alarmante e prevenível.

Fatores de Risco Mais Amplos e Desigualdade

O coração das mulheres é afetado por um leque maior de fatores de risco, divididos em três grupos:

  1. Fatores bem-estabelecidos: Colesterol alto, sedentarismo e má alimentação.
  2. Fatores específicos: Diabete e hipertensão desenvolvidas durante a gravidez e a menopausa.
  3. Fatores sub-reconhecidos: Questões socioeconômicas, ambientais e psicológicas.

Além disso, as mulheres são mais vulneráveis mesmo aos fatores tradicionais. A Dra. Jatene revela que, em um grupo de diabéticos, as mulheres apresentaram uma chance 29% maior de infarto agudo e 44% maior de doença coronária do que os homens na mesma condição.

Desafio do Diagnóstico e o Aumento em Jovens

Outro grande desafio é o diagnóstico desigual. Estudos indicam que as mulheres têm menos acesso a testes diagnósticos e reabilitação cardíaca, recebem menos intervenções como revascularizações e, consequentemente, têm taxas mais altas de mortalidade e pior recuperação após um evento cardíaco.

O problema também não é restrito à idade avançada: entre 2019 e 2021, a incidência de infarto em mulheres entre 20 e 29 anos aumentou 23%, e subiu 38% na faixa etária entre 30 e 39 anos.

A Força da Prevenção e do Check-up

A principal forma de combate é a prevenção e o check-up cardiológico. A avaliação médica deve incluir exames como eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma, exames de sangue e teste ergométrico.

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A recomendação geral é que o check-up anual seja realizado a partir dos 40 anos, ou antes, caso haja histórico familiar ou queixas. Além do acompanhamento médico, a especialista reforça:

  • Atividade Física: Dedicar ao menos 150 minutos por semana a exercícios de intensidade moderada.
  • Hábitos saudáveis: Alimentação equilibrada e cessação do tabagismo são medidas comprovadas para reduzir as chances de complicações.

Com informações: Hcor

Saúde

Alerta: AVC mata um brasileiro a cada 15 minutos neste início de 2026

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Somente na primeira semana de janeiro, 656 pessoas perderam a vida devido à doença no país; incidência em jovens preocupa especialistas, que reforçam a importância do socorro imediato

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) segue como a principal causa de morte no Brasil, superando inclusive os óbitos por infarto. Dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil revelam um cenário alarmante: entre os dias 1º e 7 de janeiro de 2026, o país registrou 656 mortes por AVC — uma média de um óbito a cada 15 minutos.

O número é 27% superior às mortes por infarto no mesmo período (516). Essa tendência de letalidade do AVC já vinha se consolidando nos últimos anos, com 85.793 mortes em 2024 e mais de 64 mil registros apenas até outubro de 2025. Segundo a Rede Brasil AVC, o problema tem atingido cada vez mais jovens, que muitas vezes ignoram os fatores de risco por acreditarem estar imunes.

Identificando o AVC: O tempo é cérebro

A rapidez no atendimento é o fator que define se o paciente terá uma recuperação plena ou sequelas permanentes. A Dra. Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, reforça que o uso da técnica SAMU (Sorriso, Abraço, Música e Urgência) pode salvar vidas:

  • S (Sorriso): Peça para a pessoa sorrir. Veja se um lado do rosto não se mexe.

  • A (Abraço): Peça para levantar os braços. Verifique se há perda de força em um dos lados.

  • M (Música/Mensagem): Peça para repetir uma frase simples. Note se a fala está enrolada ou confusa.

  • U (Urgência): Se notar qualquer um desses sinais, ligue para o 192 imediatamente.

[Image showing an infographic of the FAST/SAMU method to identify stroke symptoms]

Tipos e Sequelas

O AVC pode ser Isquêmico (85% dos casos, causado por obstrução de vaso) ou Hemorrágico (rompimento de vaso). As sequelas dependem da área do cérebro afetada, mas as mais comuns incluem:

  • Paralisia ou fraqueza em um lado do corpo (rosto, braço ou perna);

  • Dificuldade de fala e compreensão;

  • Perda de visão ou memória;

  • Tontura e falta de equilíbrio.

Recuperação e Prevenção

A reabilitação deve começar nas primeiras 24 a 48 horas ainda no hospital, com fisioterapia e fonoaudiologia. No entanto, a prevenção primária e secundária (para evitar um segundo evento) é o caminho mais eficaz. A meta é manter a pressão arterial abaixo de 13/8, o colesterol LDL abaixo de 70 e a glicose controlada.

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Mudar hábitos pode prevenir até 90% dos casos:

  1. Parar de fumar e reduzir o consumo de álcool;

  2. Praticar atividade física regularmente;

  3. Manter uma alimentação saudável, com baixo teor de sal e gordura.

Sobre a Rede Brasil AVC

Fundada em 2008, a ONG trabalha para melhorar a assistência, pesquisa e educação sobre a doença no Brasil. Para mais informações e materiais educativos, acesse: www.redebrasilavc.org.br.


Com informações: Rede Brasil AVC, Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil

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Saúde

Por que o peso volta? A ciência explica a biologia do “efeito sanfona”

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Especialista em contorno corporal, Dr. Ezio Carneiro Junior, detalha como o cérebro e os hormônios interpretam o emagrecimento como uma ameaça, ativando mecanismos para recuperar a gordura perdida.

Para muitos, o reganho de peso é visto como uma falha de caráter ou falta de disciplina. No entanto, evidências científicas robustas mostram que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante. Segundo o Dr. Ezio Carneiro Junior, o corpo humano possui mecanismos de defesa biológica programados para proteger nossas reservas de energia, dificultando a manutenção do peso após o emagrecimento.

Quando perdemos peso, o organismo não entende isso como um benefício estético ou de saúde, mas como um estado de inanição ou ameaça à sobrevivência. Para “salvar” o indivíduo, o corpo ativa o que a ciência chama de adaptação metabólica.

O comando central: O Hipotálamo

O controle do peso é regulado pelo hipotálamo, região do cérebro que integra sinais de fome e saciedade. Após a perda de peso, o hipotálamo altera a sinalização neural:

  • Neurônios Orexigênicos: São ativados, disparando uma fome persistente.

  • Neurônios Anorexigênicos: São inibidos, reduzindo a sensação de satisfação após as refeições.

A guerra dos hormônios

Diversas substâncias químicas circulam no sangue para informar ao cérebro o estado das nossas reservas de energia. No emagrecimento, essa comunicação sofre alterações profundas:

  1. Leptina (O freio da fome): Produzida pela gordura, ela avisa que estamos saciados. Ao perder gordura, os níveis de leptina despencam, o que o cérebro interpreta como “estoque vazio”, aumentando o apetite e reduzindo o gasto de energia.

  2. Grelina (O acelerador da fome): Conhecida como o “hormônio da fome”, seus níveis sobem após a perda de peso, estimulando o desejo por alimentos calóricos (açúcares e gorduras).

  3. Hormônios Intestinais (GLP-1, PYY e CCK): Responsáveis pela saciedade pós-refeição, esses hormônios têm sua ação reduzida, fazendo com que a pessoa demore mais para se sentir cheia.

Termogênese Adaptativa: O metabolismo “econômico”

Outro obstáculo é a desaceleração metabólica. O Dr. Ezio explica que, após perder peso, o corpo passa a gastar menos calorias do que o esperado para aquele novo tamanho. O metabolismo torna-se extremamente eficiente em poupar energia. Na prática, se duas pessoas pesam 70kg, mas uma sempre pesou isso e a outra acabou de emagrecer vindo dos 100kg, a segunda precisará comer muito menos para manter o peso, pois seu corpo está em “modo econômico”.

O tecido adiposo “não esquece”

As células de gordura (adipócitos) não desaparecem com a dieta; elas apenas murcham. Elas permanecem no corpo como “balões vazios”, metabolicamente preparados para estocar gordura rapidamente assim que houver um aumento na ingestão calórica. Além disso, a inflamação crônica associada à obesidade interfere na sinalização correta desses hormônios, perpetuando o ciclo de reganho.

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O caminho para o tratamento eficaz

Entender que o reganho de peso tem base biológica retira o peso da culpa dos pacientes e reforça que soluções pontuais ou “dietas milagrosas” raramente funcionam a longo prazo. O tratamento moderno da obesidade em 2026 exige:

  • Acompanhamento contínuo: Por ser uma doença crônica, o cuidado não termina quando o peso alvo é atingido.

  • Terapias Farmacológicas: Uso de medicamentos que mimetizam hormônios de saciedade (como análogos de GLP-1) para silenciar a fome biológica.

  • Estilo de Vida Sustentável: Exercícios físicos que ajudem a combater a desaceleração metabólica e melhorem a sensibilidade hormonal.

  • Cirurgia Bariátrica e Contorno Corporal: Em casos indicados, como parte de um plano integrado de saúde global.


Com informações: Dr. Ezio Carneiro Junior, Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

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Comportamento

Depressão na adolescência: Isolamento e solidão pesam tanto quanto a tristeza, revela estudo

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Pesquisadores do Hospital Moinhos de Vento analisaram relatos de quase 900 jovens e apontam que os manuais de diagnóstico atuais capturam apenas uma fração da realidade vivida pelos adolescentes

A depressão na adolescência é um quadro muito mais complexo do que a simples tristeza profunda. Um estudo inédito conduzido pelo Hospital Moinhos de Vento, divulgado em 20 de janeiro de 2026, revela que sentimentos de isolamento social, solidão e raiva são pilares centrais da experiência dos jovens, embora muitas vezes sejam ignorados pelos critérios diagnósticos tradicionais (como o DSM e a CID).

A pesquisa, que analisou dados de 884 jovens entre 10 e 24 anos em 16 países, aponta um desalinhamento entre o que os médicos buscam e o que os adolescentes sentem. Enquanto a tristeza foi identificada em 92,3% dos casos, o isolamento social (78,9%) e a solidão (69,2%) apareceram com frequências quase tão altas, configurando-se como “barreiras invisíveis” entre o jovem e o mundo.

A “Parede” entre o jovem e a realidade

Para o psiquiatra Christian Kieling, um dos autores do estudo, o tratamento focado apenas na tristeza ignora o sentimento de deslocamento relatado pelos jovens. Muitos descrevem a sensação de estarem “separados do mundo”, como se houvesse uma parede de vidro impedindo a conexão com amigos e familiares.

A análise dividiu a experiência da depressão juvenil em três grandes temas:

  1. Dificuldade de Nomear: O uso de metáforas para explicar a sensação de “estranheza” ou desconexão.

  2. Contexto e Cultura: O impacto direto de fatores como bullying, pressão escolar, conflitos familiares e estereótipos de gênero.

  3. Barreiras ao Cuidado: O estigma social e a desconfiança em relação aos serviços de saúde mental.

Diagnóstico vs. Vivência

A psicóloga Anna Carolina Viduani, líder do estudo, reforça que a classificação tradicional de transtornos mentais captura apenas uma fração da dor adolescente. Para ela, é urgente que profissionais de saúde, educadores e pais incorporem as características relatadas pelos próprios jovens no processo de cuidado.

“Os adolescentes de hoje enfrentam contextos e desafios diferentes, como a hiperconectividade digital e novas pressões sociais, que precisam ser considerados no consultório”, observa Anna Carolina. O estudo sugere que, ao ignorar a raiva e a frustração — muitas vezes confundidas com “rebeldia típica” —, o sistema de saúde perde a chance de intervir precocemente em quadros depressivos graves.

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Como identificar e ajudar?

Para pais e responsáveis no Distrito Federal e no Entorno, o estudo serve como um guia para observar comportamentos que nem sempre parecem depressão, mas são gritos de ajuda:

  • Afastamento voluntário: Deixar de frequentar lugares ou grupos de amigos que antes eram prazerosos.

  • Irritabilidade constante: Explosões de raiva ou frustração diante de pequenos problemas.

  • Desânimo físico: Fadiga persistente e sensação de “corpo pesado”.

  • Sentimento de inutilidade: Comentários autodepreciativos frequentes.

Sobre o Hospital Moinhos de Vento

Referência nacional e internacional, o Hospital Moinhos de Vento é o único fora do eixo São Paulo a integrar o programa de elite do Ministério da Saúde (Proadi-SUS). O hospital é reconhecido por sua excelência em pesquisa e assistência, sendo eleito o terceiro melhor da América Latina em 2025.


Com informações: Hospital Moinhos de Vento, FSB Comunicação

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