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Geopolítica e Clima forçam transformação tributária: O imperativo da governança sustentável

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A advogada Bell Ivanesciuc analisa como a instabilidade global redefine o papel da tributação, que passa de mera arrecadação a instrumento estratégico para alinhar a economia brasileira a padrões internacionais de ESG. A especialista alerta que, sem segurança jurídica e políticas fiscais pró-sustentabilidade, o Brasil corre o risco de perder competitividade em um mercado crescentemente regulado por normas climáticas e fiscais globais

O cenário internacional entre 2023 e 2024, marcado por inflação, crises energéticas, reconfiguração geopolítica e pressões ambientais, exige uma nova abordagem da política tributária e da governança econômica. A advogada Bell Ivanesciuc, especialista em Direito Tributário e Governança Sustentável, destaca que essa conjuntura impõe desafios e oportunidades estratégicas ao Brasil.

“A economia mundial está sendo redesenhada por tensões geopolíticas, crises climáticas, escassez de insumos e disputas por cadeias de suprimentos. Esse ambiente gera incerteza regulatória e expõe a necessidade de sistemas tributários mais eficientes, transparentes e alinhados às metas internacionais de sustentabilidade.”

O Fim do Ciclo Comum: Falhas Estruturais na Governança Global

Ivanesciuc argumenta que a instabilidade atual do mercado internacional vai além de um ciclo econômico tradicional, sendo reflexo de falhas estruturais na governança global.

  • Redesenho da Economia: O ambiente de incerteza, alimentado por tensões geopolíticas e crises climáticas, expõe a necessidade de sistemas tributários mais eficientes e transparentes.

  • O Peso do ESG: Investidores e instituições financeiras agora vinculam recursos a critérios Ambientais, Sociais e de Governança (ESG). A especialista é enfática: “Não existe mais mercado sem ESG.”

Para o Brasil, a falta de políticas tributárias que estimulem práticas sustentáveis representa o risco iminente de perda de competitividade no mercado global.

“Não existe mais mercado sem ESG. Hoje, investimentos internacionais dependem de comprovação de sustentabilidade jurídica e ambiental. Para o Brasil, isso significa que políticas tributárias precisam estimular práticas sustentáveis e alinhar-se a padrões internacionais, sob pena de perder competitividade global.”

Tributação Sustentável: Ferramenta de Competitividade e Adaptação

A tributação evoluiu para se tornar um instrumento de política pública. No contexto de incerteza, elementos como tributos ambientais, créditos de carbono e incentivos à economia circular são cruciais para orientar o mercado e alinhar o país aos compromissos climáticos internacionais.

  • Integração Regulatória: A especialista defende que reformas estruturais sejam pensadas de forma integrada, considerando os compromissos climáticos e a segurança jurídica como fatores determinantes na atração de investimentos estrangeiros.

  • Direito Internacional como Guia: Normas internacionais, como as novas regulações de carbono na União Europeia e os padrões da OCDE contra a evasão fiscal, influenciam diretamente as políticas fiscais internas. “Direito Internacional e tributação caminham juntos” para garantir estabilidade e desenvolvimento sustentável.

“No contexto atual, tributos ambientais, créditos de carbono, regimes especiais para energia limpa e incentivos à economia circular são ferramentas essenciais. Eles orientam decisões de mercado e colocam o país na trilha dos compromissos internacionais.”

Risco e Oportunidade: O Caminho para a Liderança Brasileira

O Brasil possui um potencial extraordinário em bioeconomia, energia limpa e agricultura de baixo carbono. Contudo, Ivanesciuc adverte que esse potencial só se concretizará se houver governabilidade e credibilidade institucional.

“A economia global não está mais compartimentalizada. Direito Internacional e tributação caminham juntos para garantir desenvolvimento sustentável e estabilidade econômica. O Brasil precisa ajustar suas políticas para não ficar à margem dessa transformação.”

As lições do cenário global, segundo a especialista, são claras:

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  1. Segurança jurídica é pré-requisito para a segurança econômica.

  2. Sustentabilidade não é apenas um critério ambiental, mas um fator econômico que pode punir ou premiar países.

  3. A competitividade depende diretamente da integração internacional e do alinhamento a padrões globais de governança e tributação.

“O Brasil possui potencial extraordinário para liderar mercados sustentáveis: bioeconomia, energia limpa, agricultura de baixo carbono e crédito ambiental. Mas isso só se materializa com governança, segurança jurídica e políticas tributárias alinhadas à realidade internacional.”


Redação – Fato Novo

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China encerra 2025 com superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão e crescimento de 5%

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Apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos, a economia chinesa demonstra resiliência com foco em tecnologias verdes e expansão de mercados no Sul Global

A China concluiu o ano de 2025 consolidando sua posição como potência econômica resiliente, atingindo um superávit comercial histórico de US$ 1,2 trilhão. De acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas (NBS), o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu aproximadamente 5%, cumprindo a meta oficial estabelecida pelo governo. O resultado foi impulsionado pela rápida transição para setores de alta tecnologia, como veículos elétricos e energia limpa, que compensaram a desaceleração no mercado imobiliário e as barreiras comerciais impostas por Washington. Com exportações totais de US$ 3,77 trilhões, o país diversificou seus parceiros, ampliando a presença no Sudeste Asiático, África e América Latina.

O desempenho econômico reflete o encerramento bem-sucedido do 14º Plano Quinquenal (2021-2025). O modelo, coordenado pelo Partido Comunista Chinês (PCC), conseguiu manter a taxa de desemprego urbano estável em torno de 5% e promover um avanço de 6% na produção industrial. Além disso, o consumo interno mostrou vigor, com as vendas no varejo crescendo 4%, sustentadas por políticas de preservação de renda e fomento ao comércio eletrônico. Para o Brasil, a estabilidade chinesa garante a continuidade da demanda por commodities essenciais e abre novas frentes de cooperação tecnológica e energética.

Pilares do crescimento chinês em 2025

A estratégia de Pequim focou na autonomia tecnológica e na estabilidade social:

  • Indústria de Ponta: O crescimento de 6% foi liderado por manufatura avançada, baterias de lítio e tecnologias de descarbonização.

  • Diversificação Comercial: A queda nas vendas para os EUA foi superada pelo aumento das exportações para a Europa e países do Sul Global.

  • Segurança Social: O governo priorizou o apoio a pequenas e médias empresas, mantendo o desemprego sob controle e incentivando o turismo interno.

  • Planejamento Estatal: O cumprimento das metas do Plano Quinquenal reforçou a eficiência do modelo de “socialismo com características chinesas”.

Impactos para o Brasil e América Latina

O vigor da economia chinesa fortalece a parceria estratégica com os países latino-americanos:

Setor Beneficiado Impacto no Brasil
Commodities Manutenção da demanda recorde por soja, minério de ferro e petróleo.
Investimentos Previsibilidade para aportes em infraestrutura logística e energia renovável.
Tecnologia Oportunidades de cooperação em digitalização industrial e inovação verde.
Comércio Sul-Sul Consolidação da China como um parceiro confiável em oposição à volatilidade do Norte Global.

Com informações: Brasil de Fato e TV Brics

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O olhar de Sauron: a Palantir Technologies e a arquitetura da vigilância global

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Análise de Isabela Rocha traça paralelo entre os orbes mágicos de Tolkien e a empresa de Peter Thiel, revelando como o software reconfigura a soberania e a guerra

Em um ensaio profundo publicado no Le Monde Diplomatique Brasil, a cientista política Isabela Rocha utiliza a obra O Senhor dos Anéis como lente para examinar a ascensão da Palantir Technologies. No universo de J.R.R. Tolkien, as Palantír são pedras videntes que, embora não mintam, oferecem uma visão seletiva e perigosa, servindo a um único senhor: Sauron. Na realidade contemporânea, a empresa homônima, fundada por Peter Thiel — que despreza abertamente a deliberação democrática —, tornou-se o pilar técnico do complexo tecnológico-militar ocidental, integrando volumes massivos de dados para governos e agências de inteligência.

O texto destaca a presença da Palantir em cenários críticos: em Gaza, fornecendo infraestrutura para vigilância em larga escala e decisões militares em tempo real; nos EUA, auxiliando o ICE na priorização de deportações através da plataforma ImmigrationOS; e na OTAN, com o sistema de IA Maven Smart System. Rocha argumenta que o smartphone em nossos bolsos funciona como uma Palantir moderna: um objeto aparentemente neutro que nos permite ver o mundo, mas que observa, classifica e prevê nossos comportamentos enquanto o consultamos, alimentando uma lógica de governo algorítmico onde a política é substituída pelo cálculo de probabilidade.

A Palantir como instrumento de poder e controle

O simbolismo da empresa reflete sua inserção nos processos decisórios mais sensíveis do sistema internacional:

  • Visão Totalizante: Capacidade de integrar bases de dados dispersas e opacas para oferecer uma “verdade” operacional a soberanos e generais.

  • Perfilamento Político: Transformação da existência humana em hipóteses estatísticas, definindo quem é priorizado, vigiado ou bloqueado.

  • Gestão de Probabilidade: Substituição do consenso democrático por arquiteturas técnicas que ajustam o comportamento social via exposição algorítmica.

  • A Guerra como Dashboard: Transformação de conflitos e vidas humanas em variáveis ajustáveis dentro de fluxos de dados administráveis.

A infraestrutura do domínio Meta-Trumpista

Para a autora, a Palantir representa a evolução da geopolítica, onde o poder não reside mais apenas no território físico, mas na capacidade de organizar a realidade de forma legível e acionável à distância. O software atua como o arquiteto do poder invisível, mediando a forma como os Estados administram populações e fronteiras. Isabela Rocha conclui que tocar essa “pedra vidente” tecnológica não exige fidelidade, apenas dados. O uso contínuo fortalece um modelo que subordina a soberania humana à lógica de um sistema que enxerga mais longe e decide antes, operando sob a luz fria e violenta do cálculo.


Com informações: Diplomatique

 

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OMS alerta que 18.500 palestinos em Gaza precisam de transferência médica urgente

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Diretor-geral da organização destaca que cerca de 4 mil crianças aguardam remoção para tratar ferimentos graves e doenças como o câncer

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um apelo internacional nesta segunda-feira (12) pela evacuação médica de 18.500 palestinos da Faixa de Gaza. Segundo o dirigente, essas pessoas necessitam de atendimento especializado que não pode mais ser oferecido no enclave devido à destruição da infraestrutura de saúde. Entre os casos mais críticos estão 4 mil crianças que sofrem com traumas de guerra, câncer e outras patologias severas. Recentemente, a OMS conseguiu viabilizar a transferência de apenas 18 pacientes para a Jordânia, um número ínfimo diante da demanda reprimida.

Desde o início da escalada do conflito em outubro de 2023, aproximadamente 10.700 pessoas foram removidas para tratamento em mais de 30 países. No entanto, o cerco e as restrições impostas por Israel dificultam o fluxo de suprimentos e as evacuações. A situação é agravada pelo rigoroso inverno e por fortes chuvas que inundaram acampamentos improvisados, onde centenas de milhares de famílias deslocadas buscam refúgio em condições precárias. Grupos humanitários alertam que a falta de cobertores, tendas adequadas e a proibição de atuação de agências internacionais como o MSF estão tornando o território inabitável.

Crise humanitária e violações do cessar-fogo

Apesar de um acordo de cessar-fogo assinado em outubro do ano passado, a violência persiste na região:

  • Vítimas Recentes: Pelo menos 425 palestinos morreram em ataques israelenses desde a entrada em vigor do cessar-fogo de outubro.

  • Bloqueio de Ajuda: Israel tem limitado a entrada de ajuda humanitária e dificultado a operação de ONGs internacionais em Gaza.

  • Impacto Climático: Tempestades de inverno e inundações castigam refugiados que vivem em tendas sem isolamento térmico.

  • Déficit Médico: A OMS insiste que mais nações abram suas fronteiras para receber pacientes e que as transferências para a Cisjordânia sejam retomadas imediatamente.

O colapso do sistema de saúde

A infraestrutura hospitalar de Gaza está operando muito além de sua capacidade, com escassez de medicamentos básicos e energia. A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e outros observadores internacionais classificam os ataques contínuos a áreas de deslocados como crimes de guerra, argumentando que as ações visam desestruturar permanentemente a vida no território. Para a OMS, a transferência dos 18.500 pacientes não é apenas uma questão médica, mas um imperativo humanitário para evitar que milhares de mortes evitáveis ocorram nas próximas semanas em meio ao frio extremo.


Com informações: teleSur e Brasil de Fato

 

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