Após meio século, a NASA mobiliza o foguete mais poderoso da história para levar astronautas ao solo lunar; lançamento está previsto para fevereiro de 2026
A humanidade está a poucos passos de reviver a era das grandes explorações espaciais. A NASA anunciou que o foguete Artemis 2 Space Launch System (SLS) e a cápsula Orion iniciaram sua jornada definitiva rumo à plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O deslocamento da imponente estrutura de 5 milhões de quilos — que se move a uma velocidade lenta e constante de 1,6 km/h — marca o começo da fase operacional da missão que levará quatro astronautas para uma órbita lunar de dez dias.
Este voo é considerado um marco histórico e técnico. O SLS, com seus 65 metros de altura, é o foguete mais potente já construído, capaz de gerar um empuxo de 3,9 milhões de quilos para romper a gravidade terrestre. Diferente da missão Artemis 1, que foi um teste não tripulado, a Artemis 2 testará todos os sistemas de suporte à vida e comunicação com humanos a bordo, servindo como o ensaio final para a Artemis 3, que planeja o pouso efetivo na superfície lunar até 2028.
A segurança é a palavra de ordem nesta etapa. O lançamento, agora previsto para o início de fevereiro, ocorre com um atraso de 15 meses em relação ao cronograma original. A NASA justificou a espera pela necessidade de ajustes finos no escudo térmico e nos sistemas de energia da cápsula Orion. “A segurança da tripulação continuará sendo nossa principal prioridade em cada etapa”, afirmou Lori Glaze, administradora associada da agência, reforçando que o retorno à Lua não permite margens para erro.
A nova corrida espacial: EUA e China disputam o polo sul lunar
O lançamento da Artemis 2 não é apenas um feito científico, mas um movimento estratégico no tabuleiro geopolítico global. A NASA mantém o foco em garantir que os Estados Unidos cheguem primeiro ao polo sul lunar, uma região rica em gelo e recursos, antes da China. Pequim tem avançado rapidamente com suas missões robóticas em Marte e na Lua, além de já ter consolidado sua própria estação espacial, a Tiangong, em 2022.
O cronograma apertado da agência norte-americana reflete essa urgência. No final de janeiro, será realizado um ensaio geral completo, incluindo o abastecimento dos 2,6 milhões de litros de propelente criogênico e uma contagem regressiva simulada. Se todos os protocolos de segurança forem validados, a janela de lançamento de fevereiro será confirmada, encerrando um hiato de voos tripulados para as proximidades da Lua que dura desde 1972, com a missão Apollo 17.
Para os entusiastas e cientistas, a Artemis 2 representa o início de uma presença humana sustentável fora da Terra. A ideia é que a Lua sirva como um “posto avançado” e campo de testes para tecnologias que, futuramente, permitirão a viagem de humanos para Marte. O mundo estará com os olhos voltados para o céu nas próximas semanas, acompanhando o que pode ser o evento tecnológico mais importante da década.
Com informações: Live Science