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Ciência

Ciência descobre o SPARDA: O novo “kamikaze” genético que pode superar o CRISPR

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Cientistas revelam o funcionamento de um sistema de defesa bacteriana que, ao contrário do CRISPR, não exige sequências específicas para detectar vírus e bactérias

O mundo da biotecnologia acaba de ganhar um novo protagonista que promete revolucionar o campo da genética e dos diagnósticos médicos. Pesquisadores da Universidade de Vilnius, na Lituânia, publicaram na revista Cell Research avanços significativos sobre o SPARDA (Short Prokaryotic Argonaute, Associated with DNase). Enquanto o famoso CRISPR atua como uma “tesoura” precisa, o SPARDA utiliza uma estratégia “kamikaze”: ao detectar um invasor, ele destrói todo o DNA ao redor, sacrificando a célula infectada para salvar o restante da colônia bacteriana.

A grande inovação revelada pelo estudo, liderado pelo bioquímico Mindaugas Zaremba, foi a identificação de uma região de ativação chamada “beta-relay”. Utilizando a ferramenta de Inteligência Artificial AlphaFold, os cientistas descobriram que essa região funciona como um interruptor elétrico. Quando o sistema detecta DNA estranho (como de vírus ou plasmídeos), esses interruptores mudam de forma e as proteínas se alinham em longas cadeias espirais que trituram o material genético de forma implacável.

Por que o SPARDA pode ser melhor que o CRISPR nos diagnósticos?

Embora o CRISPR tenha ganhado o Prêmio Nobel e transformado a ciência, ele possui uma limitação técnica: só reconhece alvos que tenham uma sequência específica ao lado, chamada PAM (como um pino que precisa encaixar em uma tomada específica).

  • Adaptador Universal: O sistema SPARDA não requer uma sequência PAM. Isso significa que ele pode detectar qualquer trecho de DNA de um patógeno sem restrições.

  • Flexibilidade: Essa característica permite que o SPARDA atue como um “adaptador universal”, tornando os testes de diagnóstico (como para Gripe ou SARS-CoV-2) muito mais rápidos e precisos.

  • Relevância Científica: A descoberta de que o “beta-relay” é uma característica universal em proteínas semelhantes sugere que a natureza possui um arsenal de defesa muito mais vasto do que imaginávamos.


Com informações: Live Science / Cell Research Journal

 

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Ciência

Cientistas pedem socorro para salvar Floresta Petrificada de Altos no Piauí

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Abaixo-assinado com milhares de assinaturas exige criação de parque paleontológico e unidade de conservação para frear desmatamento e queimadas na região

Uma das maiores riquezas pré-históricas do Brasil, a Floresta Petrificada de Altos, localizada a apenas 50 quilômetros de Teresina, corre o risco de desaparecer antes mesmo de ser plenamente conhecida pela população. Pesquisadores e paleontólogos lançaram um alerta urgente sobre a degradação da área, que abriga troncos fósseis de mais de 250 milhões de anos. O local, que deveria ser um santuário científico, hoje sofre com o avanço do desmatamento, queimadas criminosas, produção clandestina de carvão e a criação irregular de animais, como porcos, que circulam livremente sobre o patrimônio milenar.

A Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) denunciou que a integridade do sítio foi severamente comprometida recentemente. De acordo com os especialistas, a abertura de uma estrada municipal já resultou na destruição de diversos troncos fossilizados. Além disso, existe o temor de que o licenciamento para uma nova linha de transmissão de energia cruze o território, agravando os danos. Embora o Ministério Público do Piauí tenha conseguido paralisar as obras da estrada, a ausência de uma vigilância permanente torna o local vulnerável a novas invasões e atividades predatórias.

Diante da inércia estatal, o professor Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), iniciou um abaixo-assinado que já conta com mais de 1.500 assinaturas. O documento exige que o governo federal e estadual estabeleçam uma unidade de conservação de proteção integral e um parque paleontológico. A proposta é transformar a área em um polo de turismo científico e desenvolvimento sustentável, gerando renda para a comunidade local enquanto se preserva um testemunho raro da Era Paleozoica, período anterior ao surgimento dos dinossauros.

No vídeo a seguir, conheça os detalhes científicos desses fósseis de coníferas e entenda por que a Floresta Petrificada de Altos é considerada um “arquivo vivo” das mudanças climáticas que ocorreram no planeta há milhões de anos.

O valor ecológico da região vai além dos fósseis. A área de Altos é um ecossistema rico, repleto de nascentes, matas de cocais e buritizais, funcionando como um importante refúgio para a biodiversidade da Caatinga. Os troncos fossilizados, alguns com quase dois metros de diâmetro, pertencem a coníferas gigantescas que outrora cobriram o Nordeste brasileiro. Preservar esse espaço significa proteger não apenas a história da Terra, mas também os recursos hídricos fundamentais para as comunidades assentadas nas proximidades.

Atualmente, o território pertence ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e faz parte da Reserva Legal do assentamento Brejo São Benedito. No entanto, o status de reserva legal não tem sido suficiente para impedir a degradação. Uma das soluções técnicas apresentadas pelos paleontólogos é a anexação da área à Floresta Nacional (Flona) de Palmares, que já possui gestão estruturada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Essa transferência daria ao local o rigor técnico e a fiscalização necessários para conter os crimes ambientais.

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A isonomia no tratamento do patrimônio nacional é o que move a mobilização dos pesquisadores. Eles argumentam que, enquanto outros sítios paleontológicos pelo mundo recebem investimentos pesados e se tornam patrimônios da humanidade, a floresta piauiense segue “vulnerável e amplamente desconhecida”. A criação de um parque paleontológico permitiria que escolas e universidades utilizassem o espaço para educação ambiental, despertando o interesse de novas gerações pela ciência e pela preservação do meio ambiente.

A pressão popular através do abaixo-assinado é vista como uma ferramenta vital de influência nas decisões políticas de 2026. A expectativa é que o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o governo do Piauí iniciem diálogos formais para a mudança de categoria da área. Sem uma ação imediata, o risco é que as futuras gerações percam o acesso a um dos capítulos mais fascinantes da história natural do país, transformando o que hoje é pedra e história em cinzas e esquecimento.

A comunidade científica reforça que o tempo é um fator determinante. A cada ciclo de queimadas, a estrutura física dos fósseis pode ser abalada, e o solo sagrado da pré-história piauiense perde sua capacidade de regeneração. A luta pela Floresta de Altos é, acima de tudo, uma luta pela soberania científica e pela proteção de um legado que pertence a todos os brasileiros.


*Com informações: ECO e UFPI.

 

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Ciência

Cientistas descobrem a galáxia espiral barrada mais antiga do Universo

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Observações do Telescópio James Webb revelam a COSMOS-74706, uma galáxia que desafia cronogramas astronômicos ao apresentar estrutura complexa apenas 2 bilhões de anos após o Big Bang

A compreensão humana sobre a evolução do cosmos acaba de ganhar um novo capítulo. Uma equipe de astrônomos liderada pela Universidade de Pittsburgh (UPitt) anunciou a descoberta da COSMOS-74706, a galáxia espiral barrada mais distante já confirmada espectroscopicamente. O achado foi apresentado em 8 de janeiro de 2026, durante a 247ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, e revela que estruturas galácticas complexas, como a da nossa Via Láctea, já existiam há mais de 11,5 bilhões de anos.

O diferencial desta descoberta reside na precisão. Enquanto candidatos anteriores dependiam de lentes gravitacionais (que podem distorcer a imagem) ou estimativas de desvio para o vermelho, a COSMOS-74706 teve sua idade validada por meio de espectroscopia utilizando o James Webb (JWST) e o Observatório Keck. Este método é o “padrão ouro” da astronomia, eliminando as incertezas de 10-15% comuns em outras medições e confirmando que a galáxia já possuía uma “barra” central de estrelas em uma época em que o Universo era muito jovem.


Por que as “Barras” são importantes?

Na Sequência de Hubble, as galáxias evoluem de discos irregulares para formas mais organizadas. As barras centrais não são apenas estéticas; elas funcionam como motores galácticos:

  • Canalização de Gás: Elas transportam gás das bordas para o centro da galáxia.

  • Alimentação de Buracos Negros: Esse gás alimenta o buraco negro supermassivo central.

  • Regulação Estelar: As barras podem suprimir ou estimular a formação de novas estrelas em diferentes regiões do disco.

A existência de uma barra tão cedo sugere que as galáxias podem amadurecer muito mais rápido do que as teorias tradicionais previam. “É a galáxia espiral barrada confirmada espectroscopicamente com maior desvio para o vermelho já vista”, afirmou Daniel Ivanov, líder do estudo.


A Tecnologia por trás da Visão

A descoberta só foi possível graças à sensibilidade infravermelha de instrumentos de última geração, que conseguem “enxergar” através da poeira cósmica e do tempo.

Instrumento Função no Estudo
James Webb (JWST) Captura inicial da morfologia e luz infravermelha profunda.
MOSFIRE (Telescópio Keck) Confirmação espectroscópica definitiva da idade e distância.
Simulações de Supercomputadores Comparação dos dados observados com modelos de formação galáctica.

Esta descoberta ajuda os cientistas a refinar os modelos de formação e evolução galáctica, indicando que o “amanhecer cósmico” foi um período de atividade estrutural muito mais intenso e organizado do que se imaginava anteriormente.

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Com informações: Live Science / Universe Today

 

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Ciência

Arábia Saudita revela 20 novos sítios de arte rupestre em Soudah

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Gravuras de até 5 mil anos na região de Asir revelam detalhes inéditos sobre as antigas tribos tamúdicas e a fauna milenar da Península Arábica

A Comissão de Patrimônio da Arábia Saudita, em colaboração com a Soudah Development (empresa do Fundo de Investimento Público), anunciou nesta semana uma descoberta arqueológica de magnitude histórica. Foram identificados 20 novos sítios de arte rupestre na região de Soudah Peaks, abrangendo uma área de 636 quilômetros quadrados na província de Asir. As gravuras, com idade estimada entre 4 mil e 5 mil anos, são consideradas alguns dos vestígios culturais mais antigos já registrados no sudoeste do país.

O achado oferece uma janela rara para o cotidiano de civilizações que habitaram as terras altas de Soudah e Rijal Almaa. Entre as descobertas mais significativas estão as inscrições tamúdicas, um sistema de escrita antigo associado à tribo Thamud. Além da escrita, as rochas exibem representações detalhadas de animais que outrora eram abundantes na região, como hienas, avestruzes e íbices (cabras selvagens), evidenciando um ecossistema muito mais úmido e diversificado no passado.

As cenas gravadas em pedra não se limitam à fauna; elas retratam uma sociedade complexa com gravuras de caçadores em ação, grupos de dançarinos, armas e palmeiras. Segundo os arqueólogos, esses registros comprovam que a região foi um centro vital de assentamento humano e atividade cultural contínua. A descoberta faz parte de um levantamento científico em quatro etapas que visa documentar, classificar e, acima de tudo, preservar esses monumentos antes que o desenvolvimento turístico da região avance.

Turismo cultural e preservação em 2026

A descoberta ocorre em um momento estratégico para a Arábia Saudita, que em 2026 consolida sua Visão 2030 para o turismo. O projeto Soudah Peaks, conhecido por abrigar o ponto mais alto do país, pretende integrar esse novo patrimônio arqueológico a uma experiência turística de luxo e autenticidade. “O objetivo é criar uma jornada cultural integrada que reflita a riqueza histórica do Reino”, afirmaram as autoridades em comunicado oficial.

Paralelamente à arte rupestre, outras descobertas recentes na região têm fascinado a comunidade científica. No início deste mês, pesquisadores revelaram a localização de múmias de chitas em cavernas próximas, preservadas naturalmente por quase 2 mil anos. Esses achados somam-se às gravuras milenares para pintar um quadro completo de como as mudanças climáticas e a ocupação humana transformaram a Península Arábica ao longo dos milênios.

A proteção desses sítios é agora uma corrida contra o tempo. A Comissão do Patrimônio já iniciou o processo de registro nacional de cada formação rochosa para garantir que o fluxo de visitantes não degrade as inscrições. Para os pesquisadores, Soudah e Rijal Almaa deixam de ser apenas destinos de natureza exuberante para se tornarem um dos maiores laboratórios de arqueologia a céu aberto do Oriente Médio, conectando o presente moderno com as raízes mais profundas da humanidade.

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Com informações: Agência Brasil, ICL Notícias, SPA e Saudi Gazette

 

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