Conecte-se conosco

Meio Ambiente

Fórum do Mar Patagônico: Tratado do Alto-Mar entra em vigor com foco no Atlântico Sul

Publicado

em

Coalizão de ONGs do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile defende proteção de áreas estratégicas como a Elevação do Rio Grande e o “Agujero Azul”

Uma nova era para a governança dos oceanos começou oficialmente. Nesta sexta-feira (16), o Fórum para a Conservação do Mar Patagônico publicou a primeira análise sul-americana detalhada sobre o Acordo BBNJ (Biodiversity Beyond National Jurisdiction), também conhecido como Tratado do Alto-Mar. Após duas décadas de negociações na ONU, o tratado entra em vigor estabelecendo regras globais para proteger águas internacionais — aquelas que ficam além das 200 milhas náuticas da costa e que, até então, careciam de uma proteção ambiental robusta.

O documento técnico serve como um guia estratégico para que países como Brasil, Argentina, Uruguai e Chile assumam o protagonismo na conservação marinha. O foco central está na criação de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) em regiões de alta biodiversidade que sofrem com a sobrepesca industrial e a ameaça iminente da mineração submarina. Especialistas destacam que o acordo é vital para espécies migratórias, como baleias, albatrozes e petréis, que utilizam o alto-mar como corredores de alimentação e deslocamento.

Áreas Críticas e Relevância Social

A análise identifica pontos geográficos onde a implementação do Tratado BBNJ é urgente para garantir a segurança alimentar e a saúde dos ecossistemas do Hemisfério Sul:

  • Elevação do Rio Grande: Localizada diante da costa do Brasil e do Uruguai, esta formação submarina é riquíssima em biodiversidade e recursos minerais, sendo alvo de disputas e estudos científicos.

  • Agujero Azul: Região estratégica em frente à Argentina, conhecida por sua produtividade biológica e por ser um dos pontos de maior pressão da frota pesqueira internacional no Atlântico Sul.

  • Justiça Ambiental: O tratado permite que países do Sul Global tenham acesso equitativo aos benefícios dos recursos genéticos marinhos e participem ativamente das decisões que antes eram dominadas por potências tecnológicas.

Próximos Passos na Governança Oceânica

De acordo com José Truda Palazzo Jr., coautor da análise e coordenador do Instituto Baleia Jubarte, a entrada em vigor do acordo é apenas o primeiro passo. O desafio agora é operacional:

  1. Definição de Regras: Estabelecer instâncias técnicas e critérios para avaliações de impacto ambiental em águas internacionais.

  2. Articulação Regional: Unificar as políticas pesqueiras dos países sul-americanos com as novas normas do tratado.

  3. Liderança Científica: Utilizar dados produzidos na região para fundamentar a criação das primeiras reservas marinhas em alto-mar.

A análise completa, intitulada “BBNJ: um acordo-chave para a governança do oceano”, já está disponível para consulta pública, servindo de base para governos e movimentos sociais que buscam uma economia azul sustentável.


Com informações: Fórum do Mar Patagônico / Instituto Baleia Jubarte / ECO

Anúncio

 

Continue lendo
Anúncio

Clique para comentar

Deixa uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Meio Ambiente

Autogestão e agroecologia redesenham o consumo no Brasil

Publicado

em

Por

Empreendimentos coletivos e cooperativas de consumo mostram que a união entre produtores e consumidores é a chave para preços baixos e justiça ambiental

O modelo tradicional de consumo, que separa quem produz de quem compra, está sendo desafiado por uma onda de autogestão comunitária que ganha força no Brasil. Iniciativas como o supermercado participativo Gomo Coop, em São Paulo, e a usina solar da Coopaq, em Alagoas, provam que o equilíbrio ecológico e a economia no bolso não são metas excludentes. Ao eliminar intermediários e o desperdício gerado pela competição desenfreada, esses modelos criam um ciclo de benefício mútuo que protege tanto o ecossistema quanto o orçamento familiar.

A lógica é simples, mas revolucionária: em vez de esperar que o mercado dite preços baseados na escassez, produtores e consumidores se organizam em pactos colaborativos. Nesse formato, a demanda é planejada e a oferta é garantida, assegurando que o alimento chegue à mesa com valores muito mais acessíveis. O resultado é o que especialistas chamam de “ligação imediata”, onde o impacto ambiental é positivo justamente porque não há excesso de produção descartado nem exclusão de quem não pode pagar os preços inflacionados das prateleiras comuns.

Além da economia direta, esse movimento ataca um problema central das grandes metrópoles: a injustiça ambiental. Historicamente, os problemas ecológicos atingem primeiro — e com maior força — as populações marginalizadas pelo mercado competitivo. Ao fortalecer hortas comunitárias, como o Parque Ecológico na favela da Maré, no Rio de Janeiro, a autogestão devolve a essas comunidades o controle sobre sua segurança alimentar e sobre o território onde vivem, transformando áreas antes degradadas em polos de produção agroecológica.

{ “action”: “image_generation”, “action_input”: “A vibrant and inspiring photo of a community-run organic market in a Brazilian urban area. People of diverse backgrounds are smiling and interacting, choosing fresh vegetables from wooden crates. In the background, there is a small solar panel setup and a lush green garden. The atmosphere is sunny, professional, and full of community spirit, highlighting the connection between local production and sustainable consumption.” }

Sustentabilidade com benefícios individuais e coletivos

Diferente do que prega o senso comum, adotar práticas sustentáveis não significa sacrificar a individualidade ou o conforto. O conceito contemporâneo de sustentabilidade, inspirado na gestão responsável da pesca, mostra que respeitar os ciclos naturais é a única forma de garantir a continuidade da própria renda. Para o consumidor, participar de grupos de compras coletivas ou redes ecológicas significa acessar produtos de alta qualidade, livres de agrotóxicos, por uma fração do preço de mercado.

A experiência de famílias que migram para o consumo direto com feirantes orgânicos demonstra que a proximidade física e o compromisso recíproco são os pilares dessa nova economia. Quando o consumidor se torna corresponsável pelo que é produzido, ele deixa de ser um mero comprador passivo e passa a integrar uma junta comunitária. Esse modelo de “consultas recíprocas” fortalece o comércio local e cria uma rede de proteção contra as oscilações bruscas da economia globalizada.

Anúncio

Portanto, o fomento a essas práticas deve ser uma prioridade não apenas de movimentos sociais, mas também de governos que busquem soluções reais para a crise climática e a desigualdade social. Ao adotar a Natureza como um “terceiro sócio” nos negócios, a sociedade brasileira caminha para um modelo onde a eficiência econômica serve à vida, e não o contrário. A agroecologia e a autogestão deixaram de ser utopias para se tornarem ferramentas práticas de sobrevivência e prosperidade em 2026.


Com informações: Julio Lopes / ECO

Continue lendo

Meio Ambiente

Como os veículos elétricos podem salvar a rede elétrica e reduzir sua conta de luz

Publicado

em

Por

Algoritmos de carregamento inteligente e tecnologia V2G transformam carros parados em “baterias gigantes” para evitar colapsos no sistema de energia

A transição global para a eletrificação — com a substituição de fogões a gás por indução e carros a combustão por elétricos — impõe um desafio sem precedentes às concessionárias de energia. O aumento do consumo residencial, especialmente no início da noite, ameaça sobrecarregar redes elétricas já deficientes. No entanto, um novo relatório do Brattle Group revela que os veículos elétricos (VEs), antes vistos como um fardo para o sistema, podem ser a solução para estabilizar a rede e economizar bilhões de dólares em infraestrutura.

A estratégia central é o carregamento gerenciado ativo. Em vez de todos os proprietários carregarem seus carros assim que chegam em casa, algoritmos distribuem a demanda ao longo da madrugada. No estado de Washington, esse modelo economizou até US$ 400 por veículo anualmente para os motoristas, garantindo que a bateria estivesse cheia pela manhã. Além disso, a tecnologia V2G (veículo-para-rede) permite que os carros enviem energia de volta para a rede durante picos de demanda, funcionando como uma reserva estratégica que pode adiar atualizações caras no sistema por até uma década.

Inovações no gerenciamento de energia

O setor de utilidade pública está adotando duas abordagens principais para equilibrar a carga:

  • Tarifas por Tempo de Uso: Concessionárias cobram mais caro entre 16h e 21h e reduzem os preços após as 21h para incentivar o consumo noturno.

  • Carregamento Ativo: Aplicativos aprendem a rotina do motorista e iniciam a recarga apenas nos horários de menor estresse da rede, evitando picos súbitos.

  • Tecnologia V2G: Transforma frotas de veículos (como ônibus escolares) em fontes de energia de reserva, reduzindo a necessidade de construir usinas caras.

  • Economia Escalonada: O gerenciamento permite que a rede acomode o dobro de VEs antes de precisar de reformas estruturais, poupando o bolso do contribuinte.

O “balé” das baterias e o futuro da rede

O grande avanço esperado para 2026 é a integração total entre o carregamento inteligente e o fornecimento de energia para as casas. O sistema decide, de forma autônoma, descarregar uma pequena parte da bateria do carro às 18h para alimentar a residência e recarregá-la às 3h da manhã, quando a energia é abundante e barata. Esse ciclo não apenas reduz a conta de luz individual, mas retira a pressão sobre os transformadores de bairro, garantindo a estabilidade do fornecimento para toda a comunidade.


Com informações: Grist e Brattle Group

 

Anúncio

Continue lendo

Meio Ambiente

Holocausto climático: o oceano como peça-chave para evitar o ponto de não retorno

Publicado

em

Por

Pesquisadores defendem a implementação do programa “Florestas Marinhas para Sempre” para captar recursos e restaurar ecossistemas vitais como recifes de corais e florestas de algas

O planeta enfrenta uma ameaça sem precedentes de atingir o “ponto de não retorno” em ecossistemas fundamentais, como a Amazônia e os recifes de corais. Segundo especialistas, o aquecimento recorde registrado em 2025 e a acidificação dos oceanos podem levar ao colapso total dos corais em menos de 15 anos. Diante deste cenário de “holocausto climático”, a COP30, realizada em Belém, marcou um momento histórico ao colocar o oceano no centro da agenda climática global. A principal aposta para mitigar esses danos é o programa Florestas Marinhas para Sempre, iniciativa publicizada em 2025 que busca financiamento multilateral para a conservação e restauração da biodiversidade costeira e marinha.

Inspirado no fundo para florestas tropicais, o programa foca no papel das algas e manguezais como “soluções azuis”. As florestas de algas, por exemplo, são potentes sumidouros de carbono e ajudam a reduzir a acidificação da água, protegendo a maricultura e a segurança alimentar de comunidades artesanais. O desafio agora reside na governança e no financiamento: enquanto o mundo gasta US$ 2,7 trilhões em armamentos, a agenda oceânica precisa de US$ 116 bilhões anuais para ser efetiva. A implementação do “Pacote Azul” é vista como a última oportunidade para honrar os compromissos da Década do Oceano e da Restauração até 2030.

O papel das florestas azuis na resiliência climática

Ecossistemas marinhos oferecem serviços ambientais essenciais para a sobrevivência humana:

  • Mitigação e Sequestro: Florestas de algas e manguezais absorvem grandes quantidades de CO₂, ajudando a frear o aquecimento global.

  • Segurança Alimentar: A aquicultura multitrófica integra a produção de biomassa marinha com alimentos terrestres, gerando emprego e renda.

  • Proteção Costeira: Recifes e gramas marinhas reduzem riscos de erosão e alagamentos causados pela subida do nível do mar.

  • Inovação Médica: A biodiversidade marinha é fonte para o desenvolvimento de novos fármacos e princípios ativos essenciais para a ciência.

Próximos passos e desafios políticos

A viabilização do programa depende de uma mudança de prioridades no orçamento nacional e internacional:

Iniciativa Objetivo Principal
Programa Florestas Marinhas Arrecadação de fundos para conservação e restauração costeira.
Planos de Ação Aquática (PAS) Fortalecer sistemas alimentares aquáticos resilientes à acidificação.
Pacote Azul (COP30) Acelerar soluções baseadas na natureza e elevar a soberania nacional sobre os mares.
Letramento Oceânico Informar a sociedade sobre os riscos da exploração de combustíveis fósseis.

Com informações: ECO

 

Anúncio

Continue lendo
Anúncio


Em alta

Verified by MonsterInsights