Relatório técnico do TCU aponta possível uso indevido de recursos públicos durante estadia do deputado licenciado nos Estados Unidos. Câmara deve analisar o caso
O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de irregularidades no financiamento público da estadia do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos . Um relatório elaborado pela diretoria de fiscalização do Legislativo, validado pela chefia de auditorias, foi anexado ao processo na sexta-feira (11/07/2025). O documento será avaliado pelo ministro relator Benjamin Zymler , que decidirá se recomenda a abertura de investigação formal. A análise técnica foi motivada por uma representação apresentada pelo deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) , que questiona a legalidade da atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior sob a suspeita de envolvimento em articulações políticas contrárias à soberania nacional.
Irregularidades Encontradas De acordo com o relatório:
- O parlamentar não justificou quatro das cinco ausências em sessões deliberativas até 20 de março.
- Mesmo com licenças concedidas — inicialmente por motivo de saúde e depois por interesse pessoal — não houve desconto proporcional na remuneração do deputado.
- Essa prática contraria as regras internas da Câmara dos Deputados .
Contexto Internacional A decisão ocorreu dois dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , anunciar uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros , como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigações Paralelas Além do TCU, o caso também é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF) , sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes . A suspeita é de que Eduardo Bolsonaro esteja atuando nos EUA para pressionar autoridades brasileiras , buscando apoio internacional à narrativa bolsonarista de perseguição política. Na Polícia Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou ter enviado R$ 2 milhões ao filho durante sua estadia no exterior, valor retirado de recursos de campanha eleitoral de 2022. Ele afirmou que o objetivo era evitar que o filho "passasse dificuldades", mas não soube informar por quanto tempo Eduardo permanecerá fora do país.
Posicionamento da Câmara e do TCU Apesar de os auditores do TCU entenderem que há elementos que merecem apuração, o caso não ultrapassou o limite de R$ 120 mil , valor mínimo necessário para abrir investigação formal na Corte de Contas. Assim, a responsabilidade pela análise caberá à própria Câmara dos Deputados , conforme previsto nas normas de conduta parlamentar.
Com informações: Brasil de Fato