O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos manteve-se resiliente no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 41,7 bilhões , segundo dados do mais recente Monitor do Comércio Brasil-EUA , divulgado pela Amcham Brasil . No entanto, o superávit comercial norte-americano cresceu expressivamente, alcançando US$ 1,7 bilhão , um aumento de aproximadamente 500% em relação ao mesmo período de 2024 .
Exportações brasileiras crescem 4,4%
As
exportações brasileiras somaram
US$ 20 bilhões no período, registrando um crescimento de
4,4% em relação ao primeiro semestre de 2024. Os principais destaques foram:
- Carne bovina (+142%)
- Sucos de frutas (+74%)
- Café não torrado (+39%)
- Aeronaves (+12,1%)
Apesar da expansão, o ritmo foi superado pelo aumento das
importações brasileiras , que cresceram
11,5% , somando
US$ 21,7 bilhões .
Tarifas já afetam setores estratégicos
Embora o fluxo comercial geral tenha mantido seu nível elevado, os primeiros efeitos das
tarifas em vigor já são visíveis. Entre os
10 principais produtos com queda nas exportações brasileiras para os EUA ,
oito estão sujeitos a aumentos tarifários, incluindo:
- Celulose (-14,9%)
- Motores (-7,6%)
- Máquinas e equipamentos (-23,6%)
- Manufaturas de madeira (-14,0%)
- Autopeças (-5,6%)
Esses números indicam que os setores industriais mais sensíveis à competitividade internacional começam a sentir os efeitos da política tarifária norte-americana.
Governo dos EUA eleva tarifas para 50% a partir de agosto
Diante da previsão de
elevação das tarifas para 50% sobre produtos brasileiros a partir de
1º de agosto , a
Amcham Brasil reforça o apelo por uma
solução negociada entre os governos para evitar impactos econômicos severos.
"Os resultados do primeiro semestre evidenciam a relevância do comércio bilateral para ambas as economias e reforçam a necessidade de buscar uma solução equilibrada e pragmática diante da escalada tarifária prevista", afirmou Abrão Neto , presidente da Amcham Brasil .
Risco de impactos severos na economia
A perspectiva de aumento tarifário traz riscos significativos para:
- Empregos nos setores exportadores brasileiros
- Investimentos em cadeias produtivas integradas
- Previsibilidade no ambiente de negócios entre os dois países
A entidade defende uma resposta pautada em
diálogo, previsibilidade e racionalidade , destacando que a parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos sempre foi marcada por cooperação e entendimento mútuo.
“Estamos diante de um grave cenário que pode inviabilizar boa parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos, sobretudo de bens industriais, com prejuízos para ambas as economias. O caminho deve ser o entendimento, que sempre caracterizou as relações entre Brasil e Estados Unidos”, concluiu Abrão Neto.
Com informações: Amcham Brasil