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Governo reúne setor produtivo para avaliar impacto e buscar soluções frente a tarifas dos EUA

Governo reúne setor produtivo para avaliar impacto e buscar soluções frente a tarifas dos EUA

Redação
Por: Redação
15/07/2025 às 22h16 Atualizada em 16/07/2025 às 01h16
Governo reúne setor produtivo para avaliar impacto e buscar soluções frente a tarifas dos EUA
Foto: Reprodução

Comitê interministerial liderado por Geraldo Alckmin ouve demandas de indústria brasileira e reforça aposta em negociação com os Estados Unidos

O Governo Federal realizou na terça-feira, 15 de julho de 2025 , a primeira reunião do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais , coordenado pelo vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin . O objetivo foi discutir os impactos das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros , que entram em vigor em 1º de agosto , e buscar soluções conjuntas com o setor produtivo.
Encontro reúne representantes de setores estratégicos
Participaram da reunião representantes de empresas e entidades de setores-chave da economia brasileira, entre eles:
  • Embraer
  • Weg
  • Tupy
  • Instituto Aço Brasil
  • Fiesp
  • Abimaq
  • Abicalçados
  • ABAL
  • ABIT
  • IBÁ
  • ABIMCI
  • Sindipeças
  • Sindifer
  • Centrorochas
  • Abrafe
  • RIMA
Além de Alckmin, também estiveram presentes o chefe da Casa Civil, Rui Costa , e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad .
Setores industriais mais afetados são ouvidos
Durante o encontro, foram ouvidos representantes de setores com maior volume de exportações para os Estados Unidos, como aviação, aço, alumínio, máquinas, têxteis, calçados, papel e celulose , entre outros. Segundo Alckmin, houve consenso sobre a importância de uma solução negociada.
“A reunião foi muito proveitosa. Ouvimos todos os setores com maior fluxo de comércio com os Estados Unidos. O que vimos foi um alinhamento em torno da negociação. Eu trouxe a mensagem do presidente Lula de empenho para rever esta situação”, afirmou Alckmin.
Ele destacou ainda que a decisão unilateral do governo norte-americano é incompreensível, especialmente em um momento de recorde comercial entre os dois países . No primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras aos EUA cresceram 4,37% , enquanto as importações dos EUA para o Brasil subiram 11,48% . “De janeiro a junho deste ano, as exportações do Brasil para os Estados Unidos aumentaram 4,37% e dos Estados Unidos para o Brasil aumentaram 11,48%. Momento em que é recorde a exportação dos Estados Unidos para o Brasil, quase três vezes mais do que a nossa exportação — estaremos unidos para reverter essa decisão”, reforçou o vice-presidente.
Solução negociada é prioridade
O setor produtivo se comprometeu a dialogar com parceiros nos Estados Unidos — incluindo compradores, fornecedores e empresas congêneres — para buscar entendimento bilateral e evitar prejuízos mútuos. Segundo Alckmin, a medida pode onerar produtos americanos e gerar impactos negativos à economia norte-americana.
“É uma relação importante que repercute também nos Estados Unidos, podendo encarecer produtos e encarecer a economia americana. É uma oportunidade, inclusive, para abrirmos espaço para novos acordos comerciais”, argumentou.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban , reforçou a posição unificada do setor produtivo: "O que temos aqui é um verdadeiro perde-perde. Não faz sentido econômico, social ou geopolítico. Estamos convergentes com o governo e confiantes de que é possível contornar essa situação." Alban também ressaltou que o Brasil não adotará medidas precipitadas ou hostis: “O Brasil não pretende ser reativo intempestivamente. O que nós entendemos dessa reunião é que o Brasil não se precipitará de forma nenhuma em medidas de retaliações para que elas não sejam interpretadas como simplesmente uma disputa. O que nós queremos é um entendimento.”
Indústria brasileira reafirma apoio ao diálogo
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Josué Gomes da Silva , manifestou otimismo quanto à retomada do diálogo com os Estados Unidos, lembrando que os dois países mantêm relações diplomáticas e comerciais há mais de 200 anos .
“Nós temos absoluta confiança de que os mais de 200 anos de boas relações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos, que são os maiores investidores diretos estrangeiros no Brasil, não vão se romper dessa maneira. Pelo contrário, vamos chegar a um entendimento.”

Josué enfatizou o apoio integral da indústria nacional ao esforço conjunto do governo: “Vamos dar todo o suporte, todo o apoio para que o Brasil chegue a um entendimento em benefício das populações e empresas brasileiras e americanas.”

Regulamentação do Comitê e Lei da Reciprocidade Econômica
A criação do Comitê foi regulamentada por decreto assinado durante o evento, juntamente com a Lei da Reciprocidade Econômica , que estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual , em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade do Brasil no cenário internacional. O Comitê será composto pelos ministros:
  • MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) – presidência
  • Casa Civil
  • Fazenda
  • Relações Exteriores
A Secretaria-Executiva ficará sob responsabilidade do MDIC. Outros ministros poderão participar conforme os temas tratados.
Próximos passos
O governo brasileiro seguirá mobilizado para manter o canal de diálogo com autoridades e parceiros comerciais norte-americanos , com objetivo de reduzir os impactos das tarifas e evitar escalada protecionista . O foco segue sendo a negociação diplomática , com apoio do setor produtivo, para encontrar uma saída benéfica tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos.

Com informações: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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