Ex-presidente fez declaração em entrevista após ser alvo de operação da PF e medidas cautelares do STF
O ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) afirmou em entrevista à agência
Reuters , concedida na sede do partido em Brasília, que
acredita que será preso no dia 20 de agosto , data em que o
Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar o mérito de sua ação penal por suposta participação em atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
“Não há a menor dúvida que vão me condenar. O sentimento é que vai acontecer. Mais ou menos em 20 de agosto, que é quando o julgamento vai acontecer”, afirmou.
Operação da PF e medidas do STF
Bolsonaro foi alvo de uma
operação da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (18/7), quando foi
obrigado a usar tornozeleira eletrônica e aceitou a medida
sem resistência , conforme divulgado pela imprensa. O ministro
Alexandre de Moraes , relator do inquérito sobre os atos de 8 de janeiro, também determinou outras
medidas cautelares , entre elas:
- Proibição de usar redes sociais
- Proibição de contatar embaixadores e autoridades estrangeiras
- Proibição de manter contato com seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
- Proibição de se aproximar de sedes de embaixadas e consulados
- Cumprimento de toque de recolher noturno
Bolsonaro critica Alexandre de Moraes e chama medidas de perseguição
O ex-presidente
criticou duramente o ministro Alexandre de Moraes , chamando-o de
“ditador” e considerando as medidas uma
perseguição política .
“O Alexandre de Moraes, o ditador, quer me tirar da eleição de 2026 e, com isso, garantir a reeleição do Lula, que ganha de qualquer um sem eu no páreo”, disse, sugerindo que sua prisão teria motivação eleitoral .
Bolsonaro também afirmou que
pretende ser candidato à Presidência em 2026 , mesmo sendo
inelegível até 2030 , conforme decisão do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dois processos distintos. A inelegibilidade decorre da cassação de seus direitos políticos por
condutas anteriores à investigação do STF .
Defesa e partido reagem a medidas do STF
A
defesa de Bolsonaro divulgou uma nota afirmando ter recebido "com surpresa e indignação" a imposição de medidas cautelares. O texto destaca que o ex-presidente
sempre cumpriu determinações judiciais e que as restrições são desproporcionais. O
PL , partido de Bolsonaro, também divulgou nota oficial assinada pelo presidente nacional da legenda,
Valdemar Costa Neto , em que
repudia a operação da PF e as medidas impostas pelo STF . O partido considerou a decisão
“desproporcional” , destacando que o ex-presidente
não apresentou resistência à colocação da tornozeleira eletrônica.
Contexto do processo no STF
Bolsonaro é investigado no
inquérito sobre o ato golpista de 8 de janeiro de 2023 , que resultou na invasão das sedes dos três Poderes em Brasília. O ex-presidente enfrenta acusações de
formação de quadrilha, corrupção ativa e advocacia administrativa , entre outros. O ministro
Alexandre de Moraes considerou que
Bolsonaro teria confessado crime ao vincular a anistia ao fim do tarifaço de Trump , chamando a conduta de “extorsão”.
Com informações: Redação Terra / Agência Reuters