Quinta, 25 de Junho de 2026
16°C 26°C
Brasília, DF
Publicidade

Clara Charf: 100 anos de luta política da mulher que rompeu o cerco da tradição machista

Clara Charf: 100 anos de luta política da mulher que rompeu o cerco da tradição machista

Redação
Por: Redação
21/07/2025 às 23h00 Atualizada em 22/07/2025 às 02h00
Clara Charf: 100 anos de luta política da mulher que rompeu o cerco da tradição machista
Foto: Reprodução

Ativista comunista e feminista completa um século de vida como símbolo da resistência democrática e da luta por direitos no Brasil

Ao completar 100 anos de vida em 17 de julho de 2025 , Clara Charf é celebrada como uma das figuras mais corajosas e influentes da história política brasileira. Nascida em Maceió (AL) , a ativista deixou um legado marcante na luta pela democracia, pelos direitos humanos, pela igualdade de gênero e contra a ditadura militar — sendo reconhecida pela Secretaria Nacional de Mulheres do PT (SNMPT) e por diversas instituições como uma pioneira do feminismo político no país.
Uma vida dedicada à luta
Clara ingressou na política ainda jovem, aos 20 anos , participando dos movimentos internacionais contra a bomba atômica e em defesa da paz durante a Guerra Fria , em 1945. Em 1946, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) , onde conheceu Carlos Marighella , seu companheiro de vida e militância até seu assassinato em 1969. Juntos, enfrentaram a clandestinidade, a repressão e a opressão do regime civil-militar instaurado em 1964 . Clara integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN) , organização fundada por Marighella, considerado pelo regime como o "inimigo número um". O relacionamento entre os dois, que durou 21 anos , foi tanto afetivo quanto político. Após o assassinato de Marighella por agentes do Estado, Clara foi forçada ao exílio por dez anos , vivendo com identidade falsa e trabalhando como tradutora em países como Cuba. Só retornou ao Brasil após a Lei da Anistia de 1979 .
Rompendo o cerco machista
A trajetória de Clara Charf é descrita pela Fundação Perseu Abramo (FPA) como a de uma mulher que "rompeu o cerco imposto por uma tradição machista e conservadora" . Num tempo em que o feminismo não era amplamente articulado nem aceito, ela já defendia a autonomia, a liberdade e o protagonismo feminino nas lutas sociais.
“Ela passou a ficar muito próxima da luta das mulheres, das liberdades, dos direitos e por uma condição social sempre mais justa e igualitária. Justiça é uma palavra importante para Clara”, disse Isa Grinspum Ferraz , documentarista e sobrinha da ativista, à Agência Brasil.
Engajamento no Partido dos Trabalhadores
De volta ao Brasil, Clara se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) , intensificando sua atuação em causas feministas. Em 1982 , candidatou-se a deputada estadual por São Paulo, conquistando 20 mil votos , embora não tenha sido eleita. Foi integrante da Secretaria Nacional de Mulheres do PT e presidiu a Associação Mulheres Pela Paz , organização que fundou em 2003 com o objetivo de combater a violência contra as mulheres e visibilizar o papel feminino na construção da paz. Em 2005 , coordenou no Brasil o movimento internacional Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo , que promoveu a indicação coletiva de mil mulheres ao Prêmio Nobel da Paz . No país, foram escolhidas 52 ativistas brasileiras para representar essa causa.
Reconhecimento e participação institucional
Além de sua atuação partidária, Clara teve papel destacado em órgãos públicos de direitos humanos:
  • Membro da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos
  • Conselheira emérita do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM)
  • Referência constante em debates sobre memória, verdade e justiça
Sua trajetória é registrada no Portal Memórias da Ditadura , que destaca sua coragem diante da perseguição, prisão e exílio.
Legado de uma guerreira
Clara Charf representa a fusão entre resistência política e luta feminista , tendo enfrentado não apenas a ditadura, mas também os limites impostos pela sociedade patriarcal. Sua vida inspira novas gerações a seguir lutando por um Brasil mais justo, democrático e igualitário. Como afirmado pela SNMPT:
“Preservar a memória de Clara Charf é valorizar quem, no passado, defendeu valores fundamentais para a democracia. Seu exemplo de determinação, coragem e amor à luta segue vivo.”

Com informações: PT, Agência Brasil, MDHC e Memórias da Ditadura
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Brasília, DF
19°
Parcialmente nublado
Mín. 16° Máx. 26°
19° Sensação
3.64 km/h Vento
69% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h38 Nascer do sol
17h49 Pôr do sol
Sexta
25° 15°
Sábado
26° 15°
Domingo
26° 16°
Segunda
25° 15°
Terça
25° 15°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,21 +0,23%
Euro
R$ 5,91 +0,31%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 337,395,36 +0,67%
Ibovespa
170,506,66 pts -0.44%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias