Família, amigos e companheiros de luta homenageiam a ativista comunista e feminista em evento no galpão cultural Elza Soares
Aos
100 anos , a ativista
Clara Charf , uma das figuras mais emblemáticas do
feminismo popular e do comunismo no Brasil , foi homenageada em um evento especial realizado no
galpão cultural Elza Soares , no centro de
São Paulo (SP) , no sábado (19/7/2025). Conhecida como
companheira de Carlos Marighella , líder revolucionário assassinado em 1969, Clara foi uma das vozes mais fortes na
resistência à ditadura militar , enfrentando
prisão, perseguição e exílio .
Legado de luta e resistência
A celebração reuniu
familiares, políticos, artistas e ativistas , que prestaram tributo a uma vida dedicada à
transformação social e política no Brasil . O evento contou com
discursos, músicas, flores e mensagens de apoio de figuras como o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva , o
frade Frei Betto e o
presidente da Venezuela, Nicolás Maduro , transmitidas pelo
embaixador Manuel Vadell .
Maria Marighella, neta de Clara e Carlos , definiu a aniversariante como uma “guardiã da memória de luta do povo brasileiro” :
“Essa mulher centenária é, além de comunista, ativista e companheira de Marighella, uma guardiã da história de luta do povo brasileiro. Ela atravessou o século XX e entra no século XXI tendo feito da sua vida uma ação de luta permanente.”
Papel no Partido dos Trabalhadores
Clara Charf também foi uma das
fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT) e é reconhecida como uma das principais
articuladoras da presença feminina na esquerda brasileira . José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e histórico do partido, destacou sua importância:
“Clara teve uma função importantíssima para o PT, não só lutando pela igualdade de gênero, mas sendo também alguém fundamental para as relações internacionais do partido.”
José Genoino, ex-presidente do PT, reforçou a visão:
“A fidelidade de Clara à causa do socialismo e à revolução é inquestionável. Durante todos os anos em que convivemos, ela sempre trouxe uma palavra de crença, de estímulo e de coragem na luta.”
Inspiração contínua, apesar do tempo
Apesar de viver com
lapsesos de memória , segundo relato de sua irmã
Sara Grinspun , Clara mantém sua
presença luminosa e sua força simbólica . Em um telão, trechos de entrevistas ao longo de sua vida foram exibidos, incluindo esta reflexão sobre o sentido da vida:
“Eu acho que tudo que pulsa, tudo que você pode realizar, construir, fazer… a vida é isso. Uma pessoa que não faz nada, que fica só se queixando, amargurada, eu acho que não vive. Vida pra mim é luta.”
Luta internacional e inspiração coletiva
Seu legado ultrapassou fronteiras. O presidente venezuelano
Nicolás Maduro destacou, por meio de mensagem, que a luta de Clara e Marighella é uma
fonte de inspiração para a revolução bolivariana . Sua trajetória de resistência e engajamento político é lembrada não apenas como história, mas como
referência viva de resistência, coragem e transformação .
Fonte: Brasil de Fato / Com informações: Nathallia Fonseca / Brasil de Fato