Com o aumento do uso da bicicleta como meio de transporte nas cidades brasileiras, os riscos no trânsito também crescem preocupantemente. Dados do Ministério da Saúde revelam que 14.834 ciclistas perderam a vida no país entre 2014 e 2024. Apenas em 2023, foram registradas 1.288 vítimas fatais, o equivalente a quase quatro mortes por dia.
Apesar dos benefícios do ciclismo para a saúde e o meio ambiente, o
aumento da violência no trânsito contra ciclistas é um grave problema. Nos casos não fatais, as consequências também são graves, com
fraturas, lesões ligamentares e traumas nas articulações sendo comuns, exigindo tratamento especializado.
Prevenção e equipamentos de proteção Para reduzir esses riscos, o
Dr. Robinson Pires, presidente da
Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), enfatiza a importância do uso de equipamentos de proteção. “O capacete é indispensável e deve ser utilizado sempre. Ele diminui consideravelmente as chances de traumas na cabeça, como fraturas no crânio e lesões cerebrais. Outros itens, como joelheiras e cotoveleiras, também ajudam a proteger em casos de queda ou colisão,” afirma. O médico reforça que a proteção não deve ser ignorada nem em deslocamentos curtos ou em áreas consideradas seguras. “Pequenas atitudes podem salvar vidas e evitar danos irreversíveis,” destaca.
Atitudes fundamentais para a segurança Além dos equipamentos, outros fatores são essenciais para a segurança dos ciclistas:
- Concentração durante o trajeto.
- Respeito às regras de trânsito.
- Observação constante dos movimentos de veículos, pedestres e outros ciclistas.
- Uso de ciclovias, quando disponíveis, por oferecerem um ambiente mais protegido.
A
conservação da bicicleta também é crucial. Freios, pneus, corrente e demais componentes devem ser inspecionados regularmente, pois equipamentos em más condições aumentam significativamente o risco de acidentes. Traçar rotas que evitem vias movimentadas ou perigosas também contribui para a segurança. “O ciclismo traz inúmeros benefícios à saúde e ao deslocamento urbano, mas deve ser praticado com responsabilidade. Quando unimos atenção, prevenção e manutenção adequada, conseguimos transformar a bicicleta em uma aliada da qualidade de vida sem comprometer a segurança,” ressalta o Dr. Robinson Pires.
Lesões comuns e cuidados adicionais O especialista alerta para os tipos mais comuns de lesões: “As lesões osteomusculares mais comuns são as dos ombros e punhos, em razão da queda sobre essa parte ou mesmo na tentativa de mecanismo de defesa. Mas outras lesões ligamentares, fraturas e em outras regiões podem estar relacionadas conforme o mecanismo e a energia do trauma.” Para evitar quedas, ele recomenda:
- Não usar fones de ouvido enquanto pedala.
- Respeitar os sinais de trânsito.
- Ter cuidado ao passar sobre faixas pintadas nas pistas, que podem ser escorregadias, especialmente em dias chuvosos.
O presidente da SBTO também alerta para o perigo das quedas em áreas de tráfego intenso: “A violência de quedas simples de bicicletas perto de vias de trânsito de veículos em alta velocidade ou de grande porte, como ônibus ou rodovias, pode ser fatal, mesmo quando o impacto inicial parece pequeno.”
Com informações: Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO)