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Projeto Sim, Eu Posso! forma primeira turma em Porto Alegre

Projeto Sim, Eu Posso! forma primeira turma em Porto Alegre

Redação
Por: Redação
05/08/2025 às 10h00 Atualizada em 05/08/2025 às 13h00
Projeto Sim, Eu Posso! forma primeira turma em Porto Alegre
Foto: Reprodução
Cerimônia de formatura reuniu jovens e adultos alfabetizados pelo método cubano na Vila Pedreira. Iniciativa, implementada por organizações comunitárias, já expandiu para outras vilas e prevê novas turmas em espaços urbanos e prisionais. Projeto Sim, Eu Posso! forma primeira turma em Porto Alegre A primeira turma do projeto Sim, Eu Posso!, programa de alfabetização de jovens e adultos com base no método cubano, foi formada neste sábado (2) na Associação dos Moradores Força Maior, na Vila Pedreira, em Porto Alegre (RS). A cerimônia emocionou familiares, educadores e lideranças comunitárias, ao celebrar conquistas simbólicas e práticas de pessoas que, em sua maioria, chegaram à idade adulta sem saber ler ou escrever. Entre os formandos, a vendedora autônoma Natália dos Reis Souza, de 57 anos, leu uma carta emocionada: “Se não fosse vocês, eu não estaria aqui lendo esta carta.” Ela relatou que, antes do projeto, dependia de áudios no WhatsApp porque não conseguia ler mensagens. “Hoje, estou aqui lendo para vocês”, afirmou, agradecendo aos professores e à moradora Adriana Correia de Faria, articuladora local da iniciativa. Jornadas de superação e persistência O também formando Altino Vieira Padilha, conhecido como “Seu Tino”, de 62 anos, contou que enfrentou momentos de desânimo. “Pensei em desistir, fui até a escola pedir para cancelar a matrícula. Mas as professoras disseram: ‘Seu Tino, o senhor não pode sair daqui, é muito importante pra nós’.” Com o apoio dos educadores, ele seguiu e hoje planeja fazer um curso de informática. “Agora eu insisto. Insisto porque sei que posso”, afirmou. As histórias de Natália e Seu Tino refletem o impacto do projeto em comunidades com baixo acesso à educação formal. Ambos moram na Vila Pedreira, no bairro Cristal, e participaram da turma iniciada em janeiro de 2025, fruto de uma articulação entre o Fórum Social das Periferias, a Associação Cultural José Martí do RS, o MST, a Associação dos Moradores Força Maior, Levante Popular da Juventude, Organização Olufé, Esperançar e outras entidades. Método cubano com raízes na pedagogia de Paulo Freire O método Sim, Eu Posso!, criado pela pedagoga cubana Leonela Inés Relys Díaz, já alfabetizou cerca de 11 milhões de pessoas em mais de 30 países. No Brasil, o MST tem sido um dos principais disseminadores, com mais de 100 mil pessoas alfabetizadas desde sua implementação. O processo dura entre quatro e cinco meses e parte da realidade dos educandos, associando letras a números e temas do cotidiano para facilitar o aprendizado. “O método é eficaz. Com acolhimento e atenção, eles vão longe. O Seu Tino, por exemplo, conseguiu pular de turma na escola regular no fim do ano passado”, destacou a educadora Alexia Nunes, voluntária desde a concepção do projeto na região. O educador Alexandre Cordeiro, que se capacitou para aplicar o método, explicou que a abordagem é adaptada à realidade local. “Somos pessoas da comunidade, conhecemos a realidade de quem não teve oportunidade de se alfabetizar na infância.” Ele já expandiu a iniciativa para três outras associações e iniciou uma turma de reforço no sistema prisional, com nove mulheres. Educação popular como ferramenta de transformação Para Juliane Soares Ribeiro, militante do MST e do Coletivo Estadual de Educação, o projeto é uma resposta concreta ao analfabetismo no Brasil. Em 2024, segundo o IBGE, o país tinha 9,1 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais — 5,3% da população. Entre idosos (60+), o índice chega a 14,9%. No Rio Grande do Sul, a taxa é de 2,4%, uma das mais baixas do país. “Estamos empenhados em espraiar o método por diferentes territórios, tanto rurais quanto urbanos”, afirmou Soares. Atualmente, há quatro turmas ativas nas periferias de Porto Alegre, com cerca de 30 educandos. Ricardo Haesbaert, presidente da Associação Cultural José Martí do RS, destacou que o projeto une o método cubano à pedagogia de Paulo Freire. “É sobre garantir dignidade: ler um letreiro, uma receita, um aviso.” Segundo ele, toda a iniciativa é mantida por voluntariado, sem recursos públicos. “Só com o desprendimento das pessoas e de entidades solidárias.” Expansão e resistência coletiva Apesar dos desafios do contexto atual, o projeto já se expandiu para as vilas Glória, Barracão e Jardim. Tomás Brunet, militante do MST e do Levante Popular da Juventude, ressaltou o valor da construção coletiva: “É só junto que a gente tem força pra fazer acontecer. A persistência dos educandos está rendendo frutos.” A formatura na Vila Pedreira marca o início de uma nova etapa, com planos de ampliação para outros territórios, incluindo espaços prisionais e áreas de reforma agrária, reafirmando o compromisso com a educação popular como instrumento de justiça social.
Fonte: Brasil de Fato
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