
O Brasil deu um passo estratégico rumo à autonomia na produção de tecnologias de alta performance com o avanço do MagBras – “Da Mina ao Ímã”, o primeiro projeto público-privado voltado à produção de ímãs permanentes de terras raras (ETRs) no país. Coordenado pelo Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras do SENAI (CIT SENAI ITR), o projeto visa construir, do zero, uma cadeia produtiva nacional — da mineração ao produto final.
Apesar de possuir a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 23% das reservas globais (atrás apenas da China), o Brasil até agora exportava concentrados para serem refinados no exterior, sem agregar valor interno. O MagBras busca romper esse ciclo. Primeira amostra de óxidos de ETRs produzida no Brasil Em julho de 2025, a mineradora australiana St George Mining, parceira do projeto, entregou a primeira amostra de óxidos de terras raras de origem brasileira processada localmente no Projeto Araxá, em Minas Gerais. Análises técnicas confirmaram pureza superior a 95% de óxidos de ETRs, com impurezas abaixo de 0,2%. A amostra contém cerca de 20% de NdPr (neodímio e praseodímio), além de quantidades relevantes de disprósio e samário — metais críticos para a fabricação de superímãs usados em motores elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos de alta tecnologia. Infraestrutura científica e industrial em construção O projeto conta com o LabFabITR, o primeiro laboratório-fábrica de ímãs e ligas de terras raras do Hemisfério Sul, localizado em Lagoa Santa (MG). Inaugurado com recursos do CIT SENAI, o espaço reúne unidades de processamento mineral, ligas especiais e metalurgia do pó, e tem potencial para se tornar a maior planta de pesquisa aplicada em ímãs da América do Sul, segundo a FIEMG. Com investimento de R$ 73 milhões, financiado em parte pelo Fundo de Desenvolvimento do SENAI (Fundep), o MagBras reúne uma aliança de 38 empresas, startups e centros de pesquisa, nacionais e internacionais. Projeto Araxá: centro estratégico de produção O Projeto Araxá, onde estão localizadas as principais reservas, possui 40,64 milhões de toneladas com teor médio de 4,13% de óxido total de terras raras (TREO) e 41,20 milhões de toneladas com 0,68% de nióbio — mineral do qual o Brasil já é líder global em reservas. A mina está prevista para iniciar operações em 2027, com capacidade de produção de até 20 mil toneladas por ano de terras raras e nióbio no médio prazo. Aplicações estratégicas e demanda global Os ímãs de terras raras são essenciais em tecnologias limpas, como geradores de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, discos rígidos, sensores industriais e equipamentos médicos. A produção nacional desses componentes reduz a dependência externa e fortalece a soberania tecnológica e energética do país. O MagBras agora avança nas fases de estudos de escala industrial, certificações técnicas e parcerias internacionais, com o objetivo de colocar o Brasil no mapa global da produção de tecnologias críticas.