
Na noite de 6 de agosto, após a ocupação da Mesa Diretora por deputados do PL, o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) publicou na rede X: “O acordo é: na pauta semana que vem, fim do foro privilegiado, na sequência, ANISTIA!”. A mensagem foi amplamente compartilhada por apoiadores como prova de “vitória” da bancada bolsonarista.
Admissão em plenário e desmentido da Folha Em resposta, Sóstenes afirmou:“Eu quero aqui em alto e bom som dizer, inclusive eu vi fala do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) e quero corroborar com você, excelência: o presidente Hugo Motta não foi chantageado por nós, ele não assumiu compromisso de pauta nenhuma conosco.”O líder do PL ainda criticou reportagens do grupo Folha de S.Paulo, que haviam dado crédito à versão de que a anistia teria sido negociada, chamando-as de “matéria jornalística tendenciosa”. No entanto, reforçou que a negociação teria ocorrido apenas entre o PL, o Novo e parte do Centrão — sem confirmação oficial desses partidos. Tentativa de legitimar defesa de Trump e guerra tarifária Sóstenes também defendeu a postura da bancada ao apoiar as ameaças tarifárias do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Brasil, que foram interpretadas como pressão para evitar a condenação de Jair Bolsonaro.
“Nosso comportamento aqui é ético, de defender a pátria. Que cada parlamentar da direita, da esquerda ou do centro possa olhar nos olhos dos seus filhos e dizer que somos brasileiros, temos honra e vamos lutar pelo Brasil”, afirmou, cercado por colegas da bancada bolsonarista.Lindbergh Farias: “mentiram descaradamente” O líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), rebateu duramente o discurso de Sóstenes. Para ele, os bolsonaristas mentiram deliberadamente para mobilizar apoiadores com promessas falsas.
“Os senhores saem daqui dizendo que na próxima semana vai ser pautada a anistia, o fim do foro. Tudo isso! Mentiram descaradamente. Estavam com a cabeça baixa, depois querem fazer um discurso que não corresponde à realidade. Saíram vendendo para enganar a turma deles.”
Lindbergh ainda afirmou que votar anistia sob pressão externa seria um ato de submissão:
“Sóstenes, votar anistia por esse parlamento é o Brasil virar colônia. Votar anistia depois de Trump ameaçar é melhor fechar o parlamento. É a desmoralização. É aceitar o tratamento que vocês defendem: o Brasil como colônia.”
Câmara reforça negação de acordos Além de Motta, outros líderes governistas e do Centrão negaram qualquer acordo para pautar a anistia ou o fim do foro privilegiado. O ministro Alexandre de Moraes (STF) já classificou anteriormente a pressão por anistia como “chantagem inconstitucional”.