Levantamento da Secretaria de Prêmios e Apostas revela que 17,7 milhões de brasileiros apostam regularmente, maioria jovem e endividada. Governo reforça regulação para conter vício, proibir uso de benefícios sociais e coibir publicidade enganosa
As empresas de apostas esportivas e jogos online movimentaram R$ 17,4 bilhões no Brasil no primeiro semestre de 2025, segundo levantamento inédito da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda. O valor corresponde ao Gross Gaming Revenue (GGR) — ou seja, a diferença entre o total apostado e os prêmios pagos aos jogadores.
O número confirma o crescimento explosivo do setor, impulsionado pelos chamados “
jogos do tigrinho” e pelas plataformas de apostas esportivas (bets), e acende alertas sobre os riscos sociais e financeiros associados ao hábito.
Perfil do apostador brasileiro: jovem, majoritariamente homem e endividado O levantamento revela que
17,7 milhões de brasileiros apostam regularmente, sendo:
- 71% homens;
- Quase metade com até 30 anos;
- Gasto médio de R$ 983 por semestre (R$ 164 por mês).
Dados de pesquisas paralelas agravam as preocupações:
- O Instituto Locomotiva aponta que 25 milhões de pessoas começaram a apostar em 2025, sendo 80% das classes C, D e E;
- 86% dos apostadores estão endividados;
- 64% têm o nome negativado;
- Relatório do Itaú estima que os jogadores perderam R$ 23,9 bilhões em 12 meses.
“Limpar a casa”: governo reforça regulação para conter abusos O secretário da SPA,
Regis Dudena, afirmou que o cenário atual é fruto do “
descontrole de 2019 a 2022”, período em que o setor cresceu sem supervisão adequada.
“Nos cabe agora limpar a casa. Hoje o Estado brasileiro tomou de volta o controle desse setor. Não podemos permitir que a atividade siga alimentando dívidas, doenças e fraudes.”
O governo Lula intensifica a regulação para equilibrar
arrecadação e
proteção social, com medidas como:
- Proibição de apostas com recursos do Bolsa Família e do BPC;
- Restrição a publicidade enganosa;
- Obrigatoriedade de mecanismos de autolimitação e autoexclusão nas plataformas;
- Monitoramento de padrões de jogo compulsivo.
Desafio político e econômico A regulação do setor é um
teste para o governo Lula: enquanto a
arrecadação bilionária interessa à equipe econômica do ministro
Fernando Haddad, o Planalto enfrenta pressões de parlamentares da oposição que defendem a liberdade de aposta. Dudena reforça o compromisso com um modelo sustentável:
“A meta é equilibrar arrecadação com proteção social. O Estado não pode ser omissivo diante de um fenômeno que afeta milhões de vidas.”
Com informações: Folha de S.Paulo / Revista Fórum