Um cenário atípico se instalou no mercado global de café em agosto de 2025: enquanto as
exportações brasileiras mantiveram um bom desempenho na maioria dos destinos, as vendas para os
Estados Unidos registraram uma queda de 46% em relação ao mesmo período do ano anterior. O recuo expressivo, documentado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (
Cecafé), está diretamente ligado à decisão do governo americano de impor uma tarifa de 50% sobre o café brasileiro. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, enquanto os EUA são o maior consumidor. Essa relação estratégica foi abalada pela taxação. Em apenas um ano, as importações americanas de café brasileiro caíram de 562.723 para 301.099 sacas de 60 quilos. A medida não afeta apenas os produtores brasileiros, mas também cria um cenário de incerteza e aumento de custos para o consumidor americano, que já enfrenta uma inflação elevada.
Impacto direto no consumidor e no mercado americano
A tarifa de 50% torna a reexportação dos grãos por outros países inviável, já que a origem do produto é rastreável. Esse fator contribui para a escassez de oferta no mercado americano, que depende quase totalmente de importações para suprir sua demanda. O
Financial Times reportou que o café nos Estados Unidos enfrenta sua maior inflação em décadas. Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA revelam que o preço do café moído atingiu um recorde de US$ 8,87 por meio quilo em agosto. O índice de preços ao consumidor específico para a bebida subiu 21% em relação a 2023, a maior alta desde 1997. A instabilidade gerada pela tarifa também tem levado torrefadoras americanas a buscar novos fornecedores, com o setor cafeeiro da
Colômbia aproveitando a oportunidade para expandir suas exportações para os EUA.
O cenário brasileiro e global
Apesar do desafio imposto pela tarifa americana, o Brasil mantém sua posição de liderança. O país segue como o maior produtor e exportador global, e a diversificação de mercados tem sido uma estratégia para mitigar os impactos da crise com os EUA. De janeiro a agosto de 2025, o Brasil exportou 25,32 milhões de sacas de café, gerando uma receita de US$ 9,66 bilhões. No entanto, o volume total de sacas exportadas registrou um declínio de 20,9% em relação ao mesmo período de 2024. O aumento nos preços globais e a demanda de outros países têm ajudado a compensar a queda nas vendas para os Estados Unidos. O preço médio da saca de café exportada pelo Brasil aumentou 68,1% em um ano, chegando a US$ 381,77. Esse cenário ressalta a importância de o Brasil continuar explorando novos mercados para garantir a estabilidade e o crescimento do setor. O país tem direcionado suas exportações para outros parceiros, como a Alemanha, que recentemente superou os EUA como principal destino do café brasileiro.
Com informações: Cecafé, Financial Times e Revista Fórum