Uma resolução bipartidária apresentada no Senado critica taxas de até 50% sobre produtos brasileiros. Os parlamentares questionam a base legal usada por Donald Trump e acusam o presidente de usar a política comercial para fins de favorecimento político
Um grupo
bipartidário de cinco senadores dos Estados Unidos apresentou uma
resolução no Senado contestando as tarifas de até
50% aplicadas sobre produtos importados do Brasil. A iniciativa desafia a base legal utilizada pelo presidente
Donald Trump — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (
IEEPA) — para justificar as sobretaxas, e pede sua revogação imediata. Entre os signatários estão o líder da minoria democrata,
Chuck Schumer (Nova York), e o republicano
Rand Paul (Kentucky), além dos democratas Tim Kaine, Jeanne Shaheen e Ron Wyden.
Acusações de Interferência Política
Os senadores criticam abertamente o uso da política comercial para fins políticos. O democrata
Tim Kaine afirmou que as tarifas são "ultrajantes", acusando Trump de tentar
"impedir a investigação do Brasil contra um de seus amigos", referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Kaine frisou que o Senado precisa "impedir o presidente Trump de iniciar essas guerras comerciais incompetentes e caóticas, que estão tornando os produtos do dia a dia mais caros para os americanos". Já o republicano
Rand Paul criticou o embate institucional, alegando que, independentemente da situação política brasileira, "O presidente dos Estados Unidos não tem autoridade, segundo a IEEPA, para impor tarifas unilateralmente.
A política comercial pertence ao Congresso, não à Casa Branca”.
Escalada das Tarifas e Impacto
As tarifas em questão somam uma escalada iniciada em abril com 10%, aumentada em julho com mais 40%, atingindo o patamar de
50% sobre determinados produtos brasileiros desde agosto. Os senadores alertam que a medida enfraquece a parceria bilateral e pode acelerar a
aproximação do Brasil com a China. Os Estados Unidos importam mais de
US$ 40 bilhões por ano do Brasil, incluindo quase US$ 2 bilhões em café. Apesar do peso simbólico do gesto, a resolução tem poucas chances de ser aprovada nas duas casas legislativas, especialmente na Câmara, onde medidas contrárias a Trump tendem a ser bloqueadas.
Fonte: ICL Notícias