Durante discurso em Nova York, o presidente Lula criticou a "tirania do veto" no Conselho de Segurança da ONU e afirmou que o que acontece em Gaza é um "genocídio". Em uma crítica indireta aos Estados Unidos, o presidente defendeu a solução de dois Estados e disse que o Brasil apoia o processo movido pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva utilizou seu discurso na Conferência de Alto Nível sobre a Palestina, em Nova York, para criticar veementemente o que ele chamou de "
genocídio" em Gaza e a "tirania do veto" no Conselho de Segurança da
ONU. Lula afirmou que o conflito entre Israel e Palestina é o "símbolo maior dos obstáculos enfrentados pelo multilateralismo", e criticou a postura de países que, como os
Estados Unidos, têm usado o poder de veto para bloquear resoluções de cessar-fogo na Faixa de Gaza. "A tirania do veto sabota a própria razão de ser da
ONU, de evitar que atrocidades como as que motivaram sua fundação se repitam", declarou o presidente.
Acusações de Extermínio e a Fome como "Arma de Guerra"
Em sua fala, Lula não poupou críticas a
Israel, reforçando que o que está acontecendo em Gaza é uma "limpeza étnica" e uma "tentativa de aniquilamento do sonho de nação" do povo palestino. O presidente ressaltou que, embora condene os atos terroristas do Hamas, "o direito de defesa não autoriza a matança indiscriminada de civis". Lula destacou a gravidade da situação humanitária na região:
- Mais de 50 mil crianças foram mortas ou mutiladas.
- 90% dos lares palestinos foram destruídos.
- A fome está sendo usada como "arma de guerra".
O presidente brasileiro reforçou o apoio do país ao processo movido pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça. Ele também se comprometeu a intensificar o controle sobre importações de assentamentos ilegais na Cisjordânia e a manter suspensas as exportações de material de defesa que possam ser utilizados em crimes contra a humanidade. Para Lula, a Assembleia Geral da
ONU deve exercer sua responsabilidade diante da inércia do Conselho de Segurança e trabalhar para efetivar a "
solução de dois Estados".
Com informações: Agência Reuters / Opera Mundi