A 5ª CNPM reuniu 4 mil credenciadas em Brasília para exigir Políticas para as Mulheres que contemplem a totalidade das diversidades. As propostas deliberadas irão orientar o governo federal no Plano Nacional
A
5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM) foi encerrada em Brasília com a participação de quase
4 mil credenciadas, focadas no tema "Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas". O debate central do evento foi a exigência de
Políticas para as Mulheres que englobem todas as identidades e experiências, conceituadas pelo termo
"mulheridades". A mobilização uniu representações de diversos grupos, incluindo mulheres negras, LBTs, indígenas, quilombolas, com deficiência e mães atípicas. As demandas dos diversos grupos foram unificadas em torno de eixos prioritários: enfrentamento às desigualdades sociais, econômicas e raciais; fortalecimento em espaços de poder; combate a todos os tipos de violência de gênero; e políticas de cuidado. As participantes trouxeram dados concretos e desafios específicos para o debate, sublinhando a necessidade de uma abordagem interseccional.
Demandas por Igualdade e Inclusão
As conferencistas trouxeram à tona a disparidade salarial e o racismo estrutural. A professora Maria Elisângela Santos (Aracaju) questionou a média salarial da mulher negra, que pode ser cerca de
50% menor que a de um homem branco, e exigiu a mesma qualidade de saúde para mulheres negras e trans. O enfrentamento ao
capacitismo também foi pauta, com a produtora cultural Vanessa Cornélio (SP) pedindo
políticas educacionais para desmistificar a dependência e combater o preconceito contra Pessoas com Deficiência (PCD). A indígena Magna Caibé (BA) rechaçou que a violência de gênero seja tratada como um fenômeno cultural, e sacerdotisas de umbanda exigiram respeito às mães de axé e sua identidade religiosa.
Resultado e Próximos Passos
Todas as demandas trazidas dos diversos territórios foram analisadas durante os três dias da
5ª CNPM e votadas pelas delegadas. As propostas deliberadas serão o insumo principal para o fortalecimento e aprimoramento do
Plano Nacional de Políticas Públicas para Mulheres, que irá orientar o governo federal na elaboração de políticas para as mais de
100 milhões de brasileiras. A Ministra das Mulheres, Marcia Lopes, reforçou que a mobilização não deve se encerrar em Brasília, mas continuar ativa nas comunidades de origem das participantes.
Com informações: Agência Brasil