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Fazendeiro planeja criar “Universidade do Búfalo” para pesquisa na Ilha de Marajó

Fazendeiro planeja criar “Universidade do Búfalo” para pesquisa na Ilha de Marajó

Redação
Por: Redação
22/10/2025 às 08h00 Atualizada em 22/10/2025 às 11h00
Fazendeiro planeja criar “Universidade do Búfalo” para pesquisa na Ilha de Marajó
Foto: Reprodução
O Centro de Estudos da Bubalinocultura seria o primeiro do país focado em genética, manejo e aproveitamento integral do animal, principal símbolo da Ilha de Marajó, que abriga o maior rebanho do Brasil

Na Ilha de Marajó, que possui o maior rebanho de búfalos do Brasil (entre 650 mil e 800 mil animais), a centralidade do animal na vida local inspirou um projeto ambicioso. A família proprietária da Fazenda e Empório Mironga planeja criar o Centro de Estudos da Bubalinocultura, informalmente chamado de “universidade do búfalo”. O projeto seria o primeiro no país dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento em torno do mamífero, abrangendo:
  • Melhoramento Genético: Estudo para aprimorar a raça.
  • Aproveitamento Integral: Como agregar valor ao leite, couro e carne.
  • Manejo e Sanidade Animal: Práticas para otimizar a criação.
O fazendeiro Carlos Augusto Gouvêa (Tonga) explica que o centro envolveria diversas áreas além da agronomia e veterinária, incluindo tecnólogos de alimento e de turismo, visando estudar e divulgar o bubalino.

Do Turismo Pedagógico ao Queijo com Indicação Geográfica

Enquanto o Centro não sai do papel, a Fazenda Mironga aposta no “Vivência Mironga”, um turismo pedagógico que expõe aos visitantes o cotidiano da fazenda, a produção artesanal de queijo de leite de búfala e as práticas agroecológicas. Gabriela Gouvêa, filha de Tonga, afirma que o turismo já responde por dois terços do faturamento da fazenda, superando a produção em escala. A família também foi pioneira na luta pela legalização do queijo do Marajó, que obteve a Indicação Geográfica (INPI) após a queijaria Mironga ser a primeira a conseguir inspeção oficial em 2013.

Gastronomia Local em Foco

A cultura do búfalo também impulsiona a gastronomia local, exemplificada pelo Café Dona Bila, em Soure. A cearense Lana Correia uniu a culinária nordestina com os ingredientes típicos do Pará, destacando o queijo marajoara e a carne de búfalo em pratos como o Cuscuz de Murrá (com filé de búfalo). De olho na COP30 (que será realizada em Belém), a empreendedora criou pratos que destacam ingredientes locais, consolidando-se como um símbolo da nova geração de empreendedores da ilha.

Desafios Ambientais

Apesar da relevância cultural e econômica, a pecuária bubalina no Marajó enfrenta desafios ambientais. O metano (CH4), liberado durante a digestão dos bovinos (categoria da qual o búfalo faz parte), faz com que a pecuária seja a segunda maior emissora de gases do efeito estufa no Brasil. Os bovinos emitiram 405 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MTCO2e) em 2023. A redução da emissão desses gases é um dos grandes “quebra-cabeças” que o futuro Centro de Estudos da Bubalinocultura deverá se dedicar a resolver.
Com informações: Agência Brasil
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