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Audiovisual brasileiro protesta contra relatório do PL do Streaming: “Risco de desmonte”

Audiovisual brasileiro protesta contra relatório do PL do Streaming: “Risco de desmonte”

Redação
Por: Redação
05/11/2025 às 06h00 Atualizada em 05/11/2025 às 09h00
Audiovisual brasileiro protesta contra relatório do PL do Streaming: “Risco de desmonte”
Foto: Reprodução
Cineastas e produtores independentes realizaram atos em diversas capitais contra o relatório do Deputado Dr. Luizinho (PP-RJ) ao PL 8.889/2017. O movimento acusa o texto de favorecer grandes plataformas estrangeiras, reduzir a Condecine e fragilizar o financiamento do cinema nacional independente

Cineastas, roteiristas, produtores e técnicos do audiovisual brasileiro protestaram nesta segunda-feira (3) em diversas capitais em defesa do cinema independente. Os atos, chamados “Pega a Visão: Ato pelo VoD”, são contrários ao relatório do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ) sobre o Projeto de Lei 8.889/2017, que propõe a regulação das plataformas de streaming no Brasil. As manifestações ocorreram simultaneamente em frente à sede da Ancine (Rio de Janeiro), na Cinemateca Brasileira (São Paulo) e no Cine Walter da Silveira (Salvador).

? Críticas ao Relatório e Risco ao Cinema Independente

O movimento afirma que o relatório do relator representa um “risco histórico de desmonte da indústria audiovisual nacional”, pois contraria o parecer técnico da Ancine e os consensos construídos com a sociedade civil. Os principais pontos de crítica ao relatório atual incluem:
  • Condecine Reduzida: Propõe Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine) máxima de apenas 4% para o streaming.
  • Autofinanciamento: Permite que 70% do valor da Condecine seja usado pelas próprias plataformas em projetos próprios, esvaziando o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
  • Cota de Conteúdo: Prevê cota mínima de apenas 10% de obras nacionais nos catálogos (o setor pede 20%).
A cineasta Lúcia Murat classificou o projeto como uma ameaça à autonomia criativa: “Isso transforma a regulação numa espécie de ‘Lei Rouanet para os streamings’. É uma loucura — dinheiro público para companhias estrangeiras. Não pode passar”, disse. A produtora Clarissa Guarilha ressaltou que o cinema independente é essencial para garantir que as histórias brasileiras sejam contadas por produtores nacionais, sem depender de grandes corporações internacionais.

? Alerta da Ancine e MinC

Uma nota técnica da Ancine e do Ministério da Cultura (MinC) corrobora as preocupações do setor, alertando que o relatório pode:
  • Provocar uma redução drástica nos recursos destinados ao FSA.
  • Abrir brechas para autodeclaração de receitas, dificultando a fiscalização.
  • Permitir que empresas estrangeiras criem “produtoras nacionais” controladas no país, enfraquecendo a independência do setor.
Os profissionais pedem o adiamento da votação e a retomada das premissas do texto anterior, que previa cota mínima de 20% de obras nacionais e Condecine de, no mínimo, 6% com destinação prioritária ao FSA.
Com informações: Agência Câmara / Brasil de Fato / Agência Brasil
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