
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou unanimidade nesta sexta-feira (7) para rejeitar os embargos de declaração apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e manter sua condenação a 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado.
O julgamento está ocorrendo no Plenário Virtual e será concluído em 14 de novembro. Até lá, os ministros ainda podem alterar seus votos.
Votaram pela rejeição do recurso e manutenção da condenação os ministros:
Os ministros também votaram pela rejeição dos embargos de declaração de outros seis réus condenados pela trama golpista, incluindo Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Souza Braga Netto.
Em setembro, a Primeira Turma havia condenado Bolsonaro por 4 votos a 1, entendendo que ele liderou uma organização criminosa que utilizou a estrutura do Estado (como ABIN e PRF) para atuar contra adversários políticos e planejar ações para deslegitimar o sistema eleitoral.
O recurso julgado, o embargo de declaração, serve para pedir esclarecimentos sobre omissões ou contradições na sentença e, geralmente, não altera substancialmente a pena.
A prisão de um condenado é executada, de acordo com a lei, quando não cabem mais recursos. A rejeição dos embargos de declaração encaminha o processo para essa etapa.
A defesa de Bolsonaro já sinalizou a possibilidade de apresentar embargos infringentes, um recurso que contesta o mérito da sentença. No entanto, pelas regras do STF, esse recurso só seria cabível se houvessem dois votos pela absolvição, o que não ocorreu no julgamento anterior. O ministro Moraes, relator do caso, pode considerar os infringentes como protelatórios, o que permitiria a decretação da prisão antes de sua análise.
Ao votar pela rejeição, o relator Alexandre de Moraes reiterou que ficou comprovado o papel de liderança de Bolsonaro:
"Também foi demonstrada a autoria delitiva do embargante [Bolsonaro], tendo exercido a liderança da organização criminosa armada, tendo os apoiadores invadido os edifícios-sede das instituições democráticas destruíram, inutilização e deterioraram patrimônio do Estado Brasileiro, com a propagação da falsa narrativa de fraude eleitoral no ano de 2022."
Com informações: TV Globo