
O Pix, que se tornou o principal meio de pagamento no Brasil, é alvo de uma intensa disputa política sobre sua origem, que o governo Lula (PT) e seus apoiadores atribuem a uma longa linha de políticas de inclusão financeira.
A análise da Revista Fórum aponta que a narrativa de Jair Bolsonaro, que se vende como "pai do Pix" por ter ocorrido o lançamento em seu governo (2020), omite a infraestrutura institucional e legal construída nas décadas anteriores.
A linhagem do Pix é traçada em quatro pilares fundamentais:
Pilar Político (Governo Lula, 2003-2010): A inclusão financeira e a bancarização da população de baixa renda se tornaram, pela primeira vez, sistematicamente uma política de Estado. A reorientação de bancos públicos para o pagamento de programas sociais (como o Bolsa Família) forçou a abertura de milhões de contas e criou a base material para um futuro sistema de pagamentos em massa. Em 2010, o Banco Central formalizou essa visão, tratando o sistema de pagamentos como um pilar da cidadania.
Pilar Legal (Governo Dilma, 2013): A Lei nº 12.865/2013 foi sancionada, sendo considerada a "mãe" do ecossistema de fintechs e pagamentos digitais. Ela deu poder explícito ao Banco Central para "disciplinar os arranjos de pagamento" e as "instituições de pagamento", quebrando o monopólio dos grandes bancos e tornando o Pix legalmente viável.
Pilar Institucional (Governo Dilma/Tombini, 2015): A Portaria de 2015 criou os "fóruns temáticos relacionados ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB)", em especial o Fórum AIP, que serviu como a "incubadora" onde técnicos do BC e a sociedade começaram a desenhar um sistema de pagamentos instantâneo, barato e público.
GT de 2018 (Governo Temer): O Grupo de Trabalho que efetivamente desenhou o Pix foi criado em 2018, mas explicitamente como um fruto do Fórum AIP de 2015.
A análise conclui que, do ponto de vista político e histórico, é Lula quem encarna o papel de "pai político" do Pix, pois foi seu ciclo de governo que transformou a inclusão financeira em objetivo estratégico e política pública.
O caráter de infraestrutura pública e gratuita para pessoas físicas do Pix, uma escolha mantida pelo Banco Central, levou a um embate internacional.
Em julho de 2025, o governo Donald Trump determinou a abertura de uma investigação comercial formal contra o Brasil, com base no Trade Act norte-americano. O documento do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) listou o Pix entre os exemplos de supostas “práticas desleais” brasileiras, ecoando as pressões de gigantes globais de cartões como Visa e Mastercard.
O governo Lula defendeu o sistema como uma infraestrutura digital pública que aumenta a concorrência, rebatendo a ofensiva como um ataque direto à soberania tecnológica e financeira do país.