
Uma pesquisa inédita intitulada Cenários da Saúde Física e Mental dos Servidores do Sistema Penitenciário Brasileiro, conduzida pela SENAPPEN (Ministério da Justiça e Segurança Pública) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelou o nível crítico de desgaste e estresse enfrentado pelos agentes penais no país. O estudo ouviu mais de 22 mil profissionais entre 2022 e 2024.
Os dados confirmam um problema histórico no sistema prisional, com consequências severas para a saúde dos servidores:
Exaustão Crítica: Cerca de 34% dos agentes penais se sentem exaustos com frequência, e 10% relatam exaustão “o tempo todo”.
Problemas Físicos: 55% dos profissionais relatam dores musculares frequentes. Doenças como hipertensão, obesidade e distúrbios ortopédicos estão entre os diagnósticos mais comuns.
O impacto emocional e psicológico do trabalho é alarmante, sendo o medo uma sensação constante para quase metade da categoria:
Medo no Trabalho: Quase metade dos participantes (46,7%) afirmou ter sentido medo relacionado ao trabalho nas duas semanas anteriores à pesquisa.
Distúrbios de Sono: 37,7% relatam não acordar revigorados com frequência, indicando distúrbios de sono relacionados ao estresse prolongado.
Apoio Interno e Falta de Reconhecimento: Apesar da gravidade dos dados, 87,5% avaliaram positivamente a convivência com colegas. No entanto, 83,7% dos servidores afirmam que a sociedade reconhece pouco o seu trabalho.
O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, ressaltou que a pesquisa oferece um retrato inédito e serve de base para ações estruturantes previstas no Plano Nacional Pena Justa.
“Cuidar desses trabalhadores é condição para o funcionamento legal, estável e eficiente do sistema prisional.”
Com informações: Revista Fórum