
A carta, enviada nesta terça-feira (16), representa uma articulação significativa do terceiro setor e movimentos sociais em defesa do Padre Júlio Lancellotti. O religioso foi instruído por Dom Odilo Scherer a suspender suas atividades online, sob o argumento de que seria um "tempo de recolhimento" e "proteção".
No documento, as organizações signatárias, lideradas pelo Instituto GAS – Grupo de Atitude Social e incluindo grupos como Médicos do Mundo e Fundo Fica, expressam a preocupação de que a limitação da manifestação pública do Padre Júlio:
Afeta as Redes de Solidariedade: O trabalho do Padre Júlio, frequentemente divulgado nas redes, é um ponto focal para a mobilização de voluntários e recursos.
Prejudica o Debate: A voz do religioso é considerada essencial no debate sobre a pobreza extrema, a situação das pessoas em situação de rua e o modo de vida capitalista na cidade de São Paulo.
Impacto no Acolhimento: O documento foca no impacto social negativo que a decisão provoca no trabalho contínuo de acolhimento e atendimento à população vulnerável.
Além da carta formal, os movimentos sociais convocaram lideranças e voluntários das mais de 40 organizações para uma missa em apoio ao Padre Júlio Lancellotti no próximo domingo (21), às 10h, na Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca. O ato é descrito pelos organizadores como uma demonstração pública de apoio à atuação do religioso.
As entidades fazem questão de ressaltar que o apelo não questiona a autonomia da Igreja Católica, mas se concentra unicamente nas consequências sociais das restrições comunicadas ao Padre Lancellotti, cuja atuação na cidade é há décadas associada à defesa da população em situação de rua.
A carta também registra a preocupação com a possibilidade, ainda não confirmada, de que Dom Odilo Scherer decida pela retirada do Padre Júlio da Paróquia São Miguel Arcanjo, onde ele atua há cerca de 40 anos.
Com informações: DCM