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Os desafios da docência e a defesa da democracia na educação em 2026

Os desafios da docência e a defesa da democracia na educação em 2026

Redação
Por: Redação
25/12/2025 às 12h00 Atualizada em 25/12/2025 às 15h00
Os desafios da docência e a defesa da democracia na educação em 2026
Foto: Reprodução
Professores enfrentam esgotamento e esvaziamento de instâncias deliberativas, como o conselho de classe, em meio a disputas ideológicas e metas estatísticas

O encerramento do ano letivo de 2025 traz à tona uma crise profunda na identidade docente no Brasil. Professores de todo o país relatam que os conselhos de classe, espaços que deveriam ser de deliberação pedagógica, tornaram-se burocráticos e exaustivos. Segundo a análise de Lidiane Grützmann, essas instâncias sofrem um esvaziamento de sentido, muitas vezes atropeladas por lógicas de gestão que priorizam indicadores como o IDEB e a aprovação em massa em detrimento da aprendizagem real, gerando um sentimento de inutilidade no corpo docente.

Este cenário de silenciamento ocorre às vésperas do ciclo político de 2026, onde a escola volta a ser o centro de intensas disputas morais. Desde 2022, a educação tem sido tratada menos como política pública e mais como um terreno de pânicos morais e vigilância, deslocando o professor de sua posição de intelectual para a de objeto de controle.

O conceito de escolasticídio e o desfazimento do demos

A reflexão teórica utiliza conceitos como o "desfazimento do demos", de Wendy Brown, para explicar como a racionalidade neoliberal corrói as instituições coletivas, transformando a docência em uma técnica de ajuste estatístico. Em um limite ainda mais grave, o texto cita o termo scholasticide (escolasticídio), formulado por Karma Nabulsi, que descreve a destruição sistemática da educação como ferramenta de supressão de identidade e pensamento crítico — um alerta sobre as consequências da radicalização no espaço escolar.

Pautas decisivas para 2026

Para o próximo ano, a escola será convocada a lidar com dilemas democráticos urgentes que extrapolam a sala de aula:

  • Radicalização e Misoginia: O crescimento da cultura incel e a banalização do feminicídio entre adolescentes.

  • Racismo Estrutural: A interseção entre pobreza e raça definindo a permanência escolar (no Brasil, jovens negros têm taxas de evasão escolar superiores aos brancos, chegando a índices cerca de 10% a 15% maiores em algumas regiões).

  • Pânicos Morais: A disputa sobre corpos dissidentes e diversidade de gênero como alvo de censura.

  • Violência: A normalização da violência armada e das chacinas em territórios vulneráveis.

Recomposição do trabalho docente

O enfrentamento dessas questões em 2026 exige, antes de discursos cívicos, a restituição das condições materiais e subjetivas do trabalho dos professores. Sustentar a democracia hoje significa garantir que termos como dignidade humana e justiça voltem a ser critérios de decisão dentro das escolas, recuperando a autonomia do julgamento coletivo frente à precarização estrutural.


Com informações: Diplomatique.

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