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2026: um novo ciclo histórico e o esgotamento do "programa mínimo"

2026: um novo ciclo histórico e o esgotamento do "programa mínimo"

Redação
Por: Redação
31/12/2025 às 10h00 Atualizada em 31/12/2025 às 13h00
2026: um novo ciclo histórico e o esgotamento do
Foto: Reprodução

O cientista político e dirigente do PT em Pernambuco, Pedro Alcântara, defende que a reeleição de Lula é vital, mas insuficiente diante da crise estrutural da esquerda e do avanço neoliberal.


Em artigo recente publicado no portal Opera Mundi, Pedro Alcântara faz uma análise contundente sobre o cenário político brasileiro às vésperas de 2026. Para o autor, a esquerda brasileira vive uma "crise histórica", marcada pelo desmantelamento das proteções laborais e pela "domesticação" de seus próprios movimentos. Ele argumenta que o modelo baseado no "programa mínimo" — que prioriza a gestão institucional e o combate imediato à fome sem enfrentar as raízes da exploração financeira — está chegando ao seu limite, especialmente com a proximidade do último ato eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva.

Alcântara aponta que o foco excessivo no parlamento e em acordos institucionais afastou os partidos da disputa pela maioria social e da mobilização popular. Segundo ele, a força de Lula tem "camuflado" sinais evidentes de esgotamento estratégico que ficarão expostos quando o líder não for mais o guarda-chuva eleitoral do campo progressista.


Diagnóstico da crise na esquerda

O autor destaca elementos que explicam o atual estado de paralisia dos movimentos sindicais e partidários:

  • Avanço Neoliberal: A reforma trabalhista e o controle do orçamento pelo sistema financeiro geraram precarização e descrença na democracia liberal.

  • Domesticação e Pragmatismo: A esquerda teria abandonado a utopia em troca de um programa que gerencia a miséria, mas não transforma a sociedade, limitando a política ao exercício de mandatos.

  • Impacto das Big Techs: As redes sociais e seus algoritmos fragmentam a classe trabalhadora em "tribos", dificultando a criação de um elo comum de luta política.

O desafio pós-Lula e o horizonte de 2026

Para Alcântara, o sucessor de Lula não será escolhido por "canetadas", mas forjado na luta popular que deve ressurgir com o fim deste ciclo lulista.

  1. Além da Eleição: Vencer em 2026 é necessário para conter danos, mas o poder real só virá com a construção de uma maioria social fora das instituições.

  2. Reforma vs. Políticas Públicas: O autor sugere substituir o mantra das "políticas públicas" (muitas vezes paliativas) por um chamamento por reformas estruturais baseadas na Constituição de 1988.

  3. Esquerda Não Liberal: Defesa de um projeto disruptivo que toque no sistema financeiro e no latifúndio, recuperando a capacidade de disputar os sentidos do futuro.

Conclusão e Perspectivas

O texto conclui que o ano de 2026 "valerá por uma década". Se o PT e os movimentos sociais não superarem a acomodação parlamentar, correm o risco de serem engolidos pela extrema-direita ou pela irrelevância histórica. A liderança futura, segundo o cientista político, surgirá naturalmente daqueles que se propuserem a ser críticos do sistema, e não apenas seus gestores eficientes.


Com informações: Opera Mundi

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