
A geopolítica das Américas em 2026 atravessa um período de profunda redefinição sob o segundo mandato de Donald Trump. A recente aprovação da Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos deslocou o foco de Washington para o "Hemisfério Ocidental", resgatando os preceitos da Doutrina Monroe. Este cenário, analisado pelo historiador Danilo Sorato com base na obra de Moniz Bandeira, sugere que a imposição da força e a desestabilização de regimes — métodos aplicados contra a Venezuela — criam uma "Desordem Mundial" que agora desafia a soberania brasileira.
O ataque americano à Venezuela, motivado pelo interesse em jazidas de petróleo e pela mudança de um governo hostil, serve como um alerta para o Itamaraty. No entanto, o Brasil tem adotado uma postura de "distensão estratégica". Desde 2025, o governo Lula buscou o diálogo direto com a administração Trump, conseguindo avanços importantes, como a redução de tarifas de exportação e o abrandamento de sanções ligadas à Lei Magnitsky. O objetivo é claro: evitar que o país entre na "alça de mira" americana, transformando potenciais conflitos em espaços de cooperação técnica e econômica.
Existem dois eixos fundamentais onde o Brasil exerce sua inteligência diplomática para manter a estabilidade:
Minerais Críticos e Terras Raras: Os EUA possuem interesse vital em acessar os recursos minerais brasileiros para bloquear a hegemonia da China no setor tecnológico. O desafio brasileiro é negociar o acesso a esses recursos garantindo retornos econômicos e soberania tecnológica.
Combate ao Crime Organizado: Ao aprofundar a cooperação no enfrentamento ao narcotráfico, o Brasil tenta esvaziar pretextos para intervenções unilaterais, mantendo o controle das operações em solo nacional.
A isonomia nas relações internacionais é o que o Brasil busca preservar. Diferente de nações que enfrentaram rupturas institucionais após pressões externas, o país tenta usar sua musculatura econômica para negociar em pé de igualdade. Sorato destaca que agir na defensiva, mas com propostas de convergência, é o que tem impedido que a política de imposição de Trump resulte em instabilidades graves no Cone Sul. A diplomacia, neste contexto, não é apenas protocolo, mas uma ferramenta essencial de defesa nacional.
O perfil altamente atualizado da política externa brasileira reconhece que o governo estadunidense tende a agir com dureza em pautas como imigração e tráfico. Ao antecipar essas discussões e oferecer cooperação em crimes cometidos por brasileiros em solo americano, o Brasil retira a justificativa moral para pressões mais agressivas. A saída para o país permanece sendo o pragmatismo, explorando áreas de interesse mútuo enquanto protege ativos estratégicos, como os recursos naturais e a autonomia jurídica.
Em última análise, o sucesso brasileiro em 2026 dependerá da capacidade de não se tornar um peão na desordem imposta de fora. A cooperação em temas sensíveis deve ser feita sob condições estritamente favoráveis ao desenvolvimento nacional. Somente através de uma diplomacia de resultados, focada na preservação da paz e do crescimento econômico, o Brasil poderá navegar as águas turbulentas da nova política externa estadunidense sem sacrificar sua dignidade histórica ou seus recursos naturais.
*Com informações: Diplomatique.