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"Selic em 15% é insustentável": Indústria e sindicatos criticam decisão do Banco Central

"Selic em 15% é insustentável": Indústria e sindicatos criticam decisão do Banco Central

Redação
Por: Redação
30/01/2026 às 11h00 Atualizada em 30/01/2026 às 14h00
Foto: Reprodução

CNI, CBIC e centrais sindicais alertam para o risco de recessão e desemprego; entidades afirmam que Brasil mantém os maiores juros reais do mundo mesmo com inflação sob controle.


A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano gerou uma onda de críticas entre os principais setores produtivos do Brasil. Representantes da indústria, construção civil e sindicatos foram unânimes em classificar o patamar atual como um obstáculo ao crescimento econômico e uma punição ao consumo das famílias.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Banco Central ignora a realidade de uma inflação que fechou 2025 dentro da meta (4,26%) para manter juros reais — descontada a inflação — na casa dos 10,5% ao ano.

Reações dos Setores Produtivos

Entidade Principal Crítica
CNI (Indústria) Juros em nível insustentável que aprofundam a desaceleração do PIB.
CBIC (Construção) Restrição ao crédito imobiliário e dificuldade em viabilizar novos prédios.
CUT (Sindicatos) Encarecimento das dívidas das famílias e impacto negativo na criação de empregos.
Força Sindical Acusa o BC de favorecer o setor financeiro em vez do setor produtivo.

O Peso da Dívida Pública

As centrais sindicais trouxeram um dado alarmante para o debate: cada ponto percentual da Selic acrescenta aproximadamente R$ 50 bilhões aos gastos do Governo Federal com o pagamento de juros da dívida pública. Dinheiro que, segundo as entidades, deixa de ser investido em saúde, educação e infraestrutura.

Para Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, o Brasil segue no topo do ranking mundial de juros reais, o que drena a renda da população e desestimula as empresas a contratarem novos funcionários.

A Visão da Construção Civil

Renato Correia, presidente da CBIC, destacou que o setor da construção é um dos mais sensíveis aos juros. Com a Selic a 15%, o financiamento da casa própria torna-se proibitivo para grande parte dos brasileiros, o que trava toda uma cadeia produtiva que gera milhões de empregos diretos e indiretos.

"Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia. É indispensável iniciar a redução já na próxima reunião", afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI.

[Image showing a closed factory gate with a 'closed' sign, representing the risk of industrial slowdown due to high credit costs]

Incertezas no Horizonte

Apesar do tom duro dos críticos, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) ponderou que o Banco Central age com cautela devido às incertezas fiscais internas e à volatilidade do cenário externo. A expectativa geral agora se volta para março, data em que o Copom sinalizou que poderá, finalmente, iniciar o tão esperado ciclo de cortes.


Com informações: Agência Brasil

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