
Apesar de um aumento de 10,7% nos investimentos em 2024, totalizando R$ 29,13 bilhões, o Brasil ainda enfrenta desafios monumentais para cumprir o Marco Legal do Saneamento. Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) mostram que cerca de 33 milhões de brasileiros (15,9%) vivem sem acesso à água potável e 90 milhões (43,3%) não possuem coleta de esgoto.
O cenário é agravado pela ineficiência do sistema: quase 40% da água já tratada é desperdiçada em vazamentos ou ligações irregulares antes mesmo de chegar às torneiras. Além disso, apenas metade (51,8%) do esgoto gerado no país recebe o tratamento adequado.
Faltam apenas sete anos para o prazo final estabelecido por lei: garantir que 99% da população tenha água potável e 90% conte com coleta e tratamento de esgoto. Para atingir esses índices, o país precisará elevar o patamar de investimentos anuais, que em 2024 dividiram-se entre R$ 15,07 bilhões para água e R$ 14,06 bilhões para esgoto.
Investir em saneamento não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de economia. Um estudo do Instituto Trata Brasil projeta que a universalização completa pode gerar benefícios de R$ 1,455 trilhão até 2040.
Benefícios Diretos: R$ 864 bilhões em renda, empregos e impostos.
Saúde e Produtividade: R$ 591 bilhões economizados com a redução de doenças e perdas sociais.
Saldo Positivo: Descontados os custos de obra (R$ 639 bilhões), o país teria um ganho líquido de R$ 816 bilhões.
Em um ano de eleições, o tema deve ser prioridade nos debates municipais. A gestão do saneamento impacta diretamente a saúde pública local, reduzindo filas em hospitais e melhorando o rendimento escolar e a valorização imobiliária. A universalização é, acima de tudo, o caminho para um país mais justo e com maior qualidade de vida.