Domingo, 28 de Junho de 2026
14°C 24°C
Brasília, DF
Publicidade

Empresários brasileiros no Paraguai: análise da advogada Bell Ivanesciuc sobre os fatores tributários e estratégicos que impulsionam essa migração

Por Bell Ivanesciuc – Artigo solicitado pelo Fato Novo em razão da relevância do tema para a governança corporativa, a sustentabilidade financeira das empresas e os desafios estruturais enfrentados pelo mercado brasileiro e global.

Kauan Monteiro
Por: Kauan Monteiro Fonte: Fato Novo
17/02/2026 às 10h00
Empresários brasileiros no Paraguai: análise da advogada Bell Ivanesciuc sobre os fatores tributários e estratégicos que impulsionam essa migração

Nos últimos anos, o Paraguai tem se consolidado como destino estratégico para empresários brasileiros que buscam maior competitividade internacional. A migração de empresas para o país vizinho não se resume à redução de impostos, mas envolve planejamento tributário estruturado, previsibilidade regulatória e eficiência operacional.

Para compreender as razões jurídicas e fiscais por trás desse movimento, a advogada Bell Ivanesciuc, especialista em Direito Internacional Tributário e Empresarial, com atuação em estruturação societária internacional e planejamento fiscal transnacional, analisa os principais fatores que têm levado empresas brasileiras a transferirem operações para o Paraguai.

“Estamos diante de uma decisão estratégica. O empresário moderno compara jurisdições, analisa riscos e escolhe ambientes que ofereçam estabilidade e competitividade global”, explica Ivanesciuc.

Principais fatores que motivam a migração empresarial

Tributação simplificada e carga reduzida

De acordo com Ivanesciuc, o sistema tributário paraguaio apresenta estrutura mais simples e alíquotas inferiores às brasileiras. O Imposto de Renda Corporativo gira em torno de 10%, assim como o IVA, o que contrasta com o complexo sistema brasileiro composto por IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ICMS, IPI e múltiplas obrigações acessórias.

“O custo de conformidade tributária no Brasil é elevado não apenas pela carga fiscal, mas pela complexidade operacional. No Paraguai, o empresário encontra maior previsibilidade e menos burocracia”, afirma.

Regime de Maquila

Um dos principais atrativos é o regime de maquila, que permite produção voltada à exportação com tributação reduzida incidente sobre o valor agregado no país.

“Para empresas industriais com foco exportador, o regime de maquila é extremamente competitivo. Ele posiciona o Paraguai como plataforma estratégica dentro do Mercosul”, explica a especialista.

Custos operacionais e segurança jurídica

Além da tributação, fatores como energia mais barata, custos trabalhistas competitivos e menor burocracia administrativa influenciam a decisão.

“O ambiente regulatório paraguaio tem demonstrado maior estabilidade nos últimos anos. Para o empresário que precisa planejar investimentos de médio e longo prazo, previsibilidade é essencial.”

Planejamento tributário ou evasão fiscal?

Bell Ivanesciuc ressalta que a migração empresarial deve ser conduzida com rigor técnico e dentro da legalidade.

“Quando estruturado corretamente, estamos falando de planejamento tributário internacional legítimo. O que não pode ocorrer é a manutenção artificial de residência fiscal no Brasil sem cumprimento das obrigações legais.”

A especialista destaca a necessidade de análise detalhada de:

(i) Residência fiscal dos sócios
 (ii) Regras de controladas no exterior (CFC)
 (iii) Tratados internacionais
 (iv) Normas de preços de transferência
 (v) Possíveis cenários de bitributação
 

“Sem planejamento técnico adequado, o empresário pode enfrentar autuações significativas.”

Setores que mais buscam o Paraguai

Segundo a advogada, os segmentos que mais têm migrado incluem:

(i) Indústrias têxteis
 (ii) Tecnologia e montagem eletrônica
 (iii) Agroindústria
 (iv) Comércio atacadista regional
 (v) Estruturas de holding patrimonial
 

“A decisão geralmente decorre de análise comparativa entre o chamado ‘custo Brasil’ e o custo operacional paraguaio.”

Impactos econômicos e perspectivas

Para Ivanesciuc, o movimento reflete uma reconfiguração estratégica do empresariado brasileiro.

“O Brasil continua sendo um mercado relevante e robusto. No entanto, para empresas com foco exportador, a diferença tributária pode comprometer margens e competitividade internacional.”

Ela ressalta que a reforma tributária brasileira poderá modificar parte desse cenário, mas a tendência de internacionalização deve permanecer.

“A internacionalização deixou de ser exceção e passou a ser estratégia empresarial. Quem domina o planejamento tributário internacional opera com vantagem competitiva.”

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Brasília, DF
24°
Chuvas esparsas
Mín. 14° Máx. 24°
24° Sensação
4.34 km/h Vento
42% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h39 Nascer do sol
17h50 Pôr do sol
Segunda
25° 15°
Terça
26° 14°
Quarta
27° 15°
Quinta
27° 16°
Sexta
27° 16°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,17 +0,03%
Euro
R$ 5,88 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 326,305,34 -0,30%
Ibovespa
173,295,14 pts 0.76%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias