
O mercado de trabalho brasileiro consolidou um marco histórico no trimestre encerrado em fevereiro de 2026. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE, a taxa de desocupação recuou para 5,8%. Este é o menor índice já registrado para este período em toda a série histórica da pesquisa, refletindo uma redução significativa na comparação anual.
Em termos absolutos, o contingente de pessoas em busca de uma oportunidade caiu de 7,3 milhões em 2025 para 6,2 milhões em 2026 — uma retirada de mais de 1 milhão de brasileiros da fila do desemprego em apenas um ano. Quando olhamos para o cenário de 2022, quando a taxa era de 11,2%, a queda é ainda mais drástica, evidenciando uma trajetória de recuperação robusta da atividade econômica nacional.
Não foi apenas o volume de vagas que surpreendeu. O rendimento médio real do trabalhador brasileiro atingiu o maior patamar da história, chegando a R$ 3.679. O aumento de 5,2% no ano reflete uma pressão positiva no mercado: com a alta demanda por mão de obra, as empresas estão sendo levadas a oferecer remunerações mais atrativas.
De acordo com a coordenadora do IBGE, Adriana Beringuy, esse movimento é acompanhado por uma tendência de maior formalização, especialmente nos setores de comércio e serviços. A massa de rendimento real, que é a soma de todos os salários pagos no país, injetou R$ 371,1 bilhões na economia mensalmente, um crescimento de quase 7% em relação ao ano anterior.
Outro indicador social relevante foi a queda na população desalentada — aquelas pessoas que haviam desistido de procurar emprego por falta de esperança. Houve uma redução de 14,9% nesse grupo no último ano, o que indica que quase meio milhão de pessoas recuperaram a confiança para retornar ao mercado de trabalho.
Embora o número de empregados com carteira assinada no setor privado tenha se mantido estável em 39,2 milhões, a taxa de informalidade registrou uma leve queda, situando-se em 37,5%. O cenário aponta para um equilíbrio entre a geração de ocupação e a manutenção do poder de compra, sinalizando um fechamento de trimestre com indicadores de pleno emprego em diversas regiões do país.
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